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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tema de Redação - UFRJ - 2010

Tema de Redação - UFRJ - 2010


Redação

Leia com atenção o fragmento extraído do texto I da prova de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira:

Toda cultura determina de algum modo os papéis dos homens e das mulheres.

Considerando a afirmativa acima e os trechos abaixo, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que você apresente suas reflexões a respeito dos papéis usualmente considerados masculinos ou femininos.

Rigorosamente, os seres humanos nascem machos ou fêmeas. É através da educação que recebem que se tornam homens e mulheres. A identidade social é, portanto, socialmente construída. (p. 10)

(SAFFIOTI, Heleieth I. B. O poder do macho. São Paulo: Moderna, 1987)

É um risco criarmos meninos e meninas de modos idênticos, ensinando que são iguais e têm as mesmas capacidades. Crescerão sem a consciência de que cada ser humano é único e de que deve ser objeto de uma descoberta permanente. E de que há diferenças determinadas por questões biológicas estruturando homens e mulheres em formas de ser distintas. (p. 232)

(PEASE, Allan & PEASE, Barbara. Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?: uma visão científica (e bem-humorada) de nossas diferenças. Trad. Neuza M. Simões Capelo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000)

Foi-se o tempo em que ser mulher ou homem bastava para que um determinado número de atributos fosse conferido. “Aos homens o trabalho, às mulheres a cozinha”; “aos varões o dinheiro, às fêmeas os filhos”. Essas e outras, se não deixaram de ser assertivas verdadeiras, ao menos foram bastante amenizadas em sua incidência social e subjetiva. 

(POLI, Maria Cristina. Feminino/masculino. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007)

ORIENTAÇÕES

1. Evite copiar passagens dos fragmentos apresentados.
2. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua.
3. Redija um texto de 25 a 30 linhas.
4. Não se esqueça de atribuir um título a seu texto.

Texto: "As duas éticas" - Rubem Alves

As duas éticas

            AS DUAS ÉTICAS: a ética que brota da contemplação das estrelas perfeitas, imutáveis e mortas, a que os filósofos dão o nome de ética de princípios, e a ética que brota da contemplação dos jardins imperfeitos e mutáveis, mas vivos -a que os filósofos dão o nome de ética contextual. 
            Os jardineiros não olham para as estrelas. Eles nada sabem sobre as estrelas que alguns dizem já ter visto por revelação dos deuses. Como os homens comuns não veem essas estrelas, eles têm de acreditar na palavra dos que dizem já as ter visto longe, muito longe...
            Os jardineiros só acreditam no que os seus olhos veem. Pensam a partir da experiência: pegam a terra com as mãos e a cheiram... 
"O jardineiro". 1890. Camile Pisarro. 
            Vou aplicar a metáfora a uma situação concreta. A mulher está com câncer em estado avançado. É certo que ela morrerá. Ela suspeita disso e tem medo.
            O médico vai visitá-la. Olhando, do fundo do seu medo, no fundo dos olhos do médico ela pergunta: "Doutor, será que eu escapo desta?"
            Está configurada uma situação ética. Que é que o médico vai dizer?
            Se o médico for um adepto da ética estelar de princípios, a resposta será simples. Ele não terá que decidir ou escolher. O princípio é claro: dizer a verdade sempre. A enferma perguntou. A resposta terá de ser a verdade. E ele, então, responderá: "Não, a senhora não escapará desta. A senhora vai morrer..." Respondeu segundo um princípio invariável para todas as situações.
            A lealdade a um princípio o livra de um pensamento perturbador: o que a verdade irá fazer com o corpo e a alma daquela mulher? O princípio, sendo absoluto, não leva em consideração o potencial destruidor da verdade.
            Mas, se for um jardineiro, ele não se lembrará de nenhum princípio. Ele só pensará nos olhos suplicantes daquela mulher. Pensará que a sua palavra terá que produzir a bondade. E ele se perguntará: "Que palavra eu posso dizer que, não sendo um engano -"A senhora breve estará curada...'-, cuidará da mulher como se a palavra fosse um colo que acolhe uma criança?" E ele dirá:
            "Você me faz essa pergunta porque você está com medo de morrer. Também tenho medo de morrer..." Aí, então, os dois conversarão longamente -como se estivessem de mãos dadas ...- sobre a morte que os dois haverão de enfrentar. Como sugeriu o apóstolo Paulo, a verdade está subordinada à bondade.
            Pela ética de princípios, o uso da camisinha, a pesquisa das células-tronco, o aborto de fetos sem cérebro, o divórcio, a eutanásia são questões resolvidas que não requerem decisões: os princípios universais os proíbem.
            Mas a ética contextual nos obriga a fazer perguntas sobre o bem ou o mal que uma ação irá criar. O uso da camisinha contribui para diminuir a incidência da Aids? As pesquisas com células-tronco contribuem para trazer a cura para uma infinidade de doenças? O aborto de um feto sem cérebro contribuirá para diminuir a dor de uma mulher? O divórcio contribuirá para que homens e mulheres possam recomeçar suas vidas afetivas? A eutanásia pode ser o único caminho para libertar uma pessoa da dor que não a deixará?
            Duas éticas. A única pergunta a se fazer é: "Qual delas está mais a serviço do amor?"

