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terça-feira, 28 de novembro de 2017

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2007 – 2º Semestre

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2007 – 2º Semestre

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 1 a 6.

A vírgula não foi feita para humilhar ninguém

Era Borjalino Ferraz e perdeu o primeiro emprego na Prefeitura de Macajuba por coisas de pontuação. Certa vez, o diretor do Serviço de Obras chamou o amanuense para uma conversa de fim de expediente. E aconselhativo:
- Seu Borjalino, tenha cuidado com as vírgulas. Desse jeito, o amigo acaba com o estoque e a comarca não tem dinheiro para comprar vírgulas novas.
Fez outros ofícios, semeou vírgulas empenadas por todos os lados e acabou despedido. Como era sujeito de brio, tomou aulas de gramática, de modo a colocar as vírgulas em seus devidos lugares. Estudou e progrediu. Mais do que isso, saiu das páginas da gramática escrevendo bonito, com rendilhados no estilo. Cravava vírgulas e crases como um ourives crava pedras. O que fazia o coletor federal Zozó Laranjeira apurar os óculos e dizer com orgulho:
- Não tem como o Borjalino para uma vírgula e mesmo para uma crase. Nem o presidente da República!
E assim, um porco-espinho de vírgulas e crases, Borjalino foi trabalhar, como escriturário, na Divisão de Rendas de São Miguel do Cupim. Ficou logo encarregado dos ofícios, não só por ter prática de escrever como pela fama de virgulista. Mas, com dois meses de caneta, era despedido. O encarregado das rendas, sujeito sem vírgulas e sem crase, foi franco:
- Seu Borjalino, sua competência é demais para repartição tão miúda. O amigo é um homem de instrução. É um dicionário. Quando o contribuinte recebe um ofício de sua lavra, cuida que é ordem de prisão. O Coronel Balduíno dos Santos quase teve um sopro no coração ao ler uma peça saída de sua caneta. Pensou que fosse ofensa, pelo que passou um telegrama desaforado ao Senhor Governador do Estado. Veja bem! O Senhor Governador.
E por colocar bem as vírgulas e citar Nabucodonosor em ofício de pequena corretagem, o esplêndido Borjalino foi colocado à disposição do olho da rua. Com uma citação no Diário Oficial e duas gramáticas debaixo do braço.

(CARVALHO, José Cândido de. Porque Lulu Bergantim não atravessou o Rubicon. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.)

1. A habilidade de Borjalino em pontuar corretamente um texto é expressa em:

(a) “Cravava vírgulas e crases como um ourives crava pedras.”
(b) “Era Borjalino Ferraz e perdeu o primeiro emprego na Prefeitura de Macajuba por coisas de pontuação.”
(c) “Quando o contribuinte recebe um ofício de sua lavra, cuida que é ordem de prisão.”
(d) “Fez outros ofícios, semeou vírgulas empenadas por todos os lados e acabou despedido.”
(e) “Desse jeito, o amigo acaba com o estoque e a comarca não tem dinheiro para comprar vírgulas novas.”

2. De acordo com o texto, pode-se afirmar que o motivo da segunda demissão de Borjalino foi:

(a) O conhecimento gramatical de que dispunha o funcionário era inferior à sua habilidade para redigir textos.
(b) Ele empregava termos inadequados ao estilo dos textos requeridos.
(c) O funcionário não era capacitado para escrever, por isso, não era compreendido pelos leitores menos cultos.
(d) A pontuação deficiente somada à sua incapacidade de redigir bons textos.
(e) Ele não sabia pontuar corretamente, embora se fizesse compreender plenamente.

3. “Pensou que fosse ofensa, pelo que passou um telegrama desaforado ao Senhor Governador do Estado.” O sentido do termo grifado repete-se em:

(a) “...Fez outros ofícios, semeou vírgulas empenadas por todos os lados e acabou despedido.”
(b) “...o diretor do Serviço de Obras chamou o amanuense para uma conversa de fim de expediente.”
(c) “Borjalino foi trabalhar, como escriturário, na Divisão de Rendas de São Miguel do Cupim.”
(d) “...perdeu o primeiro emprego na Prefeitura de Macajuba por coisas de pontuação.”
(e) “O Coronel Balduíno dos Santos quase teve um sopro no coração ao ler uma peça saída de sua caneta.”

4. “Eles, os pobres desesperados, tinham a euforia de fantoches.” A vírgula foi empregada pela mesma razão que na frase acima em:

(a) “Desse jeito, o amigo acaba com o estoque e a comarca não tem dinheiro para comprar vírgulas novas.”
(b) “Fez outros ofícios, semeou vírgulas empenadas por todos os lados e acabou despedido.”
(c) “Como era sujeito de brio, tomou aulas de gramática...”
(d) “Borjalino foi trabalhar, como escriturário, na Divisão de Rendas de São Miguel do Cupim.”
(e) “O encarregado das rendas, sujeito sem vírgulas e sem crase, foi franco...”

5. A crase foi empregada incorretamente em:

(a) Cravava vírgulas e crases à maneira de um ourives.
(b) Ao chegar à casa, Borjalino percebeu que seu esforço fora em vão.
(c) Agora o esplêndido funcionário estava à toa.
(d) Todos resistiam à sua erudição.
(e) Borjalino seguiu até à porta, abriu-a e saiu sem olhar para trás.

6. As orações grifadas nos períodos abaixo são, respectivamente:

“Como era sujeito de brio, tomou aulas de gramática...”,
“Cravava vírgulas e crases como um ourives crava pedras.”

