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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Texto: "O livro da solidão" — Cecília Meireles

O livro da solidão

            Os senhores todos conhecem a pergunta famosa universalmente repetida: “Que livro escolheria para levar consigo, se tivesse de partir para uma ilha deserta...?”
            Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem naturalmente: “Uma história de Napoleão.” Mas uma ilha deserta nem sempre é um exílio... Pode ser um passatempo... Os que nunca tiveram tempo para fazer leituras grandes, pensam em obras de muitos volumes. Se são uma boa mescla de vida e sonho, pensam em toda a produção de Goethe, de Dostoievski, de Ibsen. Ou na Bíblia. Ou nas Mil e Uma Noites. 
            Pois eu creio que todos esses livros, embora esplêndidos, acabariam fatigando; e, se Deus me concedesse a mercê de morar numa ilha deserta (deserta, mas com relativo conforto, está claro — poltronas, chá, luz elétrica, ar condicionado), o que levava comigo era um dicionário. Dicionário de qualquer língua, até com algumas folhas soltas; mas um dicionário.
            Não sei se muita gente haverá reparado nisso — mas o dicionário é um dos livros mais poéticos, se não mesmo o mais poético dos livros. O dicionário tem dentro de si o universo completo. Logo que uma noção humana toma forma de palavra — que é o que dá existência às noções —, vai habitar o dicionário. As noções velhas vão ficando, com seus sestros de gente antiga, suas rugas, seus vestidos fora de moda; as noções novas vão chegando, com suas petulâncias, seus arrebiques, às vezes, sua rusticidade, sua grosseria. E tudo se vai arrumando direitinho, não pela ordem de chegada, como os candidatos a lugares nos ônibus, mas pela ordem alfabética, como nas listas de pessoas importantes, quando não se quer magoar ninguém...
            A minha pena é que não ensinem as crianças a amar o dicionário. Ele contém todos os gêneros literários, pois cada palavra tem seu halo e seu destino — umas vão para aventuras, outras para viagens, outras para novelas, outras para a poesia, umas para a história, outras para o teatro. E as surpresas de palavras que nunca se tinham visto nem ouvido! Raridades, horrores, maravilhas...
            Eu levaria o dicionário para a ilha deserta. O tempo passaria docemente, enquanto eu passeasse por entre nomes conhecidos e desconhecidos, nomes, sementes e pensamentos e sementes das flores de retórica. Poderia louvar melhor os amigos, e melhor perdoar os inimigos, porque o mecanismo da minha linguagem estaria mais ajustado nas suas molas complicadíssimas. Sobretudo, sabendo que germes pode conter uma palavra, cultivaria o silêncio, privilégio dos deuses, e ventura suprema dos homens.

(Cecília Meireles)

