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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2010

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2010

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 1 a 5.

FILME

Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. Cinema era coisa que
ele adorava, sempre sonhara em se tornar cineasta; não o conseguira, claro, mas queria que a
filha partilhasse sua paixão, com o que se sentiria, de certa forma, indenizado pelo destino. Uma
responsabilidade que só fazia aumentar o verdadeiro terror que Berenice sentia quando se aproximava
05 o sábado, dia que habitualmente o pai, homem muito ocupado, escolhia para a sessão cinematográfica
semanal. À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa;
e quando o pai, chegado o sábado, finalmente lhe dizia, está na hora, vamos, ela frequentemente se
punha a chorar e mais de uma vez caíra de joelhos diante dele, suplicando, não, papai, por favor, não
faça isso comigo. Mas o pai, que era um homem enérgico e além disso julgava ter o direito de exigir
10 da filha que o acompanhasse (viúvo desde há muito, criara Berenice sozinho e com muito sacrifício),
mostrava-se intransigente: não tem nada disso, você vai me acompanhar. E ela o fazia, em meio a
intenso sofrimento.
Por fim, aprendeu a se proteger. Ia ao cinema, sim. Mas antes que o filme começasse, corria ao
banheiro, colocava cera nos ouvidos. Voltava ao lugar, e mal as luzes se apagavam cerrava firmemente
15 os olhos, mantendo-os assim durante toda a sessão. O pai, encantado com o filme, de nada se
apercebia; tudo o que fazia era perguntar a opinião de Berenice, que respondia, numa voz neutra
mas firme:
- Gostei. Gostei muito.
Era de outro filme que estava falando, naturalmente. Um filme que o pai nunca veria.

MOACYR SCLIAR - In: Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Questão 01  - Em certo momento do texto, percebe-se a introdução da fala das personagens mesclada à fala do narrador. A presença do diálogo nesta narrativa tem como principal efeito:

(A) marcar a aceleração do tempo
(B) evidenciar o conflito entre as personagens
(C) promover a alternância do foco narrativo
(D) assinalar a sequenciação dos elementos do enredo

Questão 02 - Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. (l. 1)
O período acima pode ser reescrito, mantendo-se seu sentido original, da seguinte forma:

(A) Como Berenice não gostava de ir ao cinema, o pai a levava à força.
(B) Quando Berenice não gostava de ir ao cinema, o pai a levava à força.
(C) Enquanto o pai a levava à força, Berenice não gostava de ir ao cinema.
(D) À proporção que o pai a levava à força, Berenice não gostava de ir ao cinema.

Questão 03 - Por fim, aprendeu a se proteger. (l. 13)
A forma de proteção desenvolvida por Berenice reforça um traço temático central do texto.
A palavra que melhor define esse traço é:

(A) submissão
(B) intolerância
(C) dissimulação
(D) incomunicabilidade

Questão 04 - À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa; (l. 6) A expressão grifada contribui para a construção da tensão narrativa, porque está relacionada com:

(A) a passagem do tempo           (B) a complicação crescente
(C) o desfecho surpreendente     (D) a evolução da personagem

Questão 05 - Era de outro filme que estava falando, naturalmente. (l. 19) Neste trecho, o termo em destaque cumpre a função de:

(A) afirmar ponto de vista
(B) projetar ideia de modo
(C) revelar sentimento oculto
(D) expressar sentido reiterativo

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 6 a 8.

www2.uol.com.br/laerte/tiras/overman

Questão 06 - No contexto, a comparação entre o primeiro e o último quadrinho produz humor. A produção de humor se deve ao seguinte recurso:

(A) destaque de uma situação embaraçosa
(B) demonstração de uma atitude caricatural
(C) desconstrução de uma expectativa do leitor
(D) negação de uma característica do personagem

Questão 07 - ... mal posso acreditar que acabo de inventá-la! Tendo em vista o conjunto dos efeitos verbais e não verbais expressos no último quadrinho, pode-se dizer que o conectivo mal contribui para exprimir sentido de:

(A) horror e descrença (B) dor e desesperança (C) surpresa e desencanto (D) constatação e desespero
Questão 08 - Para melhor compreensão da tira, o leitor precisa reconhecer alguns elementos implícitos. O fragmento que torna mais evidente essa necessidade é:

(A) “Minha inimiga mais terrível... a LOUVA DEUSA!”
(B) “Uma assassina fria e cruel!”
(C) “... os que sobrevivem ao seu ataque... têm inveja dos que morrem!”
(D) “... seus poderes são sobre-humanos!!”