(a) subordinada adverbial causal e subordinada adverbial comparativa.
(b) subordinada adverbial consecutiva e subordinada adverbial conformativa.
(c) subordinada adverbial consecutiva e subordinada adverbial causal.
(d) subordinada adverbial conformativa e subordinada adverbial consecutiva.
(e) subordinada adverbial comparativa e subordinada adverbial causal.

7. Álvares de Azevedo, autor do poema abaixo, é um dos principais representantes da segunda geração do Romantismo brasileiro. Levando-se em conta as características dessa geração e o texto ao lado, assinale a alternativa incorreta.

A LAGARTIXA

A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.

Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito...
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.

Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores.

Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha...
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.

(AZEVEDO, Álvares de. "Poesias completas")

(a) Esse poema ironiza e mesmo parodia as convenções da estética romântica.
(b) A caracterização do amante (“lagartixa”) e da amada (“clarão”, “sol”, “vinho”, “sono”, “copo”, “leito”, “néctar de amor”) cria uma atmosfera positiva, bem humorada, expressando a harmonia entre os amantes.
(c) A imagem da lagartixa, prosaica e esdrúxula, por contraste às imagens líricas,
gera estranheza e comicidade ao texto.
(d) A melancolia, o ar sombrio e fúnebre, marcas da poética da segunda geração
romântica, estão presentes no poema “A Lagartixa”.
(e) A pieguice amorosa, temática frequente na estética romântica, está ausente nesse
poema.

8. Levando-se em conta o emprego da crase no trecho “...não obedecia à minha mãe”, no último quadrinho da tirinha a seguir, é linguisticamente adequado afirmar que ela é

(O melhor de Hagar, o Horrível, Dick Brownw, L&PM)

(a) necessária, pois nela ocorre a fusão de preposição “a” com pronome demonstrativo “a” e está diante de palavra feminina.
(b) inadequada, uma vez que o verbo “obedecer” é transitivo direto e não admite preposição.
(c) facultativa, pois, embora complete um verbo transitivo indireto, com preposição obrigatória, está diante de um pronome possessivo feminino.
(d) obrigatória, por conter a junção da preposição “a” com artigo feminino “a” anteposta a um pronome.
(e) incorreta, porque, independentemente do fato de ocorrer a fusão de preposição com artigo, nunca ocorre crase diante de pronomes.

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 9 a 11.

Quando era obrigatório parecer feliz

Toda a sociedade extrai a matéria de seus sonhos de algum lugar. Durante anos, este lugar foi a Inglaterra, encarnada numa loura de olhar bovino. Lá, em junho de 1981, Lady Di se casava num conto de fadas. A cerimônia foi assistida por 1 milhão de espectadores. Em 1995, como qualquer plebeia, ela confidenciava a espectadores atônitos que seu casamento ia mal. Um ano depois se divorciava e, em 1997, numa noite em Paris, apagava-se. Morreu aos 36 anos, dos quais dezesseis foram vividos na telinha.
Para além do casamento real, a década de 80 assistiu a mudanças importantes. O comércio viveu um boom nunca visto. Só se falava em globalização financeira, enquanto McDonalds e outras marcas se difundiam planeta afora. Mas a mundialização foi também um "longe mais perto". A CNN foi criada em 1980. No campo dos comportamentos femininos, os sonhos igualmente se amplificavam: ganhar dinheiro, tornar-se uma estrela, ser bela e feliz eternamente. Mas sempre sem esforço. A agenda das mulheres cresceu: elas tinham que se mostrar plenas, bastar-se, tinham que "existir", enfim. Esta felicidade sob medida se encarnava na publicidade e na mídia. Nas sociedades industrializadas, ser feliz se tornou o "único bem supremo", diria Aristóteles. Uma tal sede de viver se exprimia num credo: "se dar prazer". A ditadura da felicidade a qualquer preço estigmatizava as infelizes.

Espírito do tempo

A princesa embarcou no seu tempo. Juntou a receita de ser feliz com a potência mobilizadora da telinha. Ela mais queria se dar a ver do que a conhecer. Por meio da televisão, ela dividia com todo o mundo as suas emoções. Mas por trás do olhar bovino ela também entendeu que ninguém nascia sedutora.
Não bastava ter um corpo e colocá-lo em ação. Era preciso transformá-lo num catálogo de signos. Ela usou todos os recursos -roupas, maquilagem, festas – para promover a fotogenia de sua sedução. Sua vida íntima se transformou num fundo de comércio: fotos na ginástica, gravações com amantes, intimidade devassada. Mas também se erigiu em campeã de filantropia audiovisual, lutando contra a Aids e a lepra ou contra as minas nos campos de Angola e da Bósnia.
A adúltera dava lugar à santa. Num jogo de montagens narcíssicas, ela celebrava a tal felicidade obrigatória. Mas os anos 80 embutiam um outro sucesso: o da depressão. Mais e mais esse sofrimento se tornava comum. E ela mergulhou no problema. Tornou-se bulímica. Tentou o suicídio. Enquanto isso, deixava a mídia resolver seus problemas de alcova. Famintos, os espectadores colhiam cada migalha deste misto de sonho e interdito. O fim de Diana, debaixo da ponte d'Alma, lhe permitiu um último recurso televisivo: uma missa universal transmitida por quarenta canais. Outros cultos se sucederam: peregrinação, flores no palácio de Kensington e, por que não, a fundação do "Diana Land". Detalhe: só 10% dos rendimentos desse mausoléu-museu se dirigem a obras de caridade.
Na era da sociedade de massas, a princesa de massas virou um produto no mercado de mitos. Mistura de Sissi traída, de Marilyn suicida e de James Dean, morto ao volante, Diana preencheu o papel de uma mulher presa nas armadilhas do seu tempo. Como só era boa em piano e esportes e não gostava de estudar, teve poucas chances de olhar com recuo para si mesma. Preferiu ser sonho a ser verdade. Na mesma época, morreu Teresa de Calcutá. Uma outra mulher do mesmo tempo, só que acima das religiões midiáticas. Alguém se lembra?

