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sábado, 21 de dezembro de 2013

FGV – 2013 – 2º semestre – Prova de Língua Portuguesa, Literatura e Interpretação de Textos

Prova de Língua Portuguesa, Literatura e Interpretação de Textos – FGV – 2013 - 2º semestre

ps. Foi mantida a numeração original da prova.

16 Leia os seguintes textos:

I
As comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural, além dos instrumentos, objetos, artefatos e lugares, também as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas. Esse segundo conjunto de bens culturais é denominado pela Unesco de Patrimônio Cultural .............................. .

http://portal.iphan.gov.br. Adaptado.

II
A contabilidade também se adapta aos novos tempos. Uma prova é o surgimento do analista de ativos ............................, aquilo que até há pouco tempo parecia não ter preço, como a marca de uma empresa e o relacionamento com clientes.

Exame: melhores e maiores. Edição especial. Julho de 2011.

Tendo em vista o contexto, os adjetivos mais adequados para preencher as lacunas dos textos acima são, respectivamente,

A Tradicional / pecuniários.
B Popular / financeiros.
C Imaterial / intangíveis.
D Urbano / não contabilizados.
E Identificável / em espécie.

Texto para as questões de 17 a 19

A rádio CBN reapresentou uma reportagem na qual dois repórteres, um negro e outro branco, de idades próximas e vestindo roupas parecidas, testaram o atendimento que receberiam em estabelecimentos comerciais cariocas.
O tratamento dado ao negro foi sistematicamente pior e em boa parte das vezes nem sequer foi atendido. Em uma loja de roupas masculinas, ao branco foi oferecido um terno de maior qualidade, e, ao negro, o mais barato.
O diabo é que os preconceitos se devem a uma poderosa capacidade humana, a de fazer generalizações a partir de experiências limitadas. Poderosa, mas falível. Preconceitos como o racismo ou o sexismo são frutos de generalizações indevidas e estigmatizadoras. Porém, sem conceitos prévios (preconceitos), que permitam tomar decisões rápidas, teríamos dificuldade para fazer coisas simples, como dirigir ou escolher um restaurante sem ter uma indicação.
Ainda assim, vale uma constatação etimológica: preconceito é sinônimo de prejuízo. Nossos antepassados, ao criar suas línguas, perceberam que conceitos ou juízos prévios costumam levar a perdas, a ideias equivocadas.

M. Miterhof, Folha de S. Paulo. 31/01/2013. Adaptado.

17 Reproduz uma ideia contida no texto a seguinte frase:

A O modo de vestir influiu no tratamento recebido pelo repórter negro em algumas lojas do Rio.
B Um preconceito, tomando-se a palavra em seu sentido etimológico, pode orientar um
comportamento não necessariamente negativo.
C A sinonímia apontada em “preconceito” e “prejuízo” baseia-se nos prefixos e não nos radicais
dessas palavras.
D A capacidade humana de fazer generalizações deve ser vista mais como defeito do que como
qualidade.
E As decisões rápidas não podem ser tomadas se não tivermos indicações prévias de como agir.

18 Sobre a conjunção “mas”, empregada no trecho “Poderosa, mas falível” (L. 08), só NÃO é correto afirmar:

A Poderia ser substituída pela locução “se bem que”.
B Estabelece uma relação de sentido semelhante à do conectivo “todavia”.
C Subordina dois adjetivos, pressupondo uma relação de causa e consequência.
D Liga dois adjetivos, compondo com eles uma frase nominal.
E Está adequada ao contexto, tendo em vista a oposição semântica que ele apresenta.

19 Zeugma é um caso especial de elipse que consiste na omissão de um termo expresso anteriormente. Esse recurso foi usado de forma inadequada para o sujeito da seguinte frase do texto:

A “que receberiam em estabelecimentos comerciais cariocas” (L. 02 e 03).
B “e em boa parte das vezes nem sequer foi atendido” (L. 04 e 05).
C “teríamos dificuldade para fazer coisas simples” (L. 10).
D “ sem ter uma indicação” (L. 11).
E “ao criar suas línguas” (L. 13).