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 9 A 13.

Existe sempre um conceito por trás do que faço, só que nem sempre a montagem se completa. Os
conceitos se escondem no subconsciente. Ziguezagues que atordoam.
Quando o xadrez funciona, o conceito é formado por encaixes eliminando a importância exagerada que
poderia ser dada a certas fotos mais formais.
Não são acasos felizes, pois, desde o começo de um projeto, uma ideia já existe; apenas ela é flexível e
se deixa impregnar pela existência das pessoas fotografadas. O interessante é fazer a matéria externa
vibrar em toda sua força de maneira que seja espelho de minhas intenções, sem deixar de ser espelho
da vida. CORAÇÃO ESPELHO DA CARNE.
Edward Weston diz nos “Notebooks” que “a câmera deve ser usada para documentar a vida”. Documentar
no sentido íntegro, não o bater chapa automático de algum acontecimento mais importante histórico
ou socialmente, porém o documento de vida. Diria que revelar essa vida, essa força, é o essencial,
pois de qualquer forma documento sempre será a foto tomada. Ele continua: “rendendo a verdadeira
substância da coisa em si, seja ela aço polido ou carne palpitante”.

MIGUEL RIO BRANCO (fotógrafo) - Notes on the tides. Rio de Janeiro: Sol Gráfica , 2006.

Questão 09 - de maneira que seja espelho de minhas intenções, sem deixar de ser espelho da vida. (l. 7-8). O significado essencial do fragmento destacado acima também pode ser observado em:

(A) Os conceitos se escondem no subconsciente. (l. 1-2)
(B) Quando o xadrez funciona, o conceito é formado por encaixes (l. 3)
(C) pois, desde o começo de um projeto, uma ideia já existe; (l. 5)
(D) e se deixa impregnar pela existência das pessoas fotografadas. (l. 5-6)

Questão 10 - O autor afirma que o processo da criação artística parte de um conceito. No texto, o sentido dado à palavra “conceito” se opõe a:

(A) subconsciente (l. 2)    (B) fotos (l. 4)    (C) acasos (l. 5)    (D) pessoas (l. 6)

Questão 11 -  “rendendo a verdadeira substância da coisa em si, seja ela aço polido ou carne palpitante”. (l. 12-13) O emprego do conectivo grifado, no contexto, explica-se porque:

(A) revela ideias excludentes entre si
(B) expressa fatos em sequência cronológica
(C) representa acontecimentos em simultaneidade
(D) enfatiza a existência de mais de uma alternativa

Questão 12 - Existe sempre um conceito por trás do que faço, só que nem sempre a montagem se completa. (l. 1) Em relação ao que foi dito anteriormente, o uso da expressão destacada tem o valor de:

(A) realce     (B) ressalva     (C) exclusão     (D) contestação

Questão 13 - O texto apresenta algumas figuras de estilo, como, por exemplo, a metáfora. O par de vocábulos com emprego metafórico está indicado em:

(A) ziguezagues (l. 2) - xadrez (l. 3)
(B) subconsciente (l. 2) - espelho (l. 7)
(C) matéria (l. 6) - carne (l. 8)
(D) substância (l. 13) - aço (l. 13)

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 14 e 15.

Não-coisa

O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.
Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,
seu clarão seu perfume?
Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?
A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes
(...)
No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:
subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa
sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa é fechada
à humana consciência.
O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura – e iluminá-la.
Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,
a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
– essa voz somos nós.

Ferreira Gullar - Cadernos de literatura brasileira. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1998.