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Texto I

Previsões de especialistas

            A mídia nos bombardeia diariamente com as previsões de especialistas sobre o futuro. Esses experts mais erram do que acertam, mas nem por isso deixamos de recorrer a eles sempre que o horizonte se anuvia. Como explicar o paradoxo?
            Uma boa tentativa é o recém-lançado livro do escritor e jornalista Dan Gardner. As passagens mais divertidas do livro são sem dúvida aquelas em que o autor mostra, com exemplos e pesquisas científicas, quão precária é a previsão econômica e política.
            Num célebre discurso de 1977, por exemplo, o então presidente dos E.U.A., Jimmy Carter, ancorado nos conselhos dos principais experts do planeta, conclamou os americanos a reduzir drasticamente a dependência de petróleo de sua economia, porque os preços do hidrocarboneto subiriam e jamais voltariam a cair, o que inevitavelmente destruiria o American way1. Oito anos depois, as cotações do óleo despencaram e permaneceram baixas pelas duas décadas seguintes.
            Alguém pode alegar que Gardner escolhe de propósito alguns exercícios de futurologia que deram errado apenas para ridicularizar a categoria toda.
            Para refutar essa objeção, vamos conferir algumas abordagens do problema.
            Em 1984, uma revista britânica pediu a 16 pessoas que fizessem previsões sobre taxas de crescimento, câmbio, inflação e outros dados econômicos. Quatro dos entrevistados eram ex-ministros de finanças; quatro eram presidentes de empresas multinacionais; quatro, estudantes de economia de Oxford; e quatro, lixeiros de Londres. Uma década depois, as predições foram contrastadas com a realidade e classificadas pelos níveis de acerto. Os lixeiros terminaram empatados com os presidentes de corporações em primeiro lugar. Em último, ficaram os ministros – o que ajuda a explicar uma ou outra coisinha sobre governos.
            A razão para tantas dificuldades em adivinhar o futuro é de ordem física. Nós nos habituamos a ver a ciência prevendo com enorme precisão fenômenos como eclipses e marés. Só que esses são sistemas lineares ou, pelo menos, sistemas em que dinâmicas impostas pelo caos podem ser desprezadas. E, embora um bom número de fenômenos naturais seja linear, existem muitos que não o são. Quando o homem faz parte da equação, pode-se esquecer a linearidade.
            Nossos cérebros também trazem de fábrica alguns vieses que tornam nossa espécie presa fácil para adivinhos. Procuramos tão avidamente por padrões que os encontramos até mesmo onde não existem. Temos ainda compulsão por histórias, além de um desejo irrefreável de estar no controle. Assim, alguém que ofereça numa narrativa simples e envolvente a previsão do futuro pode vendê-la facilmente a incautos. Não é por outra razão que oráculos, profecias e augúrios estão presentes em quase todas as religiões.
            Como diz Gardner, vivemos na Idade da Informação, mas nossos cérebros são da Idade da Pedra. Eles não foram concebidos para processar o papel do acaso, no cerne do conhecimento científico atual. Nós continuamos a tratar as falas dos especialistas como se fossem auspícios2 divinos. Como não poderia deixar de ser, frequentemente quebramos a cara.

HÉLIO SCHWARTSMAN - Adaptado de www1.folha.uol.com.br, 30/06/2011

1 American way: estilo americano de vida
2 auspícios: prenúncios, presságios

Texto II

Ode1 para o futuro

Falareis de nós como de um sonho.
Crepúsculo dourado. Frases calmas.
Gestos vagarosos. Música suave.
Pensamento arguto2. Sutis sorrisos.
Paisagens deslizando na distância.
Éramos livres. Falávamos, sabíamos,
e amávamos serena e docemente.
Uma angústia delida3, melancólica,
sobre ela sonhareis.

E as tempestades, as desordens, gritos,
violência, escárnio4, confusão odienta5,
primaveras morrendo ignoradas
nas encostas vizinhas, as prisões,
as mortes, o amor vendido,
as lágrimas e as lutas,
o desespero da vida que nos roubam
- apenas uma angústia melancólica,
sobre a qual sonhareis a idade de ouro.

E, em segredo, saudosos, enlevados6,
falareis de nós - de nós! - como de um sonho.

JORGE DE SENA -  www.letras.ufrj.br

10
1 ode: tipo de poema
2 arguto: capaz de perceber as coisas mais sutis
3 delida: apagada
4 escárnio: desdém, menosprezo
5 odienta: que inspira aversão, ódio

6 enlevados: maravilhados, extasiados

Texto III



            Os textos desta prova tratam da relação do homem com o futuro, tema que ganha foco específico no fragmento abaixo, extraído de uma entrevista com o historiador Eric Hobsbawn.