(Rubem Alves)


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Tema de Redação – FAAP – 2013 – 1º semestre - Vagas remanescentes

Tema de Redação – FAAP – 2013 – 1º semestre - Vagas remanescentes

Processo seletivo para vagas remanescentes

REDAÇÃO

            Mudanças na estrutura urbana, na arquitetura, nos meios de comunicação e transporte viriam a alterar profundamente a própria constituição da realidade. Hoje o real é ele mesmo uma questão. As autopistas de alta velocidade – além da informatização – transformam por completo o perfil das grandes cidades e portanto a nossa experiência e nossa maneira de ver O indivíduo contemporâneo é em primeiro lugar um passageiro metropolitano: em permanente movimento, cada vez para mais longe, cada vez mais rápido. Esta crescente velocidade determinaria não só o olhar mas sobretudo o modo pelo qual a própria cidade, e todas as outras coisas, se apresentam a nós.
            A velocidade provoca, para aquele que avança num veículo, um achatamento da paisagem. Quanto mais rápido o movimento, menos profundidade as coisas têm, mais chapadas ficam, como se estivessem contra um muro, contra uma tela. A cidade contemporânea corresponderia a este olhar. Os seus prédios e habitantes passariam pelo mesmo processo de superficialização, a paisagem urbana se confundindo com outdoors. O mundo se converte num cenário, os indivíduos em personagens. Cidadecinema. Tudo é imagem.

Nelson Brissac Peixoto. “O olhar do estrangeiro”. In: O olhar, organização de Adauto Novaes, São Paulo, Companhia das Letras, 1993, pág. 361.

Proposta para Redação:

No texto de Nelson Brissac Peixoto, o autor analisa o olhar e a postura dos que chegam às grandes cidades e precisam de um tempo para se adaptar a elas e à sua dinâmica, pois as metrópoles com a sua diversidade e a sua multiplicidade ofuscam, em um primeiro momento, a percepção daqueles que com ela se deparam, assustando a uns e encantando a outros. Como você vê essa questão?
Desenvolva suas ideias sobre o tema A vida nas grandes cidades, em uma estrutura dissertativa, tendo como suporte para sua discussão o texto de Brissac Peixoto e os demais, que serviram de base para as questões propostas.
Sua dissertação deve compreender, aproximadamente, 25 linhas, obedecer à norma culta da Língua Portuguesa e apresentarse com coesão e coerência.
Dê um título a seu trabalho.

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Tema de Redação – FAAP – 2013 – 1º semestre

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REDAÇÃO

OPÇÃO I

                No aeroporto, com seu notebook na mão (e a lista do supermercado dentro da agenda), a ‘nova mulher’ é a um tempo náufraga de si mesma e pioneira de uma desafiadora utopia.

Lya Luft. In: Rio do meio, São Paulo, Editora Mandarim, pág.67, 1982.

Proposta para Redação:

Tendo como base para sua reflexão o texto acima, de Lya Luft, e também os textos dos quais foram retiradas as questões desta prova, elabore uma dissertação‐argumentativa, colocando seu ponto de vista sobre o tema:

A tecnologia, no tempo presente, trouxe a felicidade que o ser humano esperava?