Questão 14 - A primeira estrofe expõe ideias no campo da metalinguagem, já que apresenta concepções acerca da própria linguagem poética. Os versos que mais se aproximam dessas ideias são:

(A) Uma fruta uma flor / um odor que relume... (l. 5-6)
(B) sem permitir, porém, / que perca a transparência (l. 25-26)
(C) é torná-la aparência / pura - e iluminá-la. (l. 31-32)
(D) Toda coisa tem peso: / uma noite em seu centro. (l. 33-34)

Questão 15 - O poema sugere que o saber está relacionado à experiência. Essa relação encontra-se expressa principalmente nos seguintes versos:

(A) Como dizer o sabor, / seu clarão seu perfume? (l. 7-8)
(B) A linguagem dispõe / de conceitos, de nomes (l. 13-14)
(C) mas o gosto da fruta / só o sabes se a comes (l. 15-16)
(D) já que a coisa é fechada / à humana consciência. (l. 27-28)


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TEMA DE REDAÇÃO – PUC-CAMPINAS – 2015

TEMA DE REDAÇÃO – PUC-CAMPINAS – 2015



INSTRUÇÕES GERAIS

I. Dos cuidados gerais a serem tomados pelos candidatos:

1. Leia atentamente as propostas, escolhendo uma das três para sua prova de Redação.
2. Escreva, na primeira linha do formulário de redação, o número da proposta escolhida. A colocação de um título é optativa, a não ser quando expressamente solicitada.
3. Redija seu texto a tinta (em preto).
4. Apresente o texto redigido com letra legível (cursiva ou de forma), em padrão estético conveniente (margens, paragrafação etc.).
5. Não coloque o seu nome na folha de redação.
6. Tenha como padrão básico o mínimo de 30 (trinta) linhas.

II. Da elaboração da redação:

1. Atenda, com cuidado, em todos os seus aspectos, à proposta escolhida. Às redações que não atenderem à proposta (adequação ao tema e ao tipo de composição) será atribuída nota zero.
2. Empregue nível de linguagem apropriado à sua escolha.
3. Estruture seu texto utilizando recursos gramaticais e vocabulário adequados. Lembre-se de que o uso correto de pronomes e de conjunções mantém a coesão textual.
4. Seja claro e coerente na exposição de suas ideias.

PROPOSTA I – DISSERTAÇÃO

            Leia o editorial abaixo procurando apreender o tema nele desenvolvido. Em seguida, elabore uma dissertação, na qual você exporá, de modo claro e coerente, suas ideias acerca desse tema.

            Não é de hoje que se aventa a ideia de destinar às mulheres um espaço segregado no transporte público como forma de protegê-las dos lamentáveis episódios de assédio sexual. Tampouco são novos, contudo, o fracasso e as limitações desse tipo de política.
            Ainda no início do século 20, algumas cidades do Japão estabeleceram, em seus sistemas de trens, vagões reservados ou exclusivos. Até hoje, porém, registram-se milhares de casos de violência sexual no transporte público do país.
            Experiências mais recentes em outros lugares do mundo também ficaram muito aquém do desejado. A socióloga Amy Dunckel Gralia acompanha a cidade do México desde o começo dos anos 2000.
            Naquele momento, as autoridades reconheceram que, por causa do perigo a que estavam expostas – um problema em si –, as mulheres sofriam restrições em seu direito de participar da vida urbana.
            Na tentativa de melhorar esse cenário, instituiu-se o transporte segregado inclusive em ônibus e táxis. A violência de gênero, no entanto, permaneceu.
            Em 2008, uma pesquisa constatou que 80% das mulheres tinham sofrido algum tipo de abuso sexual, no transporte público, nos doze meses anteriores. Até mesmo São Paulo, onde a Assembleia Legislativa, recentemente, aprovou projeto que obriga o metrô e a CPTM a terem vagões exclusivos para mulheres, já teve experiência similar nos anos 1990.
            Depois de receber um abaixo-assinado, a CPTM aderiu ao transporte segregado. Não foi só violação ao princípio constitucional da igualdade de gêneros que levou ao fracasso da iniciativa. Também se impôs a realidade: num sistema sobrecarregado, é operacionalmente problemático restringir vagões a um grupo de pessoas.
            A situação tornou-se mais grave com o passar dos anos. O transporte público paulistano sobre trilhos, hoje, opera no limite de sua capacidade – e já são muitas as dificuldades para garantir a idosos, gestantes e deficientes o embarque prioritário nos horários de pico.
            Seria melhor, portanto, buscar outro modelo. Na própria Cidade do México e em Londres, têm gerado bons resultados projetos destinados a deixar as mulheres mais confortáveis quando precisam reportar casos de violência sexual.
            Treinamento de policiais, para lidar com esse tipo de denúncia, unidades de atendimento nas estações e campanhas que reforçam o direito de viajar sem assédio colaboram para reduzir a quantidade de agressões e aumentar a notificação dos crimes. Ampliar o monitoramento por câmeras também ajudaria a inibir certos abusos.
            Aos olhos do governo, talvez os vagões rosa tenham uma vantagem: sua implantação é mais simples. A sociedade, entretanto, não pode aceitar meros paliativos.

