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domingo, 30 de novembro de 2014

TEMA DE REDAÇÃO – FATEC 2013 – 2º Semestre

Tema de Redação – FATEC 2013 – 2º Semestre
Leia os textos a seguir.

Texto 1

Inveja barra candidata bonita, diz estudo

            A beleza pode ser um inimigo na hora de procurar emprego.
            Essa é a conclusão de um estudo de dois pesquisadores israelenses, que ficaram surpresos ao descobrir que mulheres atraentes que incluem fotos no currículo têm menos chances de ser selecionadas.
            Contrariando o senso comum de que a beleza é uma alavanca social infalível, o estudo mostrou que pode ser uma desvantagem para candidatas a uma entrevista.
            A extensa pesquisa (realizada por Zeev Shtudiner e Bradley Ruffle), cujo objetivo era testar estudos que apontam a boa aparência como um fator certeiro de ascensão, identificou que o motivo principal por trás da rejeição é demasiado humano: a inveja.
            Ocorre que mulheres costumam ser maioria na área de recursos humanos, e a pesquisa comprovou que, em 93% dos casos, a triagem dos candidatos era feita por mulheres, as quais engavetaram os currículos das mulheres atraentes.
            Shtudiner e Ruffle mandaram 5.312 currículos fictícios para 2.656 vagas reais de emprego. Para cada vaga foram enviados dois currículos idênticos, um com foto, outro sem. Os currículos de mulheres com aparência comum tiveram duas vezes mais convites para entrevistas que as bonitas.

(Marcelo Ninio, Folha de S. Paulo, 13.05.2012. Adaptado)

Texto 2

No Brasil, beleza ainda abre portas, dizem especialistas

            A máxima de que beleza abre portas, pelo menos no Brasil, continua em pleno vigor. Especialistas em recursos humanos afirmam que a boa aparência é um aspecto valorizado não apenas na seleção inicial, mas em promoções e avaliações internas dentro das empresas. Ou seja: ao menos no mercado de trabalho, os bonitos levam vantagem.
            Segundo Silvia Gerson, consultora de RH, candidatas bonitas costumam sobressair-se, aos olhos dos avaliadores, em relação a outras menos atraentes.
            Nas seleções entre candidatos do sexo masculino, porém, não é tão comum que isso aconteça. “É um sinal claro de que o fator beleza é mais determinante para a mulher do que para o homem.”

(Marianna Aragão, Folha de S. Paulo, 13.05.2012. Adaptado)

Reflita sobre as informações dos textos e redija um texto dissertativo sobre o tema:

Boa aparência: critério justo ou injusto para a contratação de profissionais.

Instruções:

1. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para sustentar suas ideias e pontos de vista.
2. Não copie o texto dado.
3. Empregue em seu texto apenas a variedade culta da língua portuguesa.
4. Não redija o texto em versos.
5. Organize seu texto em parágrafos.
6. Dê um título a seu texto.
7. A versão definitiva da redação deve ser apresentada em folha específica e a tinta.

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Leia também:

Texto: "A última vez" - Fabrício Carpinejar

A última vez

           Se já é difícil dar adeus quando não se ama, imagina quando se ama.
           Não é simples colocar um marcador de página numa história de amor e abandonar a leitura.
            Reconhecer que jamais terminaremos aquele romance. Não haverá recompensa por aquilo que se leu até ali. Ninguém nos contará o que aconteceu. 
"The Long Goodbye". Daniel Del Orfano.
        Não participaremos do final feliz: os filhos, a velhice lado a lado, a casa cheia de netos. Não estaremos juntos na derradeira linha. É morrer sem ter morrido. É desaparecer estando onipresente.
      O livro de sua imaginação ficará fechado para sempre. A relação terminou antes do fim do amor. O leitor terminou antes da obra. Não descobriremos qual será o desfecho.
    Não queira viver o dia de uma despedida com a consciência de que é uma despedida.
    É uma cirurgia sem anestesia. Será cortado, será remexido por dentro, será costurado, sentindo cada pontada e rasgo, antecipando cada movimento com os olhos abertos. A pele vai doer como um osso, a sensibilidade pedirá piedade, o ouvido apanhará qualquer frase como uma possível sentença salvadora.
   Melhor que a despedida seja involuntária, desconhecida, desavisada. Melhor que seja abrupta, de repente, improvisada.
       Pois se despedir é sofrer com tudo que lhe tornava feliz. É abrir os braços para a mágoa como se viesse uma alegria em nossa direção.
       É um esforço para decorar o estranho momento em que abandonaremos uma vida tão desejada.
     O nós é a primeira partilha – o plural perderá seu domínio. Voltará a chamar a pessoa que ama pelo nome, como se não a conhecesse. Não mais de Meu Amor. Não mais de Minha Paixão.
      É entrar pelo quarto pela última vez, e ter noção de que será a última vez.
      É olhar pela régua que mantém a janela aberta da cozinha pela última vez, e ter noção de que será a última vez.
        É abrir o guarda-roupa pela última vez, reconhecer o estalo da divisória de madeira, e ter noção de que será a última vez.
         É fechar o registro do chuveiro pingando pela última vez, e ter noção de que será a última vez.
         É ajeitar as almofadas do sofá pela última vez, e ter noção de que será a última vez.
        É ouvir a respiração perto pela última vez, copiosa, irrefreável, e ter noção de que será a última vez.
         É abraçar pela última vez e não soltar porque é realmente a última vez.
         É beijar pela última vez e soluçar porque enfim chegou a inacreditável última vez.
         É uma coleção de instantes definitivos. Preciosos. Sábios.
         Despedir-se é guardar. Guardar é cuidar. Cuidar é nunca deixar de amar.
       Quem faz questão de se despedir, quem faz questão de inventar uma despedida, é quem ainda ama. Ama muito. Ama demais. Ama loucamente.

(Fabrício Carpinejar, 16.11.2014, crônica publicada no jornal Zero Hora)


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Tema de Redação - FUVEST - 2014

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Leia o seguinte extrato de uma reportagem do jornal inglês The Guardian, de 22 de janeiro de 2013, para em seguida atender ao que se pede:

            O ministro de finanças do Japão, Taro Aso, disse na segunda-feira (dia 21) que os velhos deveriam “apressar-se a morrer”, para aliviar a pressão que suas despesas médicas exercem sobre o Estado.
            “Deus nos livre de uma situação em que você é forçado a viver quando você quer morrer. Eu acordaria me sentindo cada vez pior se soubesse que o tratamento é todo pago pelo governo”, disse ele durante uma reunião do conselho nacional a respeito das reformas na seguridade social. “O problema não será resolvido, a menos que você permita que eles se apressem a morrer”.
            Os comentários de Aso são suscetíveis de causar ofensa no Japão, onde quase um quarto da população de 128 milhões tem mais de 60 anos. A proporção deve atingir 40% nos próximos 50 anos.
            Aso, de 72 anos de idade, que tem funções de vice-primeiro-ministro, disse que iria recusar os cuidados de fim de vida. “Eu não preciso desse tipo de atendimento”, declarou ele em comentários citados pela imprensa local, acrescentando que havia redigido uma nota instruindo sua família a negar-lhe tratamento médico para prolongar a vida.
            Para maior agravo, ele chamou de “pessoas-tubo” os pacientes idosos que já não conseguem se alimentar sozinhos. O ministério da saúde e do bem-estar, acrescentou, está “bem consciente de que custa várias dezenas de milhões de ienes” por mês o tratamento de um único doente em fase final de vida.
            Mais tarde, Aso tentou explicar seus comentários. Ele reconheceu que sua linguagem fora “inapropriada” em um fórum público e insistiu que expressara apenas sua preferência pessoal. “Eu disse o que eu, pessoalmente, penso, não o que o sistema de assistência médica a idosos deve ser”, declarou ele a jornalistas.
            Não foi a primeira vez que Aso, um dos mais ricos políticos do Japão, questionou o dever do Estado para com sua grande população idosa. Anteriormente, em um encontro de economistas, ele já dissera: “Por que eu deveria pagar por pessoas que apenas comem e bebem e não fazem nenhum esforço? Eu faço caminhadas todos os dias, além de muitas outras coisas, e estou pagando mais impostos”.

theguardian.com, Tuesday, 22 January 2013. Traduzido e adaptado.