            Há uma diferença entre esses movimentos de jovens educados nos países do Ocidente, onde, em geral, toda a juventude é fenômeno de minoria, e movimentos similares de jovens em países islâmicos e em outros lugares, nos quais a maioria da população tem entre 25 e 30 anos. Nestes países, portanto, muito mais do que na Europa, os movimentos de jovens são politicamente muito mais massivos e podem ter maior impacto político. O impacto adicional na radicalização dos movimentos de juventude acontece porque os jovens hoje, em período de crise econômica, são desproporcionalmente afetados pelo desemprego e, portanto, estão desproporcionalmente insatisfeitos. Mas não se pode adivinhar que rumos tomarão esses movimentos. Mas eles só, eles pelos seus próprios meios, não são capazes de definir o formato da política nacional e todo o futuro. De qualquer modo, devo dizer que está a fazer-me perguntas enquanto historiador, mas sobre o futuro. Infelizmente, os historiadores sabem tanto sobre o futuro quanto qualquer outra pessoa. Por isso, as minhas previsões não são fundadas em nenhuma especial vocação que eu tenha para prever o futuro.

ERIC HOBSBAWN -  Adaptado de http://historica.me

PROPOSTA DE REDAÇÃO

            A fala do historiador Eric Hobsbawn também apresenta uma reflexão sobre o futuro e suas possibilidades, relacionando o tema à ação da juventude, tradicionalmente considerada o futuro próximo das sociedades.
            A partir da leitura dos textos e de suas elaborações pessoais sobre o tema, redija um texto argumentativo em prosa, com no mínimo 20 e no máximo 30 linhas, em que discuta a seguinte questão:
            É possível, para a juventude de hoje, alterar o futuro?
            Utilize o registro padrão da língua e atribua um título ao seu texto.


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Tema de redação – UERJ – 2011

Tema de redação – UERJ – 2011

Texto I

O sobrevivente

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de cultura.
Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

Texto II


Texto III

Um futuro sombrio

            No romance Fahrenheit 451 (1953), Ray Bradbury imagina um futuro sombrio no qual os bombeiros se dedicam não a apagar incêndios mas sim a queimar livros, especialmente de ficção. Segundo o romance, como se chegou a esse futuro?
            À proporção que a chamada vida moderna se acelerou, os livros se reduziram primeiro a breves resumos de poucas páginas, depois a emissões radiofônicas de quinze minutos, por fim a no máximo dez linhas em um dicionário. As universidades pararam de produzir professores. Em todos os lugares, espalharam-se “joke-boxes”, ou seja: caixas de música que, em vez de tocar música, apenas contam piadas. A palavra “intelectual” se converteu em um xingamento.
            Como as casas não pegavam mais fogo, os antigos bombeiros passaram a ter o trabalho de queimar todos os livros do mundo. Junto com os livros, eles agora queimam também as pessoas que não desistem de ler. Um bombeiro chamado Montag, porém, lê os livros que deveria queimar. Quando chega a vez de queimarem os seus livros e a ele mesmo, consegue fugir. Na fuga, Montag encontra várias pessoas que vivem nas florestas como nômades, ocupando-se em guardar de memória os livros que leram. São bibliotecas ambulantes disfarçadas de mendigos.
            Um deles lhe explica no que eles acreditam: “A coisa mais importante que tivemos de meter na cabeça é que nós não éramos importantes, que não devíamos ser pedantes: nós não nos sentíamos superiores a ninguém mais neste mundo. Somos nada mais do que as capas empoeiradas dos livros, sem qualquer valor intrínseco.” Ao dizer que eles não são “mais do que as capas empoeiradas dos livros”, o homem-livro enfatiza a preocupação de guardar aquilo que torna os seres humanos melhores e maiores.
            Depois de ser apresentado a esses homens, Montag vê que a cidade mais próxima se transforma num clarão. Os Estados Unidos finalmente parecem ter sido atingidos por uma bomba atômica (a cena é imaginada quase quarenta anos antes da queda das torres gêmeas).
            Ao encontrarem os sobreviventes solitários e perdidos, os homens-livros dizem que eles estão ali para lembrar. Eis como pretendem vencer a longo prazo: de tanto recordarem, acabarão por escavar a maior sepultura de todos os tempos para nela enterrar nada mais nada menos do que a guerra. Os livros que começam a devolver às pessoas se revelarão espelhos nos quais todos podem voltar a se observar longamente.