(Folha de S. Paulo, 12/07/2014)

PROPOSTA II - DISSERTAÇÃO

Leia com atenção os textos seguintes:

I. O planejamento urbano, sobretudo nos grandes centros, deve incentivar a desaceleração do transporte pessoal, criando todas as condições para o aperfeiçoamento e aprimoramento do sistema de transporte coletivo. O automóvel, aspiração de tantos, em pouco tempo deixará – felizmente – de condicionar as edificações urbanas.
II. Desde que se adotou o uso do transporte pessoal como referência para o planejamento urbano, a necessidade urgente dos grandes centros é a criação de sistemas de engenharia viária que garantam ao cidadão o direito de transportar-se em veículo próprio, sendo o transporte público uma opção pessoal.

            A partir do que dizem os textos I e II, que apresentam diferentes visões de uma mesma questão, escreva uma dissertação em prosa, na qual você escolherá a visão que lhe parece mais acertada e argumentará em favor dela.

PROPOSTA III - NARRAÇÃO

       Leia com atenção o texto seguinte:

            Suponha que, em determinada época, o divertimento da moda entre jovens era, em grupo, se aventurarem em passeio noturno num cemitério. Numa dessas ocasiões, algo absolutamente inesperado ocorreu, motivando muita curiosidade sobre o episódio e suas consequências.

            Redija uma redação em que você relate essa noite surpreendente, caracterizando tanto o fato imprevisível, como suas consequências, que podem ter atingido um ou mais dos jovens, ou até o lugarejo ou a cidade em que o episódio ocorreu. Narre em primeira pessoa, como participante do grupo, escolhendo ser ou não o protagonista. Seja criativo ao decidir o motivo pelo qual você de fazer o relato.


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TEMA DE REDAÇÃO – PUC-CAMPINAS – 2014

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INSTRUÇÕES GERAIS

I. Dos cuidados gerais a serem tomados pelos candidatos:

1. Leia atentamente as propostas, escolhendo uma das três para sua prova de Redação.
2. Escreva, na primeira linha do formulário de redação, o número da proposta escolhida. A colocação de um título é optativa, a não ser quando expressamente solicitada.
3. Redija seu texto a tinta (em preto).
4. Apresente o texto redigido com letra legível (cursiva ou de forma), em padrão estético conveniente (margens, paragrafação etc.).
5. Não coloque o seu nome na folha de redação.
6. Tenha como padrão básico o mínimo de 30 (trinta) linhas.

II. Da elaboração da redação:

1. Atenda, com cuidado, em todos os seus aspectos, à proposta escolhida. Às redações que não atenderem à proposta (adequação ao tema e ao tipo de composição) será atribuída nota zero.
2. Empregue nível de linguagem apropriado à sua escolha.
3. Estruture seu texto utilizando recursos gramaticais e vocabulário adequados. Lembre-se de que o uso correto de pronomes e de conjunções mantém a coesão textual.
4. Seja claro e coerente na exposição de suas ideias.