            Considere as opiniões atribuídas ao referido político japonês, tendo em conta que elas possuem implicações éticas, culturais, sociais e econômicas capazes de suscitar questões de várias ordens: essas opiniões são tão raras ou isoladas quanto podem parecer? O que as motiva? O que elas dizem sobre as sociedades contemporâneas? Opiniões desse teor seriam possíveis no contexto brasileiro? Como as jovens gerações encaram os idosos?
            Escolhendo, entre os diversos aspectos do tema, os que você considerar mais relevantes, redija um texto em prosa, no qual você avalie as posições do citado ministro, supondo que esse texto se destine à publicação – seja em um jornal, uma revista ou em um site da internet.

Instruções:
- A redação deve ser uma dissertação, escrita de acordo com a norma-padrão da língua
portuguesa.
- Escreva, no mínimo, 20 linhas, com letra legível. Não ultrapasse o espaço de 34 linhas da folha de redação.
- Dê um título a sua redação.

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TEMAS DE REDAÇÃO – FUVEST – 1990 – 1995
Tema de Redação - UFRJ - 2011

Tema de Redação - FUVEST - 2013

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REDAÇÃO



            Esta é a reprodução (aqui, sem as marcas normais dos anunciantes, que foram substituídas por X) de um anúncio publicitário real, colhido em uma revista, publicada no ano de 2012.
       Como toda mensagem, esse anúncio, formado pela relação entre imagem e texto, carrega pressupostos e implicações: se o observarmos bem, veremos que ele expressa uma determinada mentalidade, projeta uma dada visão de mundo, manifesta uma certa escolha de valores e assim por diante.
           Redija uma dissertação em prosa, na qual você interprete e discuta a mensagem contida nesse anúncio, considerando os aspectos mencionados no parágrafo anterior e, se quiser, também outros aspectos que julgue relevantes. Procure argumentar de modo a deixar claro seu ponto de vista sobre o assunto.

Instruções:
- A redação deve obedecer à normaͲpadrão da língua portuguesa.
- Escreva, no mínimo, 20 e, no máximo, 30 linhas, com letra legível.
- Dê um título a sua redação.

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TEMAS DE REDAÇÃO – FUVEST – 1990 – 1995
Tema de Redação - UFRJ - 2011

Texto: "Café com leite" - Antonio Maria

Café com leite
  
         É preciso amar, sabe? Ter-se uma mulher a quem se chegue, como o barco fatigado à sua enseada de retorno. O corpo lasso e confortável, de noite, pede um cais. A mulher a quem se chega, exausto e, com a força do cansaço, dá-se o espiritualíssimo amor do corpo. 
"A new day". François Fressinier.
         Como deve ser triste a vida dos homens que têm mulheres de tarde, em apartamentos de chaves emprestadas, nos lençóis dos outros!  Como é possível deixar que a pele da amada toque os lençóis dos outros! Quem assim procede (o tom é bíblico e verdadeiro) divide a mulher com quem empresta as chaves.
         Para os chamados “grandes homens”, a mulher é sempre uma aventura. De tarde, sempre. Aquela mulher, que chega se desculpando; e se despe, desculpando-se; e se crispa, ao ser tocada, e cerra os olhos, com toda força, com todo desgosto, enquanto dura o compromisso. É melhor ser-se um “pequeno homem”.
         Amor não tem nada a ver com essas coisas. Amor não é de tarde, a não ser em alguns dias santos. Só é legítimo quando, depois, se pega no sono. E há um complemento venturoso, do qual alguns se descuidam. O café com leite, de manhã. O lento café com leite dos amantes, com a satisfação do dever cumprido.
         No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga, todo ascetismo da ioga... tudo é menor. O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira.