Textos para as questões de 20 a 22

CAPÍTULO PRIMEIRO

Rubião fitava a enseada, — eram oito horas da manhã. Quem o visse, com os polegares metidos no cordão do chambre, à janela de uma grande casa de Botafogo, cuidaria que ele admirava aquele pedaço de água quieta; mas, em verdade, vos digo que pensava em outra coisa. Cotejava o passado com o presente. Que era, há um ano? Professor. Que é agora? Capitalista. Olha para si, para as chinelas (umas chinelas de Túnis, que lhe deu recente amigo, Cristiano Palha), para a casa, para o jardim, para a enseada, para os morros e para o céu; e tudo, desde as chinelas até o céu, tudo entra na mesma sensação de propriedade.
— Vejam como Deus escreve direito por linhas tortas, pensa ele. Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba, apenas me daria uma esperança colateral. Não casou; ambos morreram, e aqui está tudo comigo; de modo que o que parecia uma desgraça...

Machado de Assis, Quincas Borba, in: Obra Completa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994

20 O verbo “cuidar” foi empregado no texto (“cuidaria” – L. 2) com a mesma acepção que na seguinte frase:

A Por ser inconsequente, não cuidava ser o projeto tão árduo.
B Apesar de ser criança, sabia se cuidar como ninguém.
C Ainda não tivera tempo de cuidar da forma de chegar lá.
D Em meio à crise, todos devem se cuidar.
E Todos os moradores cuidavam da vila com dedicação.

21 No trecho “Se mana Piedade tem casado com Quincas Borba” (L. 08 e 09), o verbo constitui

A um tempo verbal que caiu em desuso na norma-padrão do português atual.
B uma forma linguística criada pelo autor para simular a linguagem coloquial.
C uma forma verbal que indica um fato futuro em relação a outro também futuro.
D um tempo do modo indicativo, empregado em lugar de outro do subjuntivo.
E um tempo composto que serve como variante do presente do indicativo.

22 Entre os temas propostos ou suscitados pelo texto, é objeto das cogitações da filosofia de “Humanitas” (ou do célebre “Humanitismo”, que já aparecia nas Memórias póstumas de Brás Cubas), formulada por Quincas Borba, a ideia de que

A a meditação contemplativa é a chave da correta compreensão do mundo.
B todo poder corrompe, e o poder econômico corrompe absolutamente.
C tanto o entendimento do presente quanto a projeção do futuro dependem da incorporação historicista do passado.
D Deus é abscôndito, e seus desígnios são insondáveis, mormente para o reduzido alcance da razão humana.
E as desgraças são apenas aparentes, na medida em que a eliminação de uma vida é a condição do florescimento de outra.

23 Considere a seguinte relação de momentos da história social e política do Brasil, para, em seguida, responder ao que se pede:

I Proclamação da Independência e domínio de uma oligarquia segura de si, baseada na escravidão.
II Desenvolvimento de uma nova classe comercial, ligada ao capital internacional.
III Proclamação da República e carência de transformação social efetiva.
IV Abolição da escravatura e abandono dos ex-escravos à sua própria sorte.

Esses eventos e aspectos históricos marcam, sobretudo, respectivamente, as histórias contadas nos seguintes romances de Machado de Assis:

A Quincas Borba, Dom Casmurro, Memorial de Aires e Esaú e Jacó.
B Dom Casmurro, Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Esaú e Jacó.
C Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Esaú e Jacó e Memorial de Aires.
D Dom Casmurro, Esaú e Jacó, Memórias póstumas de Brás Cubas e Memorial de Aires.
E Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e Esaú e Jacó.

Texto para as questões 24 e 25

Leia a posteridade, ó pátrio Rio,
Em meus versos teu nome celebrado;
Por que vejas uma hora despertado
O sono vil do esquecimento frio:

Não vês nas tuas margens o sombrio,
Fresco assento de um álamo copado;
Não vês ninfa cantar, pastar o gado
Na tarde clara do calmoso estio.

Turvo banhando as pálidas areias
Nas porções do riquíssimo tesouro
O vasto campo da ambição recreias.

Que de seus raios o planeta louro
Enriquecendo o influxo em tuas veias,
Quanto em chamas fecunda, brota em ouro.

Cláudio Manuel da Costa, Obras.

24 Para a correta compreensão do poema, é necessário saber que o sujeito de “Leia” (verso 1) é

A “a posteridade”.
B “ó pátrio rio”.
C “teu nome celebrado”.
D elíptico, subentendendo a figura do leitor.
E indeterminado, pois não se sabe a quem se dirige o poeta.