PROPOSTA I – DISSERTAÇÃO

Leia o editorial, procurando apreender o tema nele desenvolvido. Em seguida, elabore uma dissertação, na qual você exporá, de modo claro e coerente, suas ideias acerca desse tema.

Sobram razões para o poder público combater o hábito de jogar lixo nas ruas. Não só porque uma cidade suja torna-se um lugar desagradável para moradores e visitantes, mas também porque os dejetos entopem bueiros, agravam os efeitos das enchentes e favorecem a proliferação de ratos e insetos, que são vetores de doenças.
Nem todos estão de acordo, todavia, quanto aos melhores meios para alcançar esse fim.
De um ponto de vista pragmático, a melhor maneira de patrocinar uma mudança comportamental é transformar em infração administrativa, passível de multa, o costume que se quer inibir. O bolso, como diz o senso comum, é o órgão mais sensível do cidadão.
Pela velocidade com que tende a produzir efeitos, essa estratégia é a favorita dos políticos. Foi o caminho escolhido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, que acaba de lançar sua campanha de limpeza. A partir de agora, jogar lixo nas ruas cariocas pode render multas de até R$ 3.000,00.
O problema é que os resultados, muitas vezes, são efêmeros. Embora haja exceções – como a Lei da Cidade Limpa, implantada em São Paulo, ou a obrigatoriedade do cinto de segurança –, o mais comum é que o comportamento virtuoso ande em estreita correlação com a fiscalização.
Como não dá para manter por longos períodos um exército de fiscais comprometidos com uma única causa, muitos advogam pela busca de genuína mudança de mentalidade. Nesse caso, para que o novo comportamento perdure, seria preciso convencer o cidadão de que a meta estabelecida é racional e serve a seus interesses.
Na ausência de punição, o indivíduo sem dúvida agiria por princípios éticos. Evidente, porém, que essa mudança de mentalidade é algo muito mais fácil de desejar do que de promover.
O ideal é que as pessoas sigam normas por reconhecer-lhes a justeza, mas é inegável que, na prática, muitos refutam esse tipo de raciocínio. Para estes a única opção é a multa – mas o valor mínimo no caso carioca, de R$ 157,00, é excessivo. E, mesmo para os demais, a sanção administrativa pode funcionar como um marco zero da transformação comportamental.
Ações educativas têm papel relevante a cumprir e, num país conhecido pelo desprezo sistemático a normas legais, manter a fiscalização é primordial. Sem isso, o programa Lixo Zero poderá não passar de simples operação de marketing.

(Adaptado da Folha de São Paulo, Editorial, 22 de agosto de 2013, p. A2)


PROPOSTA II - DISSERTAÇÃO

Leia com atenção os textos seguintes:

I. Todo protesto de natureza política deve ter um objetivo preciso. As insatisfações devem evidenciar-se com clareza, caso contrário haverá a possibilidade de que, numa manifestação pública, muitos gritem sem saber contra o que estão gritando, ou então gritem por um acúmulo de razões que sequer identificam. Tais protestos são inúteis: na falta de um alvo preciso, anulam-se por si mesmos, prejudicando assim manifestações mais justificadas e objetivas.
II. Quando as insatisfações sociais atingem um certo patamar, é evidente que elas precisam se manifestar. Nas manifestações públicas recentes, nota-se que há uma grande variedade de causas e objetivos, e por isso mesmo elas ganham força de uma luta ampla, por muitas mudanças. É importante que esses protestos se somem, ainda que caoticamente, para que todas as demandas sociais surjam ao mesmo tempo e com a mesma força.

Redija uma dissertação em prosa, na qual você deverá desenvolver argumentos em favor do ponto de vista defendido em um dos textos acima.