(MARY DEL PRIORE, in: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft0109200717.htm, acesso em 15/09/2007)

9. Considerando-se o seu conhecimento de mundo e as idéias do texto, pode-se inferir corretamente que

(a) As grandes conquistas femininas ocorreram na década de 80, e empresas norte-americanas como McDonalds e CNN foram as principais responsáveis por difundir as mudanças do comportamento das mulheres.
(b) Nas sociedades industrializadas, a mídia e a publicidade criaram fórmulas eficientes para “vender” a ideia de que a felicidade pode ser obtida sem grandes esforços.
(c) A autora critica o modo como a mídia transformou Lady Di em mito: valorizando apenas certos traços do comportamento da princesa, tais como a atuação em ações filantrópicas em detrimento de condutas imorais como a traição e a tentativa de suicídio.
(d) É possível identificar a orientação argumentativa do texto por meio da seleção lexical. Palavras e expressões como “olhar bovino”, “potência mobilizadora da telinha”, montagens narcíssicas” reforçam a ideia de que a princesa Diana tornou-se ícone de beleza, fama e fotogenia.
(e) Sissi, Marilyn Monroe e James Dean são mencionados no texto apenas porque, assim como a princesa Diana, morreram tragicamente no auge de suas carreiras e se eternizaram como símbolos de juventude, beleza, sucesso e felicidade.

10. Considere as afirmações abaixo. Está(ão) correta(s)

I – Em “... foi assistida por 1 milhão de espectadores”, ocorre uma transgressão à norma culta, uma vez que verbos transitivos indiretos (como é o caso de “assistir” no sentido de “ver”) não admitem voz passiva.
II – Números percentuais e fracionários exigem o verbo no singular, como nomes coletivos que são. Por isso, em “só 10% dos rendimentos desse mausoléu-museu se dirigem a obras de caridade”, há um erro de concordância verbal.
III – Na passagem “Era preciso transformá-lo num catálogo de signos”, o pronome pessoal oblíquo é objeto direto e refere-se à palavra “corpo”.

(a) I, II e III. (b) Apenas I. (c) Apenas II. (d) Apenas II e III. (e) Apenas I e III.

11. Assinale a alternativa que apresenta paráfrase adequada do trecho abaixo.

“Como só era boa em piano e esportes e não gostava de estudar, teve poucas chances de olhar com recuo para si mesma.”

(a) Embora tivesse poucas chances de olhar com recuo para si mesma, era boa em piano
e esportes e não gostava de estudar.
(b) Apesar de só ser boa em piano e esportes e de não gostar de estudar, teve poucas chances de olhar com recuo para si mesma.
(c) Teve poucas chances de olhar com recuo para si mesma, porque só era boa em piano e esportes e não gostava de estudar.
(d) Só era boa em piano e esportes e não gostava de estudar, portanto, teve poucas chances de olhar com recuo para si mesma.
(e) À medida que só era boa em piano e esportes e não gostava de estudar, teve poucas chances de olhar com recuo para si mesma.

12. Leia as sentenças abaixo. A alternativa cujas palavras, respectivamente, preenchem
corretamente as lacunas é

Ele considerou _________, na atual circunstância, as medidas que ela sugeria.
• ____________ soluções mais adequadas para a violência crescente em nossa cidade?
• Já _____ vários meses que a Lei Antissequestro está em discussão nos principais jornais do país.
• Peço enviar _______ a cópia do documento.

(a) inútil, haverá, faz, em anexo
(b) inúteis, haverão, faz, anexo
(c) inúteis, haverão, fazem, anexa
(d) inútil, haverá, fazem, anexa
(e) inúteis, haverá, faz, anexa

13. Considere as afirmações sobre a tirinha ao lado:

I. O humor da charge decorre da presença da ambiguidade intencional no título, uma vez que a palavra “folha” pode se referir à samambaia ou à contabilidade da empresa.
II. O recurso expressivo que produz efeito de humor é a utilização da expressão “preencher o espaço vazio”, interpretada de modo inusitado pelo chefe.
III. Embora o uso do pronome oblíquo átono em posição inicial no período seja condenado pela gramática tradicional portuguesa, é de uso consagrado oralmente
no Brasil, como pode ser verificado pela fala do funcionário na charge.
IV. Se o funcionário optasse pelo tratamento “Vossa Senhoria” em vez de “senhor”, o verbo deveria ser alterado para “ireis preencher”.

(http://www2.uol.com.br/angeli)

Está(ão) correta(s)

(a) I, II, III e IV.
(b) Apenas I e II.
(c) Apenas III e IV.
(d) Apenas II e III.
(e) Apenas I e IV.

Utilize o texto abaixo para responder aos testes 14 e 15.

VIRGÍLIA?