(Antonio Maria)

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"As duas éticas" – Rubem Alves
"A última vez" – Fabrício Carpinejar

Cláudio Manuel da Costa - Poemas

Cláudio Manuel da Costa - Poemas


Soneto XCVIII

Destes penhascos fez a natureza
O berço, em que nasci: oh! quem cuidara,
Que entre penhas tão duras se criara
Uma alma terna, um peito sem dureza!

Amor, que vence os tigres, por empresa
Tomou logo render-me; ele declara
Contra meu coração guerra tão rara,
Que não me foi bastante a fortaleza.

Por mais que eu mesmo conhecesse o dano,
A que dava ocasião minha brandura,
Nunca pude fugir ao cego engano:

Vós, que ostentais a condição mais dura,
Temei, penhas, temei: que Amor tirano
Onde há mais resistência, mais se apura.

(Cláudio Manuel da Costa)

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Waly Salomão – Poemas
"Café com leite" – Antonio Maria

Temas de redação - UFSC - 2004

Temas de redação - UFSC - 2004

Universidade Federal de Santa Catarina

INSTRUÇÕES


1. Confira o número e o nome do(a) candidato(a), o local, o setor, o grupo e a ordem indicados no cartão-resposta e transcreva-os nos campos abaixo. Assine no local indicado. 
2. Confira o número do(a) candidato(a), o local, o setor, o grupo e a ordem indicados na folha de redação, a qual NÃO deverá ser assinada.
3. Leia e observe atentamente as Propostas 1 e 2.
4. Escolha a Proposta que apresenta o tema sobre o qual você se sente mais bem preparado(a). 
5. Discorra sobre o tema escolhido, ilustrando seu texto com, pelo menos, uma das imagens apresentadas na proposta.
6. Evite copiar trechos dos textos apresentados.
7. Não escreva em versos.
8. Use linguagem clara e utilize a norma culta da língua portuguesa.
9. Não se esqueça de dar um título à sua redação.
10. Use caneta com tinta preta ou azul para fazer a redação.
11. Redija um texto que tenha, no mínimo, 20 (vinte) e, no máximo, 30 (trinta) linhas.
12. Escreva com letra legível e ocupe todo o espaço das linhas, respeitando os parágrafos.
13. Se preferir, escreva sua redação no rascunho e depois transcreva-a na folha de redação. 
14. Não serão corrigidas redações escritas a lápis, nem redações na folha de rascunho.

Proposta 1


preconceito. [De  pre  +  conceito.] S. m. 1. Conceito  ou opinião  formados  antecipadamente,  sem  maior  ponderação ou conhecimento dos fatos; idéia preconcebida.  2. Julgamento ou opinião formada sem se levar em conta o fato que  os  conteste: prejuízo. 3. P. ext. Superstição, crendice;  prejuízo. 4. P. ext. Suspeita, intolerância,  ódio irracional  ou  aversão  a  outras  raças,  credos, religiões, etc.: O preconceito racial é indigno do ser humano. preconceitual. [De preconceito + -ual.] Adj. 2 g. Que tem caráter de preconceito, ou é nele fundado.  preconceituoso. [De preconceito + -uoso] Adj. S.m. Que ou aquele que tem preconceito(s).

DICIONÁRIO AURÉLIO.  Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999, p. 1625.


“A idade não importa para a gente. Um dia a coisa vai pesar, mas, por enquanto, nenhum de nós liga para isso”.

Marília Gabriela em entrevista na televisão, em 15/09/2002, sobre Gianecchini.



Barbosa Gomes, empossado em 2003, é o primeiro juiz negro no Supremo Tribunal Federal.


Proposta 2

 



mito. [Do gr. mythos ‘fábula’, pelo lat. mythu.] S.m1. Narrativa dos tempos fabulosos ou heróicos. 2. Narrativa na qual aparecem seres e acontecimentos imaginários, que simbolizam forças da natureza, aspectos da vida humana, etc. 3. Representação de fatos ou personagens reais, exagerada pela imaginação popular, pela tradição, etc. 4. Pessoa ou fato assim representado ou concebido: Para muitos, Rui Barbosa é um mito. [Sin. (relativo a pessoa), nesta acepç.: monstro sagrado (q.v.).] 5. Ideia falsa, sem correspondente na realidade: As dívidas surgidas no inventário demonstram que a sua fortuna era um mito. (...)