PROPOSTA III - NARRAÇÃO

Leia com atenção o texto seguinte:

         Num semáforo fechado, ouve-se de um carro uma música pesada, em altíssimo volume. Um senhor idoso, no volante do carro ao lado, busca protestar, mas o rapaz responsável pelo som não lhe dá atenção. Um ciclista encosta ao lado do rapaz. Um guarda que passava também se aproxima. Duas estudantes adolescentes resolvem entrar em cena. Uma senhora sai à janela do sobrado ao lado.

Desenvolva uma narração a partir da situação mostrada acima. Procure dar voz a todas as personagens envolvidas. Busque caracterizar diferentes pontos de vista e níveis de linguagem.


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PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 2º Semestre de 2013

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 2º Semestre de 2013

ADJETIVO - FLEXÃO DE GÊNERO

ADJETIVO - FLEXÃO DE GÊNERO

Os adjetivos simples, em geral, seguem as mesmas regras dos substantivos.


Na tirinha acima aparecem os adjetivos biformes "limpo" e "claro" e o uniforme "inteligível".

Adjetivos biformes - possuem uma forma para o masculino e outra para o feminino.

Adjetivos terminados em "o" átono
Troca-se pelo "a"
Alto
Alta
Ligeiro
Ligeira

Adjetivos terminados em "u", "ês" ou "or"
Acrescenta-se o "a"
Nu
Nua
Francês
Francesa
Encantador
Encantadora

Exceções: hindu, zulu, cortês, descortês, montês, melhor, pior, maior, menor, superior, inferior, interior, exterior, posterior, ulterior, multicolor, incolor.
  
Adjetivos terminados em "ão"
Troca-se por "ã" ou "ona"
Órfão
Órfã
Bobão
Bobona

Adjetivos terminados em "eu"
Troca-se por "eia"
Plebeu
Plebeia
Hebreu
Hebreia

Exceções: Judeu - judia; sandeu - sandia.

Adjetivos uniformes - possuem uma única forma tanto para o masculino quanto para o feminino.

São de regra uniformes os adjetivos:

Terminados em "a"
Hipócrita, homicida, asteca, etc.
Terminados em "e"
Excelente, breve, doce, etc.
Terminados em "l"
Fatal, fiel, adorável, etc.
Terminados em "ar"
Exemplar, ímpar, etc.
Paroxítonos terminados em "s"
Simples, reles, etc.
Terminados em "z"
Sagaz, feliz, etc.
Terminados em "m"
Ruim, comum, etc.

Adjetivos compostos

Somente a segunda forma adquire a forma feminina.

Literatura hispano-americana; intervenção médico-cirúrgica.

Exceção: Surdo-muda - surda-muda.


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INSTRUÇÕES GERAIS

I. Dos cuidados gerais a serem tomados pelos candidatos:

1. Leia atentamente as propostas, escolhendo uma das três para sua prova de Redação.
2. Escreva, na primeira linha do formulário de redação, o número da proposta escolhida. A colocação de um título é optativa, a não ser quando expressamente solicitada.
3. Redija seu texto a tinta (em preto).
4. Apresente o texto redigido com letra legível (cursiva ou de forma), em padrão estético conveniente (margens, paragrafação etc.).
5. Não coloque o seu nome na folha de redação.
6. Tenha como padrão básico o mínimo de 30 (trinta) linhas.

II. Da elaboração da redação:

1. Atenda, com cuidado, em todos os seus aspectos, à proposta escolhida. Às redações que não atenderem à proposta (adequação ao tema e ao tipo de composição) será atribuída nota zero.
2. Empregue nível de linguagem apropriado à sua escolha.
3. Estruture seu texto utilizando recursos gramaticais e vocabulário adequados. Lembre-se de que o uso correto de pronomes e de conjunções mantém a coesão textual.
4. Seja claro e coerente na exposição de suas ideias.

PROPOSTA I – DISSERTAÇÃO

     Leia o editorial abaixo procurando apreender o tema nele desenvolvido. Em seguida, elabore uma dissertação, na qual você exporá, de modo claro e coerente, suas ideias acerca desse tema.