VIRGÍLIA? Mas então era a mesma senhora que alguns anos depois? ... A mesma; era justamente a senhora, que em 1869 devia assistir aos meus últimos dias, e que antes, muito antes, teve larga parte nas minhas mais íntimas sensações. Naquele tempo contava apenas uns quinze ou dezesseis anos; era talvez a mais atrevida criatura da nossa raça, e, com certeza, a mais voluntariosa. Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, entre as mocinhas do tempo, porque isto não é romance, em que o  autor sobredoura a realidade e fecha os olhos às sardas e espinhas; mas também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não. Era bonita, fresca, saía das mãos da natureza, cheia daquele feitiço, precário e eterno, que o indivíduo passa a outro indivíduo, para os fins secretos da criação. Era isto Virgília, e era clara, muito clara, faceira, ignorante, pueril, cheia de uns ímpetos misteriosos; muita preguiça e alguma devoção, – devoção, ou talvez medo; creio que medo.
Aí tem o leitor, em poucas linhas, o retrato físico e moral da pessoa que devia influir mais tarde na minha vida e era aquilo com dezesseis anos. Tu que me lês, se ainda fores viva, quando estas páginas vierem à luz, – tu que me lês, Virgília amada, não reparas na diferença entre a linguagem de hoje e a que primeiro empreguei quando te vi? Crê que era tão sincero então como agora; a morte não me tornou rabugento, nem injusto.
Mas, dirás tu, como é que podes assim discernir a verdade daquele tempo, e exprimi-la depois de tantos anos?
Ah! indiscreta! ah! ignorantona! Mas é isso mesmo que nos faz senhores da Terra, é esse poder de restaurar o passado, para tocar a instabilidade das nossas impressões e a vaidade dos nossos afetos. Deixa lá dizer Pascal que o homem é um caniço pensante. Não é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.

(ASSIS, Machado. Memórias Póstumas de Brás Cubas, 2 ed., São Paulo: FTD, 1992, p. 66-67. (Capítulo XXVII).)

14. A respeito desse trecho do romance de Machado de Assis, pode-se afirmar que

(a) A descrição física e moral de Virgília feita pelo narrador em passagens como “muita preguiça e alguma devoção, - devoção ou talvez medo” se enquadra em um perfil tipicamente realista, apresentando comportamentos que fogem à idealização romântica da amada.
(b) Observa-se que o narrador onisciente destaca a análise psicológica das personagens e, a partir do comportamento delas, retrata a sociedade da época com isenção de crítica.
(c) Embora seja uma obra tipicamente realista, nesse capítulo, o narrador apresenta o perfil das heroínas românticas, dotadas de traços físicos e morais encantadores, como “bonita”, “fresca”, “muito clara” e “cheia de uns ímpetos misteriosos”.
(d) Carregado de efeitos de humor, esse capítulo apresenta um otimismo incomum na obra machadiana, já que o narrador revela sua esperança na raça humana, como pode ser comprovado na passagem: “cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes”.
(e) O narrador explicita que pretende manter um compromisso com a verdade ao retratar fielmente a realidade dos fatos.

15. Observe o emprego do pronome oblíquo lhe em:

“Não digo que já lhe coubesse a primazia da beleza, também não digo que lhe maculasse o rosto nenhuma sarda ou espinha, não.”

Assinale a alternativa correta.

(a) Na primeira ocorrência, o lhe exerce a função de objeto direto; na segunda, de complemento nominal.
(b) Em ambas as ocorrências, o lhe apresenta o mesmo comportamento sintático, expressando relação de posse.
(c) Na segunda ocorrência, o lhe refere-se ao substantivo “rosto” e expressa relação de posse.
(d) Em ambas as ocorrências, o lhe exerce a função sintática de objeto indireto, pois se referem aos verbos.
(e) Em ambas as ocorrências, o lhe apresenta a função sintática de complemento nominal.