Busque apoiar‐se no seu universo, no tema dado e nos textos motivadores, dos quais foram extraídas as questões para esta prova, mas não os copie ou se limite a fazer paráfrases para expor suas ideias. Redija um texto com clareza, em torno de 25 linhas e dê um título a ele.
Ao redigir, utilize‐se da norma culta e procure ter coesão e coerência.

OPÇÃO II

Como será o amanhã?

                Estamos em agosto de 2052 e você acorda com a mensagem de uma velha amiga, que envia documentos do passado: uma reportagem antiga, publicada em 2012, ainda no papel feito de árvores. Você se diverte vendo como, em meia dúzia de páginas, o jornalista do passado relata previsões sobre o mundo e o Brasil do futuro, feitas por economistas, empresários, cientistas e formuladores de políticas públicas. Um futuro que, para você, já é hoje.
                Mas à parte a ironia com os furos dos prognósticos, você se põe a comparar a sua realidade em 2052 com aquilo que era imaginado tanto tempo atrás. E enfim, voltando à sua vida em 2012, você reconhece que compartilha das preocupações expressas no texto: como a humanidade vai lidar com a poluição que ela cria? Como substituir a energia não renovável?                 Como produzir comida para todos, combater a miséria, controlar o lixo e garantir o bem‐estar? Como vai ser a economia de um mundo cuja população envelheceu? As cidades, já poluídas, engarrafadas e monstruosas, vão ser habitáveis quando a taxa de urbanização do mundo chegar a 80%? Como vai estar o Brasil nesse quadro?

(Jornal Valor – Eu & Fim de Semana, 17,18 e 19 de agosto de 2012, pág.5/6) (fragmentos)

Proposta para Redação

Tendo por base o texto acima e os demais textos apresentados, a partir dos quais foram elaboradas as questões para esta prova, reflita sobre o momento presente: os nossos hábitos, a nossa postura política e a nossa visão de mundo em relação ao futuro que desejamos para nós e para as novas gerações, tendo como temática:

O futuro pertence à tecnologia ou está em nossas mãos?

O texto resultante deverá ser fruto de suas reflexões e não cópia do material apresentado. Deverá ser redigido em prosa, na estrutura dissertativa, ser coeso e coerente, obedecer à norma culta da língua e ser desenvolvido em torno de 25 linhas.
Dê um título à sua redação.


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Waly Salomão - Poemas

Waly Salomão - Poemas

Novelha cozinha poética

Pegue uma fatia de Theodor Adorno 
Adicione uma posta de Paul Celan 
Limpe antes os laivos de forno crematório 
Até torná-la magra-enigmática 
Cozinhe em banho-maria 
Fogo bem baixo 
E depois leve ao Departamento de Letras
Para o douto Professor dourar.

(Waly Salomão)

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"Cartas de amor" – Moacyr Scliar
"Meu reino por um pente" – Paulo Mendes Campos
"A flor e a náusea" – Carlos Drummond de Andrade

"As duas éticas" – Rubem Alves

Tema de Redação – FAAP – 2012 – 2º semestre - Vagas remanescentes

Tema de Redação – FAAP – 2012 – 2º semestre - Vagas remanescentes

Processo seletivo para vagas remanescentes

REDAÇÃO

Leia atentamente a coletânea de textos abaixo:

                Os projetos de lei conhecidos como SOPA e PIPA ‐ siglas de “Stop Online Piracy Act” e “Protect Intellectual Property Act” ‐ surgiram de um esforço das indústrias fonográfica e de cinema americanas para retomar as vendas que perdem com o compartilhamento gratuito de seus produtos na internet. Bloqueando e punindo os piratas, as companhias imaginam poder ressurgir das cinzas com a venda de conteúdo on‐line.
                (...)
                As leis de combate à pirataria pretendem bloquear o acesso a sites que comercializam conteúdo pirata como música, filmes e livros além de impedir empresas de pagamento de transferir dinheiro para seus donos além de suspender imediatamente publicidade relacionadas a eles. Motores de busca seriam solicitados a apagar links para tais sites dos resultados e provedores seriam obrigados e interromper o acesso ‐ especialmente os estrangeiros.
                Twitter e Facebook, por exemplo, poderiam ser punidos por permitir que usários publiquem conteúdo "proibido" nas redes sociais. Google poderia ser acusada de manter anúncios publicitários e links para sites piratas nos seus serviços de internet.
                Para proteger a propriedade intelectual na web, a nova legislação pretende dar ao governo dos EUA maiores de poderes para punir donos de "sites dedicados à pirataria ou produtos falsificados".
                Se aprovada da forma como foram redigidas, as normas irão obrigar os sites a acharem um meio técnico de impedir a distribuição do conteúdo sob pena de fechamento ou até cinco anos de prisão para os organizadores do portal ou rede social.
                Sem fazer distinção, qualquer site conectado via hiperlink com outro site apontado como pirata pode, a pedido do governo ou de empresas donas do conteúdo como gravadoras, editoras e estúdios de filmes ser banido da internet.
                Produtores de conteúdo e estúdios de cinemas como Disney, Universal, Paramount e Warner Bros. e outros gigantes apoiam a iniciativa. Google, Amazon, Facebook, eBay, Twitter, PayPal, Zynga, Mozilla, entre outras gigante de internet, escreveram cartas ao Congresso e fizeram manifestações on‐line.

[Entenda o que são os projetos de lei antipirataria SOPA e PIPA. http://oglobo.globo.com/tecnologia/entenda‐que‐sao‐os‐projetos‐de‐lei‐antipirataria‐sopa‐pipa‐3701327. Acesso em 18/1/2012]

                A internet é nossa grande praça pública, aquele lugar das sociedades contemporâneas que não existe mais nas cidades nem nas ruas — mas no computador. (...) O esforço para criar controles oficiais na internet é tipico de ditaduras. O esforço para transformá‐la num espaço da iniciativa privada também. Num caso, sacrifica‐se a liberdade em nome de uma ideologia. No outro, sacrifica‐se a liberdade me nome da propriedade. Quem perde é a humanidade. (...) Não sou um fanático do individualismo contemporâneo. Mas vivemos num tempo de autonomia para os indivíduos, que têm espaço para seu pensamento, sua existência, suas escolhas fundamentais e secundárias, sua capacidade de reagir.

[Paulo Moreira Leite. ‘A turma do SOPA não entendeu nada’.
http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/01/21/a‐turma‐do‐sopa‐nao‐entendeu‐nada/. Acesso em 18/1/2012. Com adaptações]

                A produção de conteúdos informativos, artísticos ou de entretenimento demanda trabalho e investimentos. Não dá frutos, como os da natureza, que se podem colher graciosamente. Inviabilizar autores e organizações que se dedicam à criação desses produtos não é um ato libertador, mas uma outra forma de obscurantismo.

[Editorial. ‘Direitos na rede’. Folha de São Paulo, 20/1/2012]

Proposição:


          O mundo virtual está em polvorosa com os esforços políticos internacionais para a aprovação de leis rigorosas contra a pirataria online. Recentemente, projetos de lei polêmicos como o SOPA e o PIPA foram estratégica e temporariamente arquivados pelo Congresso americano. Apesar de fortes protestos, persiste outro projeto de mesma natureza – o Acta (sigla em inglês para Acordo Comercial Antipirataria) ‐ em busca da assinatura do governo de vários países. De um lado, a proteção dos direitos de propriedade intelectual e dos interesses comerciais dos produtores de música, filmes, artigos de moda e uma variedade de outros produtos alvos de pirataria, sobretudo on‐line. De outro, a defesa da liberdade de expressão contra leis que ameaçam o espaço democrático criado pela internet em vinte anos. 

         Considerando a polêmica apresentada e, se achar conveniente, os textos da coletânea acima, bem como os textos que serviram de base para as questões da prova, escreva uma redação de gênero dissertativo, em prosa, obediente à norma culta da Língua Portuguesa, sobre o tema:

Lei Antipirataria Online: Uma Questão de Justiça ou um Risco à Liberdade?

Instruções:

1. Adote um posicionamento claro sobre a questão expressa como tema.
2. Exponha com clareza os argumentos que apoiam o seu posicionamento.
3. Utilize uma focalização mais objetiva, optando pela terceira pessoa ou a primeira pessoa do plural.
4. Empregue somente a modalidade escrita culta da língua portuguesa.
5. NÃO COPIE trechos da coletânea de textos. Utilize‐a de forma crítica, construindo seu próprio discurso a partir das reflexões que ela estimula.
6. Escreva somente a tinta azul ou preta.
7. Dê um título à sua redação.