     O problema da obesidade infantil é grave e não tem solução fácil.
     O Brasil segue a mesma rota epidêmica dos EUA. Lá, demógrafos chegam a prever que, devido às doenças associadas ao excesso de peso, as gerações futuras viverão menos anos do que as de seus pais.
     Salvo se uma droga milagrosa for descoberta, a melhor forma de enfrentar o problema é uma combinação de menor ingestão de calorias com maior dispêndio energético (atividade física). Como ambas contrariam nossos apetites naturais, um incentivo do poder público pode ser útil.
     Não se trata de promover o paternalismo do Estado. O mundo moderno oferece ferramentas tributárias e mercadológicas para que autoridades possam atuar de forma eficaz e não autoritária.
     Os mais óbvios instrumentos são os impostos. Em vez de concentrar a atenção sobre medidas de alcance na melhor das hipóteses limitado, como restrições à publicidade para o público infantil (decisões de compra costumam caber aos pais), seria melhor elaborar uma mescla de incentivos e gravames* que favoreça a alimentação equilibrada e deixar a propaganda na esfera da autorregulamentação.
     Vilões nutricionais, como refrigerantes e salgadinhos industrializados, em vez de banidos, como sugerem os mais afoitos, deveriam ter a carga de impostos majorada. Alimentos saudáveis, como frutas e legumes, poderiam ser agraciados com subvenções.
     É possível até mesmo, por essa via, tornar um pouco mais benignos produtos hoje insalubres. Bastaria fixar as alíquotas de acordo com a quantidade de nutrientes deletérios, como sódio e gorduras saturadas, presente no alimento.
     A abordagem fiscal não obrigaria ninguém a fazer o que não queira. Ao confiar na autonomia do cidadão e na autorregulamentação da indústria, tem mais chance de dar certo. E ainda dá aos fabricantes a oportunidade de veicular peças publicitárias que enfatizem a preocupação com a qualidade nutricional de seus produtos, o que contribuiria para fomentar a cultura da alimentação saudável.

Obs.*gravames – impostos pesados

(Folha de S. Paulo, A2 opinião, sexta-feira, 10 de agosto de 2012)


PROPOSTA II - DISSERTAÇÃO

Leia com atenção os textos seguintes.

I. Talvez uma característica essencial de nosso tempo seja o valor absoluto que se dá ao fenômeno da conectividade. Explico-me: parece que hoje a vida de cada um depende de estarmos conectados a algo ou a alguém, via celular, internet, videogame, i-pod, tv interativa, ou o que seja. É como se nossa identidade mesma se firmasse a partir de alguma conexão, por meio de algum suporte eletrônico, com o meio externo. Que fim levou a tal da vida interior? Ainda faz sentido falar nela?
II. Quando vejo a vizinha, já velhinha e solitária, acionar seu laptop e vagarosamente digitar como quem reaprende a ler e a escrever, penso que estamos vivendo uma época em que a solidão humana vai sendo progressivamente afastada. Num toque de dedo acessamos o outro, os outros, o mundo, participando assim de uma comunidade verdadeiramente globalizada. A moderna socialização deixou para trás, parece que definitivamente, o triste confinamento dos indivíduos.

Esses textos defendem posições opostas. Escreva uma dissertação em prosa, na qual você argumentará a favor da posição com a qual mais se identifica.

PROPOSTA III - NARRAÇÃO

     Propõe-se que a narração se inicie assim:

     A cidade onde nasci, além de muito pequena, é também muito pacata e silenciosa. Delegacia e hospital só atendem a casos de rotina, sem nenhuma gravidade. Foi por isso que, quando o telefone tocou alternada e insistentemente nesses dois lugares, no exato momento em que todos na praça se despediam para ir dormir, o tumulto foi grande. Depois de breve interrupção, tocou também lá na igreja.

     Dê continuidade a esse relato, pondo em ação personagens que já estão sugeridas nesse início ou outras que preferir. Tente surpreender o leitor, tanto pela escolha do acontecimento, quanto pelo seu desfecho.


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