GABARITO – EXERCÍCIOS DE VOCABULÁRIO - 4

GABARITO – EXERCÍCIOS DE VOCABULÁRIO - 4

1.  Petrobras alega que os vencimentos médios de seus empregados subiram mais (62% de 2003 a 2007) do que os da diretoria. A ESTATAL diz ainda que os salários pagos pela iniciativa privada a seus gerentes são bem mais elevados e que os reajustes visam reter talentos e impedir a migração para outras empresas.Folha de São Paulo, 26/06/2009
2. A osteoporose, condição na qual a densidade dos ossos fica menor, deixando a pessoa mais SUSCETÍVEL a fraturas, é um problema comum em mulheres após a menopausa. Folha de São Paulo, 16/08/2009
3. À direita de Frodo estava um anão de aparência importante, luxuosamente vestido. A barba, muito comprida e em forma de forquilha, era branca, quase tão branca quanto o branco NÍVEO de suas roupas.
4. Na maioria dos países, "à primeira vista, os dados parecem indicar que este novo vírus é relativamente BRANDO, com taxas de fatalidade por volta de 0,5%, similares aos da faixa superior daquela causada pela gripe sazonal", afirmaram os especialistas em bacteriologia. Folha de São Paulo, 15/07/2009
5. Islamabad protesta contra os ataques por considerá-los uma violação de sua soberania. Mas especialistas afirmam que o discurso é apenas RETÓRICA, já que, nos bastidores, o Paquistão cobra este tipo de apoio dos EUA no combate aos terroristas do país. Folha de São Paulo, 07/07/2009
6. Os cariocas já despertaram do sonho da vitória olímpica, mas continuam sonhando. Agora, com a METAMORFOSE que o Rio vai sofrer antes dos jogos de 2016. Que todo o Brasil sente a vitória como sua o demonstra o fato de que todos os seus cidadãos tem um desejo concreto para a cidade mais sorridente do país. Folha de São Paulo, 05/10/2009
7. O comando da PM de São Paulo criou um grupo para estudar a possibilidade de DESVINCULAR de seus quadros o efetivo do Corpo de Bombeiros.
8. A inveja é um vício mesquinho e SÓRDIDO: o vício do condenado que reclama porque o seu companheiro de prisão recebeu uma ração de sopa maior.
9. Mais do que usar máscaras e luvas ou manter os doentes em quarentena, a INTERVENÇÃO mais eficaz para reduzir a disseminação de doenças respiratórias é manter as mãos das crianças bem limpas. Folha de São Paulo, 26/06/2009
10. Dispostos pelo andar térreo, mobiliários, objetos e ambientes criados pelo designer fazem uma SÍNTESE de sua trajetória. Folha de São Paulo, 02/08/2009
11.  Desrespeitando o PROTOCOLO real, a primeira-dama não usou chapéu durante o encontro com a Rainha Elisabeth.
12. A tragédia ocorreu na noite desta sexta-feira em Pulmedu, uma isolada região florestosa e montanhosa, com baixo nível de segurança, e situada a poucos quilômetros do templo de Sabarimala, dedicado à DEIDADE de Ayyappan, informou uma fonte da polícia do Estado de Kerala. Folha de São Paulo, 15/01/2011
13. Com base na filosofia educacional Waldorf/Rudolf Steiner, que segue a PREMISSA de que as crianças passam por estágios específicos em que há uma propensão para aprender de certa maneira, o título apresenta brincadeiras divertidas e imaginativas que ajudam no desenvolvimento dos bebês de três meses a dois anos. 
14. A SUBJETIVIDADE é o conceito que norteia a edição deste ano do Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (SP), um dos maiores do país. Nesse cenário, um diretor que busca reencontrar o autor em si próprio, como Moacyr Góes, 49, é bem-vindo. Folha de São Paulo, 21/07/2009
15. O esquilo Scrat, que é uma atração à parte na telona, graças ao seu jeito ATARANTADO, continua em busca de sua preciosa noz no game, mas agora também divide a sua atenção com uma possível namorada.
16. Por meio do PROUNI, o governo vai SUBSIDIAR integralmente o curso de gradução de milhares de alunos.
17. Segundo River, Guadalajara não apenas é o primeiro desafio da sua turma, como serviu de projeto-modelo para o escritório: "O que fizemos nos projetos para o Pan vai PERMEAR todo o COB". Folha de São Paulo, 14/09/2011
18. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, considerava Michael Jackson um ÍCONE da música mas lembrou que alguns aspectos de sua vida eram tristes e trágicos, declarou nesta sexta-feira (26) seu porta-voz, Robert Gibbs. 
19. A filosofia MARXISTA parte do princípio de que o caráter geral dos processos da vida social é fundamentalmente determinado pelo modo de produção da vida material.
20. Depois de passar as primeiras nove rodadas do Brasileiro se poupando para PRIORIZAR o mata-mata da Libertadores, o Corinthians começa agora a sentir os efeitos de uma disputa num campeonato de pontos corridos.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2006 – 2º Semestre

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2006 – 2º Semestre

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 1 a 3.

O fim da temida crase

Finalmente estaremos livres da crase. Ela será extirpada, cancelada, deletada, ejetada, expulsa por lei. O que tranquiliza aqueles que sofrem com a crase pois agora terão o amparo da lei. Porque o deputado João Hermann Neto elaborou o projeto de lei 5.154 acabando com a crase, é o que leio na revista Língua Portuguesa, que está no segundo número, mas que eu não conhecia, deve ter ficado sufocada nas milhares de publicações que assolam as bancas. Claro que Língua fica escondida, para dar lugar a coisas como Caras, que é fundamental a (tem crase aqui?) informação, ao conhecimento, a (tem crase aqui?) sociologia e ao entendimento da mente humana.
O deputado Hermann, preocupado com o bem escrever, decidiu contribuir para a evolução da gramática, começando por extirpar a crase que tantas dores de cabeça dá. O curioso é que a luta contra a crase não partiu da Academia Brasileira de Letras, a (tem crase aqui?) quem caberia a iniciativa, porque se imagina que a ABL entre outras coisas deva cuidar da língua.
Também não partiu dos gramáticos, os homens que normalizam as questões fundamentais, permitindo que o português continue correto, íntegro, bem escrito e bem falado. Nada a ver com Maria Helena de Moura Neves ou com o Evanildo Bechara, que dedicaram suas vidas a (tem crase aqui?) nossa língua. Nem mesmo com o popular Pasquale Cipro.
Achando que eles são incompetentes, transferiu-se a tarefa da mudança gramatical para as (tem crase aqui?) Câmaras Legislativas, conhecidas popularmente como Câmaras do Cambalacho. Sabemos todos que os deputados têm a respeito deles mesmos outra imagem.
Para eles, não existe em nossas Câmaras, sejam municipais, estaduais, federais, o mínimo resquício de ignorância. Não e não! São pessoas doutas, preocupadas com as leis e o cumprimento das leis, desde que sejam os outros que as cumpram, não eles. Quando olhamos os debates, a transmissão das CPIS, os resultados das investigações, as devassas, percebemos que os deputados estão atentos as (crase?) leis, desde que não sejam atingidos por elas.
Assim como não precisam se preocupar com o caixa 2 das campanhas, porque ele continua a existir e é legal. Como não precisam se preocupar em ser honestos, porque jamais serão julgados pelos seus pares. Como sabem que serão absolvidos de tudo, e por todos os que se sentam naquelas cadeiras onde já se sentou gente da melhor estirpe, gente digna e honrada. (...)  
Alguns, como Hermann Neto, estão tentando desfazer a língua portuguesa (que é desfeita em plenário todos os dias, todas as horas), começando por esta infâmia que é a crase. Martírio, agonia, tortura, padecimento, dissabor, desespero. A crase que é a principal causadora dos distúrbios que andam por aí: os sem-terra invadindo, os lucros dos bancos, a queda da bolsa, o aumento do preço do álcool, o crescente poderio dos camelôs, o trânsito congestionado, as filas no INSS, o PCC, os seqüestros-relâmpago, o caos do transporte público, a degradação do ensino, o mau atendimento dos convênios médicos. A culpa de tudo?
A existência da crase. Tão mais fácil escrever, pensar, se comunicar sem ela. Sem crase tudo fica mais simples. Dia desses, encontrei na rua um homem que se dirigia as (tem crase?) pessoas falando sem crases. Foi espantoso, mas excelente experiência, todos o entendiam. Quando falamos sem crases, o português fica claro, objetivo. De confusa, complexa, caótica e desordenada basta a vida. Simplifiquemos a linguagem, as normas.
Seria tão bom se outros deputados (apesar de atarefadíssimos, como sabemos — muito ocupados com suas defesas no valerioduto) se dedicassem a outros aspectos gramaticais. Cada um deles, e são 500 e tantos, poderia cuidar de um aspecto. Um faria um projeto contra a polissemia, outro contra as locuções conjuntivas, e teríamos uma verdadeira constituição eliminando morfemas subtrativos (ficando apenas os aditivos), paronímias, determinantes (e por consequência os pré e pós-determinantes), anexos predicativos, apostos (atenção deputados, não confundir com apóstolos), orações transpostas substantivas.
Estudos rigorosos examinariam a questão dos pleonasmos, dos gerúndios, das formas rizotônicas e das metafonias. Viriam em seguida o fim do ponto de exclamação, do ponto-e-vírgula, do parênteses, do trema e da reticência e do hífen. E uma nova língua, que poderá ser denominada de Parlamentar em lugar de Portuguesa, como homenagem a esse grupo que tanto faz pelo Brasil, por nós, pela sociedade, pela moralização de usos e costumes. E se faltou alguma crase neste texto, é que estou escrevendo regido pela lei Hermann Neto.