DICIONÁRIO AURÉLIO. Rio de Janeiro:  Nova Fronteira, 1999, p. 1347.

 
CARAS.  no 36, set. 1997.
MANCHETE. Edição Histórica. Rio de Janeiro: Editora Bloch, maio 1994.


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Temas de redação - UFSC - 2003

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Universidade Federal de Santa Catarina

Proposta 1

A capa da Super deste mês é, sem dúvida, a melhor que eu já vi (INOCÊNCIA ROUBADA, MAIO, PÁG. 38). A boca manchada de batom, as sobrancelhas disformes e, principalmente, os olhos arregalados passam aflição e medo únicos.

(Welton Waldir, Maringá, PR)

A pedofilia pode até ser uma doença. Mas o pedófilo deve ser punido de acordo com as leis, pois ele também é um criminoso.

(Marcelo de Negreiros, Natal, RN)



Proposta 2


O corpo tem alguém como recheio
Arnaldo Antunes, tema para o grupo “Corpo” em 2000.

      O cuidado de si volta-se para a produção da aparência, segundo a crença já muito difundida de que a qualidade do invólucro muscular, a textura da pele e a cor dos cabelos revelam o grau de sucesso de seus “proprietários”. Numa praia carioca, escreve Stéphane Malysse, as pessoas parecem “cobertas por um sobrecorpo, como uma vestimenta muscular usada sob a pele fina e esticada...”
       São corpos em permanente produtividade, que trabalham a forma física ao mesmo tempo em que exibem os resultados entre os passantes. São corpos-mensagem, que falam pelos sujeitos. O rapaz “sarado”, a loira siliconada, a perna musculosa ostentam seus corpos como se fossem aqueles cartazes que os homens sanduíches carregam nas ruas do centro da cidade. “Compra-se ouro”. “Vendem-se cartões telefônicos”. “Belo espécime humano em exposição”.
      A cultura do corpo não é a cultura da saúde, como quer parecer. É a produção de um sistema fechado, tóxico, claustrofóbico. Nesse caldo de cultura insalubre, desenvolvem-se os sintomas sociais da drogadição (incluindo o abuso de hormônios e anabolizantes), da violência e da depressão. Sinais claros de que a vida, fechada diante do espelho, fica perigosamente vazia e sem sentido.

(KEHL, Maria Rita. Psicanalista e ensaísta, em artigo publicado na Folha de São Paulo, 30 de junho de 2002, Caderno Mais.)


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Tema de Redação - UFRJ - 2011

domingo, 9 de novembro de 2014

Texto: "Tintim" – Luís Fernando Verissimo

Tintim

        Durante alguns anos, o tintim me intrigou. Tintim por tintim: o que queria dizer aquilo? Imaginei que fosse alguma misteriosa medida de outros tempos que sobrevivera ao sistema métrico, como a braça, a légua, etc. Outro mistério era o triz. Qual a exata definição de um triz? É uma subdivisão de tempo ou de espaço. As coisas deixam de acontecer por um triz, por uma fração de segundo ou de milímetro. Mas que fração? O triz talvez correspondesse a meio tintim, ou o tintim a um décimo de triz. Tanto o tintim quanto o triz pertenceriam ao obscuro mundo das microcoisas. Há quem diga que não existe uma fração mínima de matéria, que tudo pode ser dividido e subdividido. Assim como existe o infinito para fora — isto é, o espaço sem fim, depois que o Universo acaba — existiria o infinito para dentro. A menor fração da menor partícula do último átomo ainda seria formada por dois trizes, e cada triz por dois tintins, e cada tintim por dois trizes, e assim por diante, até a loucura. 
"Orelhas sobre a mesa". Ismael Nery.
          Descobri, finalmente, o que significa tintim. É verdade que, se tivesse me dado o trabalho de olhar no dicionário mais cedo, minha ignorância não teria durado tanto. Mas o óbvio, às vezes, é a última coisa que nos ocorre. Está no Aurelião. Tintim, vocábulo onomatopaico que evoca o tinido das moedas. Originalmente, portanto, "tintim por tintim" indicava um pagamento feito minuciosamente, moeda por moeda. Isso no tempo
em que as moedas, no Brasil, tiniam, ao contrário de hoje, quando são feitas de papelão e se chocam sem ruído.
        Numa investigação feita hoje da corrupção no país tintim por tintim ficaríamos tinindo sem parar e chegaríamos a uma nova concepção de infinito.
          Tintim por tintim. A menina muito dada namoraria sim-sim por sim-sim. O gordo incontrolável progrediria pela vida quindim por quindim. O telespectador habitual viveria plim-plim por plim-plim. E você e eu vamos ganhando nosso salário tin por tin (olha aí, a inflação já levou dois tins). Resolvido o mistério do tintim, que não é uma subdivisão nem de tempo nem de espaço nem de matéria, resta o triz. O Aurelião não nos ajuda. "Triz", diz ele, significa por pouco. Sim, mas que pouco? Queremos algarismos, vírgulas, zeros, definições para "triz". Substantivo feminino. Popular. "Icterícia." Triz quer dizer icterícia. Ou teremos que mudar todas as nossas teorias sobre o Universo ou teremos que mudar de assunto. Acho melhor mudar de assunto. O Universo já tem problemas demais.