CLÁUDIO CANO - Adaptado de http://blogderesenhas.com.br

Os textos anteriores e o fragmento de entrevista abaixo discutem problemas relacionados às formas contemporâneas de comunicação.

Em entrevista dada ao Diário Digital, o escritor português José Saramago critica o meio de comunicação virtual conhecido como Twitter*.

Diário Digital: O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?
José Saramago: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

http://oglobo.globo.com

PROPOSTA DE REDAÇÃO
           
            A partir da leitura dos textos e de suas reflexões pessoais, redija um texto argumentativo com no mínimo 20 e no máximo 30 linhas, em que desenvolva sua opinião acerca da ocorrência, ou não, de um empobrecimento das formas atuais de comunicação entre as pessoas.
            Utilize o registro padrão da língua e atribua um título ao seu texto.

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ADJETIVO - FLEXÃO DE GRAU

ADJETIVO - FLEXÃO DE GRAU

O adjetivo pode sofrer variações quanto ao grau de duas formas: comparativo e superlativo. Diferentemente do substantivo, não ocorre a flexão de grau por meio do acréscimo de sufixos, a não ser quando da formação do superlativo sintético absoluto do adjetivo.

Grau comparativo

1- Comparação entre características de dois seres diferentes.

Júlio é mais esperto do que Paulo. - Comparativo de superioridade
Júlio é menos esperto do que Paulo. - Comparativo de inferioridade
Júlio é tão esperto quanto Paulo. - Comparativo de igualdade

2- Comparação entre duas características do mesmo ser.

Júlio é mais esforçado do que inteligentes. - Comparativo de superioridade
Júlio é menos esforçado do que inteligente. - Comparativo de inferioridade
Júlio é tão esforçado quanto inteligente. - Comparativo de igualdade

Grau superlativo

O adjetivo pode apresentar variações quanto ao grau de determinada característica de um ser. Caso essa variação seja comparada à mesma qualidade em relação à totalidade de um grupo, ocorre o superlativo relativo; em não havendo a comparação, ocorre o superlativo absoluto, que, por sua vez, divide-se em sintético e analítico.

Grau superlativo relativo

Entre seres de um determinado grupo.

Júlio é o aluno mais esforçado da sala. - Superlativo relativo de superioridade
Júlio é o aluno menos esforçado da sala. - Superlativo relativo de inferioridade

Observe que na tirinha abaixo ocorre uma variação do grau superlativo relativo de inferioridade: "Ele é o menor e o menos experiente da turma".




Grau superlativo absoluto

Absoluto analítico - Forma-se pelo acréscimo, geralmente, de advérbios de intensidade antepostos ao adjetivo.

Exemplos:

Joana é muito estudiosa.
A prova estava extremamente difícil.
Os alunos ficaram imensamente alegres.
O teatro estava excepcionalmente lotado.

Absoluto sintético - Forma-se pelo acréscimo do sufixo "íssimo" ao adjetivo.

Regras para a formação do grau superlativo absoluto sintético

Adjetivos
Grau superlativo absoluto sintético
Regra geral

Original
Fértil
Acrescenta-se "íssimo"

Originalíssimo
Fertilíssimo
Terminados em vogal


Honesto
Alto
Retira-se a vogal final e acrescenta-se "íssimo"

Honestíssimo
Altíssimo
Terminados em "vel"'



Amável
Agradável
Móvel

Exceção: crível - credibilíssimo
O adjetivo recupera sua primitiva forma latina - retira-se o "vel" e acrescenta-se "bilíssimo"

Amabilíssimo
Agradabilíssimo
Mobilíssimo
Terminados em "z"


Sagaz
Feliz
Retira-se o "z" final e acrescenta-se "císsimo"

Sagacíssimo
Felicíssimo
Terminados "ão"


Pagão
Retira-se o "ão" final e acrescenta-se "aníssimo"

Paganíssimo
Terminados em "m"


Bom
Comum
Retira-se o "m" final e acrescenta-se "níssimo"

Boníssimo
Comuníssimo

Há ainda diversos adjetivos que apresentam formas eruditas, derivadas do latim, na formação do grau superlativo sintético absoluto.