(Ignácio de Loyola Brandão, O Estado de São Paulo, 28/04/2006)

Questão 01 – A partir da leitura do texto, pode-se inferir que o autor

a) ironiza a proposta do deputado Hermann Neto, que pretende extinguir a crase.
b) defende que a legislação sobre as questões da língua não deve partir dos membros da Academia Brasileira
de Letras ou dos gramáticos.
c) confessa que não sabe empregar corretamente a crase, por isso indaga ao leitor sobre a ocorrência ou não da crase.
d) propõe uma ampla reforma na língua portuguesa a fim de simplificar a norma gramatical.
e) condena explicitamente o uso da crase por considerá-la inútil do ponto de vista da comunicação.

Questão 02 – Considerando seu conhecimento de mundo e as idéias veiculadas no texto, assinale a alternativa correta.

a) A proposta de eliminação da crase representa um avanço na linguagem, uma vez que já há um excesso de acentos gráficos.
b) Ao atribuir à crase a culpa pelos grandes problemas sociais do país, o cronista pretende desprezar a função exercida pelos deputados.
c) A alusão ao projeto de lei que põe fim à crase serve, meramente, como pretexto para revelar toda a indignação do cronista contra os inúmeros escândalos políticos do país.
d) O advérbio “não”, em “Não e não!” (no quinto parágrafo), é usado de maneira enfática, sem a carga semântica negativa que o caracteriza.
e) Em “Claro que Língua fica escondida, para dar lugar a coisas como Caras“ (na introdução), o autor sugere que a sociedade brasileira não valoriza a cultura.

Questão 03 – Em diversas passagens da crônica. Ignácio de Loyola Brandão pergunta se há ocorrência de crase ou não. Leia os trechos a seguir e identifique a alternativa em que é obrigatório o uso de acento grave.

a) “… a crase não partiu da Academia Brasileira de Letras, a quem caberia a iniciativa…”
b) “… que dedicaram suas vidas a nossa língua.”
c) “… transferiu-se a tarefa da mudança gramatical para as Câmaras Legislativas.”
d) “… encontrei na rua um homem que se dirigia as pessoas falando sem crases…”
e) “… como homenagem a esse grupo que tanto faz pelo Brasil…”

Questão 04 – Não há erro de conjugação verbal na alternativa

a) Os ambientalistas vêm com bons olhos as causas indígenas.
b) Por falta de oportunidade, o funcionário não interviu nos comentários do consultor.
c) Se a testemunha depor a favor do réu, certamente ele será absolvido.
d) Eles reaveram tudo o que tinham perdido.
e) Se eu dispusesse de algum dinheiro, poderia ajudá-lo.

Questão 05 – Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas.

• Deu-me alguns motivos ________ me pareciam inconsistentes.
• As informações ________ dependo são sigilosas.
• Lembro-me ________ ele só usava camisas brancas.
• Feliz do pai ________ filhos são ajuizados.
• Vivemos um momento ________ os graves problemas econômicos impedem uma maior mobilidade social.

a) cujos, nas quais, de que, cujo os, no qual
b) que, das quais, de que, cujos, em que
c) os quais, de que, que, o qual, onde
d) que, de que, que, cujos, onde
e) dos quais, de que, que, de cujos, no qual

Questão 06 – Considere os versos:

Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas, a alegria.

Na estrofe acima, de um soneto de Gregório de Matos, a principal característica do Barroco é:

a) A forte presença de antíteses.
b) A idealização da natureza como espaço bucólico.
c) O emprego de sinestesia.
d) O envolvimento subjetivo com os elementos da natureza.
e) A consciência da fugacidade da vida.