(Luís Fernando Verissimo, in "Comédias para se ler na escola")

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Tema de Redação - UFRJ - 2011

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Redação

Considerando a pergunta “O que há de errado com a felicidade?”, bem como os fragmentos e o poema a seguir, redija um texto dissertativo-argumentativo em que você problematize os parâmetros de felicidade no cenário contemporâneo e defenda suas reflexões.

Texto 1:

“(...) Dispomos de um número incessantemente aumentado de objetos e de lazeres: não se vê a
sociedade mais radiante por isso. Consome-se três vezes mais energia que nos anos 1960: a quem faremos crer que somos três vezes mais felizes? A ideia é justa: o Produto Interno Bruto não é a Felicidade Nacional Bruta, a vida boa não pode ser confundida com o avanço consumista. (...)”

(LIPOVETSKY, Gilles. Trad. Maria Lucia Machado. A felicidade paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo. São Paulo: Cia. das Letras. 2009.)

Texto 2:

Minha alegria

Minha alegria permanece eternidades soterrada
e só sobe para a superfície
através dos tubos de filtros alquímicos
e não da causalidade natural.
Ela é filha bastarda do desvio e da desgraça,
minha alegria:
um diamante gerado pela combustão,
como rescaldo final de incêndio.

(SALOMÃO, Waly. In: FERRAZ, Eucanaã. (org.) Veneno antimonotonia. Os melhores poemas e canções contra o tédio. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.)

Texto 3:

Certificação Riso 9000

“Toda empresa de sucesso e visão conhece a importância de garantir a qualidade de seus processos, produtos e serviços. Também já percebeu que é preciso cuidar bastante de quem faz tudo isso acontecer – é fundamental que o funcionário funcione sempre bem!
(...) atendendo a pedidos, os Doutores da Alegria criaram uma certificação inovadora: a Riso 9000, que atesta níveis saudáveis de alegria no local de trabalho. A alegria nas relações – com o trabalho, os colegas e até com as adversidades que vez ou outra insistem em acontecer – mantém a criatividade e a energia em alta, e de lambuja transforma o ambiente com a quebra positiva da rotina. (...)”

(http://www.doutoresdaalegria.org.br/nufo/criacoes_i_certifi cado.asp)

Texto 4:

“(...) o desequilíbrio leva a mudanças que levam ao surgimento de formas complexas que levam ao equilíbrio. Essa é a essência do ciclo de criação da Natureza: qualquer transformação é induzida por alguma imperfeição. (...)

(GLEISER, Marcelo. Criação imperfeita. Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza. Rio de Janeiro: Record, 2010).

ORIENTAÇÕES:

a) Evite copiar passagens dos textos ou dos fragmentos apresentados.
b) Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua.
c) Redija um texto de 25 a 30 linhas.
d) Atribua um título a seu texto.


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