Lista de adjetivos com grau superlativo absoluto erudito

Terminados em "íssimo"

Agudo
Acutíssimo
Amargo
Amaríssimo
Amigo
Amicíssimo
Antigo
Antiquíssimo
Benéfico
Beneficentíssimo
Cruel
Crudelíssimo
Doce
Dulcíssimo
Fiel
Fidelíssimo
Frio
Frigidíssimo ou Friíssimo
Geral
Generalíssimo
Inimigo
Inimicíssimo
Magnífico
Magnificentíssimo
Maléfico
Maleficentíssimo
Malévolo
Malevolentíssimo
Módico
Modicíssimo
Nobre
Nobilíssimo
Pessoal
Personalíssimo
Pródigo
Prodigalíssimo
Provável
Probabilíssimo
Sábio
Sapientíssimo
Sagrado
Sacratíssimo
Simples
Simplicíssimo
Sobero
Superbíssimo

Terminados em "érrimo"

Acre
Acérrimo
Áspero
Aspérrimo
Amigo
Cérrimo
Célebre
Celebérrimo
Íntegro
Integérrimo
Livre
Libérrimo
Magro
Macérrimo
(ou magríssimo)
Mísero
Micérrimo
Negro
Nigérrimo
Pobre
Paupérrimo
(ou pobríssmo)
Salubre
Salubérrimo

Terminados em "ílimo"

Ágil
Agílimo
Difícil
Dificílimo
Dócil
Docílimo
Fácil
Facílimo
Frágil
Fragílimo
Humilde
Humílimo

Obs: As gramáticas modernas não costumam orientar os alunos a dobrar o "i" dos formas superlativas dos adjetivos que não sejam monossílabos terminados em ditongo crescente "io". Desse modo, em vez de  "seriíssimo", opte por "seríssimo", e assim por diante.

Exercícios de concursos e vestibulares

1 - (Agente de Telecomunicações – DEMACRO – 2005)  O adjetivo está mal flexionado em grau em:

a) livre: libérrimo b) magro : macérrimo c) doce : docílimo d) triste : tristíssimo e) fácil : facílimo

2 - Não se flexionam os compostos abaixo e qualquer de seus elementos, exceto:

a) azul-claro b) verde-alface c) amarelo-laranja d) castanho-avelã e) azul-marinho

3 - (Investigador – DEINTER – 2004) Assinale a alternativa em que o grau superlativo do adjetivo esteja incorretamente grafado.

a) Mau – péssimo.
b) Frio – frigidíssimo.
c) Humilde – humílimo.
d) Integro – integrésimo.
e) Livre – libérrimo.

4 - (Agente de Telecomunicações – DEMACRO – 2005) Na frase “A prova preambular foi muito fácil.”, indique o grau do adjetivo destacado.

a) Superlativo absoluto sintético.
b) Superlativo relativo de superioridade.
c) Superlativo relativo de inferioridade.
d) Comparativo de superioridade.
e) Superlativo absoluto analítico.

5 - (Auxiliar de Papiloscopista – DECAP – 2005) Os plurais de terno azul-claro e de terno verde-mar são.

a) Ternos azuis-claro e ternos verdes-mares.
b) Ternos azuis-claro e ternos verde-mares.
c) Ternos azul-claros e ternos verde-mar.
d) Ternos azuis-claros e ternos verde-mar.
e) Ternos azul-claro e ternos verde-mar.

GABARITO

1 - C     2 - A     3 - D     4 - E     5 - C


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Texto I

            O texto a seguir é um fragmento da entrevista realizada pela Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro com o escritor e jornalista Laurentino Gomes.