Questão 07 – Levando-se em conta os aspectos textuais e visuais da tirinha, assinale a alternativa correta.

a) A pergunta de Helga, no primeiro quadrinho, revela que ela quer pedir o divórcio.
b) O humor da tira se constrói a partir da possibilidade de Helga ter se casado por duas vezes.
c) A pergunta de Eddie Sortudo, no segundo quadrinho, evidencia a idéia de que Hagar é um bom marido.
d) A graça da tira está no fato de Eddie Sortudo partir da pressuposição de que Helga não estivesse se referindo
a Hagar, seu único marido.
e) A fisionomia de Hagar, nos dois quadrinhos, denota sua irritação com o fato de Helga ter se lembrado de seu
ex-marido.

Questão 08 – Considere as afirmações:

I —No primeiro quadrinho, a sequência dos adjetivos (esbelto, bonito, espirituoso) resulta na intensificação
progressiva de seus significados, dando origem à figura de estilo chamada de hipérbole.
II — Se em vez de empregar o verbo “haver“ (para indicar tempo decorrido), Helga utilizasse o verbo “fazer“,
segundo a norma culta, o período deveria ser assim reescrito: o que aconteceu com o marido esbelto,
bonito e espirituoso com o qual casei fazem vinte anos?
III — A oração “com o qual casei“ é subordinada adjetiva restritiva.

Está(ão) correta(s):

a) Apenas I.   b) Apenas II.   c) Apenas III.   d) I e II.   e) I e III.

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 9 e 10.

Fim da polêmica

Pesquisadores americanos criam cultura de células-tronco sem destruir o embriãoA pesquisa com células-tronco embrionárias é uma dessas áreas da ciência em que os métodos têm de se adaptar aos dogmas. Os cientistas defendem que as células-tronco, capazes de formar diferentes tecidos do corpo, podem levar, no futuro, à cura de doenças como o mal de Alzheimer e o diabetes tipo 1. Os críticos argumentam que o método usado nesses estudos, que passa pela destruição de embriões humanos, é um atentado contra a vida.
Na semana passada, a Advanced Cell Technology, uma empresa de biotecnologia dos Estados Unidos com sede na Califórnia, anunciou ter descoberto uma maneira de desenvolver células-tronco embrionárias sem destruir o embrião que lhes deu origem. Se for confirmada sua eficiência, o novo método vai tirar do caminho o principal argumento do lobby conservador que tenta atravancar o progresso científico nos Estados Unidos, na Europa e até no Brasil. A técnica consiste em fazer uma biópsia, retirando uma única célula de um embrião de dois dias. Nesse estágio, ele normalmente não passa de um aglomerado de oito células. Pelo método antigo, o material que dá origem à linhagem de células-tronco é retirado do interior de embriões mais desenvolvidos, com cinco dias. Nessa fase, o embrião não resiste à retirada de células de seu centro.
A experiência já havia sido feita com ratos no ano passado, mas é a primeira vez que dá certo com células humanas. “A questão é que, até hoje, ninguém havia conseguido criar culturas de células-tronco a partir de uma única célula retirada de um embrião humano em início de desenvolvimento — e esse é o grande mérito da nova técnica”, diz Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo. Na pesquisa divulgada na semana passada, apenas duas entre 91 células retiradas de embriões de dois dias geraram linhagens de células-tronco. Trata-se de um índice de aproveitamento baixo, mas os cientistas dizem ser possível melhorar. A biópsia em embriões de 2 dias não é uma novidade em si. A técnica vem sendo utilizada há dez anos por casais que fazem fertilização in vitro e querem saber se seu filho terá doenças como hemofilia. As análises genéticas são feitas na célula isolada enquanto o embrião continua a se desenvolver normalmente. Confrontados com esses fatos, os representantes do lobby cristão — responsáveis por convencer o presidente George W. Bush a vetar, em julho, um projeto de lei que facilitava a pesquisa com células-tronco — saíram-se com um novo argumento: o de que qualquer manipulação de embriões humanos é um desrespeito à vida. Pelo jeito, de nada adianta uma lanterna para quem não quer abrir os olhos.

(Veja, edição 1971. 30 agosto de 2006)

Questão 09 – Leia as afirmações abaixo e identifique a(s) correta(s), de acordo com o texto.

I — A principal justificativa dada pelos opositores das técnicas de clonagem terapêutica é a ideia de que as experiências realizadas desconsideram os dogmas de grupos religiosos.
II — Segundo o texto, ao ceder às pressões feitas por grupos conservadores, o presidente norte-americano George W. Bush pôs fim à polêmica da manipulação de embriões humanos.
III — O emprego da função referencial de linguagem, a presença de objetividade e o princípio da imparcialidade são marcas típicas de textos jornalísticos. Em uma das passagens da reportagem lida, contudo, uma dessas características
foi ignorada. É o que ocorre no último período do texto, em que se emprega a linguagem conotativa.
IV — Embora predomine no texto a variante culta de linguagem, há passagens em que se usa a variante popular com marcas de oralidade, como em “aglomerado de células“, “a questão é que“ e “querem saber se“

a) I e II.   b) III e IV.   c) Apenas II.   d) Apenas III.   e) Apenas IV.

Questão 10 – Assinale a alternativa que transforma o período coordenado “Trata-se de um índice de aproveitamento baixo, mas os cientistas dizem ser possível melhorar“ em um período subordinado, preservando-se a mesma ideia e mantendo-se a coerência e a correção gramatical.

a) Como se trata de um índice de aproveitamento baixo, os cientistas dizem ser possível melhorar.
b) Trata-se de um índice de aproveitamento baixo, à medida que os cientistas dizem ser possível melhorar.
c) Ainda que se trate de um índice de aproveitamento baixo, os cientistas dizem ser possível melhorar.
d) Embora os cientistas digam ser possível melhorar, se trata de um índice de aproveitamento baixo.
e) Caso se trate de um índice de aproveitamento baixo, os cientistas dizem ser possível melhorar.