25 Considere as seguintes informações sobre o texto:

Nesse poema, manifestam-se as fusões entre
I o reconhecimento da matriz marcadamente europeia do imaginário arcádico e a tentativa de sua transplantação para o Novo Mundo;
II o propósito nativista de louvar a própria terra e a percepção do caráter coisificado de sua condição colonial;
III configurações formais de ordem cultista e a utilização de elementos composicionais já mais típicos da poesia neoclássica.

Está correto o que se afirma em

A I, somente.
B I e II, somente.
C I e III, somente.
D II e III, somente.
E I, II e III.

Texto para as questões 26 e 27

Como sempre acontece a quem tem muito onde escolher, o pequeno, a quem o padrinho queria fazer clérigo mandando-o a Coimbra, a quem a madrinha queria fazer artista metendo-o na Conceição, a quem D. Maria queria fazer rábula arranjando-o em algum cartório, e a quem enfim cada conhecido ou amigo queria dar um destino que julgava mais conveniente às inclinações que nele descobria, o pequeno, dizemos, tendo tantas coisas boas, escolheu a pior possível: nem foi para Coimbra, nem para a Conceição, nem para cartório algum; não fez nenhuma destas coisas, nem também outra qualquer: constituiu-se um completo vadio, vadio-mestre,vadio-tipo.

Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.

26 A repetição constitui um recurso expressivo marcante na construção desse texto. Dos seguintes elementos linguísticos, o único que NÃO é empregado de forma reiterada no excerto é:

A substantivos com a mesma função sintática.
B verbos no pretérito.
C estruturas frasais semelhantes.
D pronomes com função de complemento.
E adjetivos com conotação subjetiva.

27 Ao constituir-se “vadio”, Leonardo (filho)

A seguia o exemplo do pai, assim fazendo jus ao dito popular que rege o livro: “quem sai aos seus não degenera”.
B arriscava-se a recair na condição de “escravo de ganho”, conforme previa, para a vadiagem, a Instrução Régia vigente na época.
C assumia o destino que lhe era ditado por sua condição de mestiço, de acordo com a regra do determinismo racial.
D tornava-se representativo de boa parcela dos homens livres, no Rio de Janeiro escravista de sua época.
E sofria as consequências de sua situação de criança abandonada pelos pais, e criada, com indiferença, em casa de terceiros.

28 Em relação a Macunaíma, de Mário de Andrade – obra central do Modernismo e da literatura brasileira – só NÃO é correto afirmar que

A se trata de livro bastante autoral, ao mesmo tempo que constituído pelo agenciamento de materiais heteróclitos.
B sua personagem principal deriva de um mito indígena, colhido pelo autor na obra de um pesquisador estrangeiro.
C comporta a narrativa da busca de um objeto mágico, no que se assemelha, entre outras, a certas narrativas medievais de mesmo teor.
D a crítica à preguiça do herói é proporcional ao apreço do autor pelo trabalho firme e produtivo.
E conjuga, em sua composição, um tom solene, de lenda, o registro satírico e procedimentos paródicos.

Texto para as questões 29 e 30

Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca:

de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara.

***

Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre:

que reduz tudo ao espinhaço,
cresta o simplesmente folhagem,
folha prolixa, folharada,
onde possa esconder-se a fraude.

***
João Cabral de Melo Neto
29 O poema (aqui reproduzido sem o título e apenas parcialmente) elenca aspectos marcantes da obra de um escritor brasileiro, cujo nome corresponde ao próprio título do texto. Deduz-se corretamente, da leitura do excerto, que se trata de

A Euclides da Cunha.
B Graciliano Ramos.
C José Lins do Rego.
D Jorge Amado.
E João Guimarães Rosa.

30 Além de referir-se, já desde o título, a um outro escritor, o poema de João Cabral de Melo Neto contém, igualmente, elementos muito representativos da obra e, em particular, das preferências do próprio autor, dos quais são exemplos bastante marcados predominantemente as expressões

A “faca” e “lâmina”.
B “crosta viscosa” e “janta abaianada”.
C “janta abaianada” e “vinagre”.
D “sol” e “folhagem”.
E “folha prolixa” e “fraude”.

GABARITO

16 – C   17 – B   18 – C   19 – B   20 – A   21 – D   22 – E   23 – C  
24 – A   25 – E   26 – E   27 – D   28 – D   29 – B   30 – A

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