            Como a questão da transgressão das leis está relacionada com a história do Brasil?
            A transgressão das leis existe em qualquer sociedade, produto da tensão entre as necessidades individuais e os interesses coletivos, mas no Brasil o fenômeno se agrava por razões históricas. O Brasil tem uma história de tutelagem e controle, marcada pelo analfabetismo, a pobreza e a falta de cultura, na qual a grande maioria da sociedade não foi chamada a participar da elaboração das leis e da construção das instituições nacionais.
            Até 1808, ano da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, o Brasil era uma colônia atrasada, ignorante e proibida, em que 98% dos habitantes eram analfabetos. Não havia ensino superior e imprensa.
            A circulação de livros era censurada e o direito de reunião para discutir ideias, proibido. De cada três brasileiros, um era escravo. (...) A herança de exclusão se perpetua depois da Independência. A nossa primeira constituição, a de 1824, foi outorgada, ou seja, imposta de cima para baixo. Durante o período monárquico, um pequeno grupo ilustrado tentava conduzir os destinos de todo o resto constituído por uma enorme massa de analfabetos e destituídos. Na República, o fenômeno se repete em inúmeros golpes, quarteladas e ditaduras, em que novamente alguns grupos mais privilegiados tentam tutelar todos os demais.
            E qual o resultado disso?
            O resultado é uma relação de estranheza entre a sociedade, o estado e as instituições que ele representa. Construímos uma cultura transgressora, incapaz de pactuar caminhos e soluções para seu futuro, em que os interesses individuais ou de grupos se sobrepõem ao do conjunto da sociedade. A transgressão das leis é um reflexo dessa herança histórica.
            Na sua opinião, por que o brasileiro não respeita as leis de trânsito quando não está sendo fiscalizado?
            Ainda não conseguimos incorporar por completo em nossa sociedade o conceito de civilização, que se caracteriza pelo respeito nas relações pessoais e pela predominância dos interesses coletivos sobre os individuais. (...) As pessoas só vão respeitar as leis e as instituições quando se reconhecerem nelas. E, para isso, é necessário que participem de sua construção. Mas há também um problema sério de impunidade.
            No fundo, as pessoas sabem que o estado é ineficiente e permeável à corrupção. Quem comete um delito tem grandes chances de não ser punido. Há, portanto, um cálculo de custo-benefício nas infrações. Como resultado da impunidade, a chance de alguém “furar” um sinal de trânsito e não ser punido é bastante grande. Portanto, do ponto de vista do infrator, vale a pena arriscar.
            (...) por que temos leis tão boas (na teoria) e muitas vezes pecamos na prática?
            Há uma enorme dose de hipocrisia nas relações entre a sociedade brasileira e suas instituições. As pessoas criticam a corrupção, a ineficiência e falta de transparência no governo, por exemplo, mas não agem de forma muito diferente nas suas vidas particulares. O mesmo cidadão que critica a corrupção e a troca de favores no Congresso Nacional e acha que todos os políticos são corruptos por natureza, às vezes topa oferecer uma “caixinha” para o policial rodoviário que o flagrou fazendo uma ultrapassagem proibida. É como se houvesse nas relações individuais uma ética superior às coletivas, expressadas na política e no funcionamento das instituições, o que não é verdade.
            Na prática, as instituições nacionais são um espelho da média da sociedade brasileira. O Congresso Nacional nunca será mais corrupto ou menos corrupto do que a média da sociedade brasileira. Deputados e senadores corruptos não caem do céu, mas são eleitos por eleitores que, por ignorância ou convicção, aceitam a prática da corrupção. (...)

Texto II

            O fragmento abaixo compõe um livro que recria, pela ficção, a Bahia do século XVII e tem como personagem central o poeta Gregório de Matos.