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 11 a 15.

[...] Pus-me a ler o jornal, os anúncios de “precisa-se“. Dentre eles, um pareceu aceitável. Tratava-se de um rapaz de conduta afiançada para acompanhar um cesto de pão. Era nas Laranjeiras. Estava resolvido a aceitar; trabalharia um ano ou mais; guardaria dinheiro suficiente que me desse tempo para pleitear mais tarde um lugar melhor. Não havia nada que me impedisse: eu era desconhecido, sem família, sem origens... Que mal havia?
Mais tarde, se chegasse a alguma coisa, não me envergonharia, por certo?! Fui, contente até. Falei ao gordo proprietário do estabelecimento. Não me recordo mais das suas feições, mas tenho na memória as grandes mãos com um enorme ”solitário“ e o seu alentado corpo de arrobas.
— Foi o senhor que anunciou um rapaz para...
— Foi; é o senhor? respondeu-me logo sem me dar tempo de acabar.
— Sou, pois não.
O gordo proprietário esteve um instante a considerar, agitou os pequenos olhos perdidos no grande rosto, examinou-me convenientemente e disse por fim, voltando-me as costas com mau humor:
— Não me serve.
— Por quê? atrevi-me eu.
— Porque não me serve.
E veio vagarosamente até uma das portas da rua, enquanto eu saía literalmente esmagado. Naquela recusa do padeiro em me admitir, eu descobria uma espécie de sítio posto à minha vida. Sendo obrigado a trabalhar, o trabalho era-me recusado em nome de sentimentos injustificáveis. Facilmente generalizei e convenci-me de que esse seria o preceder geral. Imaginei as longas marchas que teria que fazer para arranjar qualquer coisa com que viver; as humilhações que teria que tragar; e, de novo, me veio aquele ódio do bonde, quando de volta da casa do Deputado Castro. Revoltava-me que me obrigassem a despender tanta força de vontade, tanta energia, com coisas em que os outros pouco gastavam. Era uma desigualdade absurda, estúpida, contra a qual se iam quebrar o meu pensamento angustiado e os meus sentimentos liberais que não podiam acusar particularmente o padeiro. Que diabo! Eu oferecia-me, ele não queria! que havia nisso demais?
Era uma simples manifestação de um sentimento geral e era contra esse sentimento, aos poucos descoberto por mim, que eu me revoltava. Vim descendo a rua, e perdendo-me aos poucos no meu próprio raciocínio. Preliminarmente descobria-lhe absurdos, voltava ao interior, misturava os dois, embrulhava-me. No largo do Machado,
contemplei durante momentos aquela igreja de frontão grego e colunas dóricas e tive a sensação de estar em país estrangeiro.

(Lima Barreto. Recordações do escrivão Isaías Caminha. 3. Ed. São Paulo: Ática, 1994, p. 69-70.)

Questão 11 – Qual das passagens abaixo resume com mais exatidão a situação social do rapaz no Rio de Janeiro:

a) “...tratava-se de um rapaz de conduta afiançada para acompanhar um cesto de pão.”
b) “...era desconhecido, sem família, sem origens...”
c) “...literalmente esmagado.”
d) “Era uma desigualdade absurda, estúpida...“
e) “...a sensação de estar em país estrangeiro.“

Questão 12 – Das características do Pré-modernismo, podem-se encontrar no relato de Isaías:

a) ufanismo e apuro gramatical
b) nacionalismo conservador e informalidade da linguagem
c) linguagem popular e sentimentalismo exacerbado
d) nacionalismo crítico e linguagem científica
e) denúncia social e gosto por tipos humanos marginalizados

Questão 13 – Assinale a alternativa que preenche as lacunas corretamente:

“Indaguei-lhe ______ não servia como seu funcionário, ______? Ele, desatento, não me respondeu o ______.“

a) porque, por que, porquê.
b) por que, por quê, porquê.
c) por que, porquê, por que.
d) porque, porque, por quê.
e) porquê, por quê, porque.

Questão 14 – A passagem “Sendo obrigado a trabalhar, o trabalho era-me recusado em nome de sentimentos injustificáveis.“ pode ser substituída somente por:

a) Sendo obrigado a trabalhar, recusava-se-me o trabalho em nome de sentimentos injustificáveis.
b) Sendo obrigado a trabalhar, recusavam-me o trabalho em nome de sentimentos injustificáveis.
c) Sendo obrigado a trabalhar, se me recusou o trabalho em nome de sentimentos injustificáveis.
d) Sendo obrigado a trabalhar, se me recusavam trabalho em nome de sentimentos injustificáveis.
e) Sendo obrigado a trabalhar, recusavam-me trabalho em nome de sentimentos injustificáveis.

Questão 15 – Lendo o trecho “No largo do Machado, contemplei durante momentos aquela igreja de frontão grego e colunas dóricas e tive a sensação de estar em país estrangeiro.“, pode-se afirmar que a vírgula foi empregada pelo mesmo motivo em:

a) Rodrigo, guarde as armas! — disse o velho ao neto.
b) No meio do salão, a mesa de jantar.
c) Um dia, ele me puxou a barra do paletó e me fez examinar seu pequenino dedo machucado.
d) O camarada desafivelou o cinturão de botões prateados, onde o velho carregava o dinheiro.
e) É linda a igreja, mas sua beleza é triste.

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