            “Esta cidade acabou-se”, pensou Gregório de Matos, olhando pela janela do sobrado, no terreiro de Jesus. “Não é mais a Bahia. Antigamente, havia muito respeito. Hoje, até dentro da praça, nas barbas da infantaria, nas bochechas dos granachas, na frente da forca, fazem assaltos à vista.” (...)
            Às seis horas da manhã, o governador Antonio de Souza de Menezes saiu do palácio. Cruzou a praça central onde ficavam os edifícios da administração: a sede do governo, a prisão, a Câmara, o Tribunal e o Armazém Real. Dirigiu-se à igreja dos jesuítas, para o sacramento da penitência. Gostava de fazê-lo de manhã. Tinha seu padre confessor, da ordem dos franciscanos, mas considerava os jesuítas mais preparados para a orientação religiosa.
            Muitas vezes, ao ajoelhar-se aos pés do sacerdote para fazer suas revelações, gostava de imaginar que quem estava inquirindo seus pecados era o padre Antonio Vieira. Eram suas supremas confissões. Falava sobre todas as iniquidades, transgressões, violações que cometera. (...)
            As pessoas que caminhavam pela praça naquele momento eram, na maioria, negros escravos ou mestiços trabalhadores. Muitos iam para as igrejas. Os sinos chamavam, repicando. (...)
            Os homens, mesmo dentro da igreja, andavam armados de espadas e cotós limpos. Tudo naquela cidade dependia da força pessoal. Já não se enforcavam mais tão comumente os ladrões e os assassinos, tampouco os falsários e os maldizentes. Não havia grandes assaltantes na Bahia, diziam, mas quase todos furtavam um pouquinho. Alguns salteadores de estradas, raros ladrões violentos ou cortadores de bolsas andavam por ali, porém uma desonestidade implícita e constante fazia parte do procedimento das pessoas. Negros fugidos tornavam as estradas e certas ruas mais perigosas. A cobiça do dinheiro ou a inveja dos ofícios, além disso, era um sentimento comum. (...) Todos levavam seus golpes, todos sofriam com as intrigas cruéis e nefandas. Gregório de Matos suspirou. Era muito mais difícil viver ali. Por que voltara? Mascates no terreiro, em volta da igreja, vendiam miudezas. O movimento das ruas aumentava. Passantes dirigiam-se aos jogos, ao campo, para divertir-se ou murmurar contra o governo, criando suas próprias leis e arbítrios. E, mesmo sendo ainda de manhã, alguns vinham trôpegos.

ANA MIRANDA - Boca do inferno. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

O texto e a charge a seguir trazem elementos que se articulam com as discussões levantadas nos textos anteriores acerca da relação entre a sociedade e as suas próprias leis.

O império da Lei

            Como conseguir que todo um povo tenha respeito às leis escritas pelo Estado? O Estado Democrático de Direito é um modelo de Estado inventado por cidadãos dos tempos modernos. Nesse novo tipo de Estado pressupõe-se que os poderes políticos sejam exercidos sempre em perfeita harmonia com as regras escritas nas leis e nos princípios do direito. Todavia, o que temos visto no Brasil e em outras partes do mundo é que muitos cidadãos comuns do povo, bem como também aqueles cidadãos eleitos e/ou aprovados em concurso público para exercerem os poderes do Estado, só obedecem às leis se estas lhes forem convenientes. O que fazer, então? Para início de conversa, teremos todos que saber distinguir perfeitamente o que pertence ao espaço público e o que pertence ao espaço privado. E se você considerar uma lei injusta tome uma posição política contra isso. Lute, pacífica e publicamente, pelo reconhecimento de seu direito e pela mudança da lei.


Adaptado de INÊS DO AMARAL BÜSCHEL, Promotora de Justiça de São Paulo - www.correiodacidadania.com.br

PROPOSTA DE REDAÇÃO

            A partir da leitura dos textos desta prova e de suas reflexões individuais, redija uma dissertação, de 20 a 30 linhas, em que exponha sua opinião a respeito da cultura de transgressão das leis, tão comentada no Brasil de hoje.
            O texto e a charge a seguir trazem elementos que se articulam com as discussões levantadas nos textos anteriores acerca da relação entre a sociedade e as suas próprias leis.

            Utilize o registro padrão da língua e estrutura argumentativa completa. Atribua um título ao seu texto.

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