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Tema de Redação – FAAP – 2012 – 2º semestre

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Redação

Pela honra do mandatário

            O presidente do Equador, Rafael Correa, ganhou uma importante batalha legal contra a liberdade de imprensa em seu país, e deu mais um passo para transformar o seu governo em um regime autoritário. (...)
            A intimidação e a ameaça de instalar a autocensura no mundo da informação, obrigando jornalistas e formadores de opinião a se tornarem censores de si mesmos e a escrever olhando furtivamente ao seu redor, é um método que todos os ditadores modernos praticam.
            O exemplo mais conspícuo na América Latina, depois do caso óbvio de Cuba, é o do comandante Hugo Chaves, da Venezuela, seguido por sua aluna exemplar, a argentina Cristina Kirchner – mais hipócrita, mas mais efetiva do que a anacrônica censura prévia ou o mero fechamento policial de meios de comunicação indomesticáveis.
            O desaparecimento de um jornalismo livre e sua substituição por uma mídia neutralizada e incapaz de exercer a crítica é o sonho, também, das pseudodemocracias demagógicas e devastadas pelo populismo.

(Mario Vargas Llosa – Jornal O Estado de S. Paulo, 4 de março de 2012, A 16)

Proposta para Redação:

A partir do texto acima e, também, dos textos que serviram de base para as questões desta prova, busque refletir acerca da temática da liberdade de expressão na contemporaneidade, expressando as ideias que a leitura desses autores suscita, assim como a sua visão de mundo sobre essa questão.
O texto resultante de suas reflexões deverá ser em prosa, na estrutura dissertativa, obedecendo à norma culta da língua e em torno de 25 linhas.
Dê um título à sua redação.


Texto: "Cartas de amor" - Moacyr Scliar

Cartas de amor

            Eu era aluno do Júlio de Castilhos e estudava à tarde (as manhãs, naquela época, estavam reservadas às turmas femininas). Um dia cheguei para a aula, coloquei meus livros na carteira e ali estava, bem no fundo, um papel cuidadosamente dobrado. Era uma carta; dirigida não a mim, mas "ao colega da tarde". E era uma carta de amor. De amor não; de paixão. Paixão fogosa, incontida, transbordante, a carta de uma alma sequiosa de afeto. À qual o jovem escritor não teve a menor dificuldade de responder. 
"In thought". Josef Kote.

             Iniciou-se assim uma correspondência que se prolongou pelo ano letivo, não se interrompendo nem com as provas, nem com as férias de julho. À medida que o ano ia chegando a seu fim, os arroubos epistolares iam crescendo. Cheguei à conclusão de que precisava conhecer a minha misteriosa correspondente, aquela bela da manhã que me encantava com suas frases. 
            Mas... Seria realmente bela? A julgar pela letra,sim;eu até a imaginava como uma moça esguia, morena, de belos olhos verdes. Contudo, nem mesmo os grandes especialistas em grafologia estão imunes ao erro, e um engano poderia ser trágico. Além disto, eu já tinha uma namorada que não escrevia, mas era igualmente fogosa.
           Optei, portanto, pelo mistério, pelo "nunca te vi, sempre te amei". A minha história de amor continuou somente na fantasia. Que é o melhor lugar para as grandes histórias de amor.

(Moacyr Scliar, in "Minha mãe não entende nada")


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Processo seletivo para vagas remanescentes

REDAÇÃO

Leia atentamente o texto a seguir:

....................
            Em contraste com o amor fraterno e o amor erótico, que são amor entre iguais, a relação de mãe e filho é, por sua própria natureza, de desigualdade; nela, um necessita de toda a ajuda, o outro a dá. Por esse caráter altruísta, abnegado, é que o amor de mãe tem sido considerado a mais alta espécie de amor, o mais sagrado de todos os laços emocionais. Parece, porém, que a concretização real do amor materno não está no amor da mãe pela criancinha, mas em seu amor ao filho que cresce. De fato, a vasta maioria das mães compõese de mães amorosas enquanto o filho é pequenino e ainda completamente dependente delas. A maioria das mulheres quer filhos, sentese feliz com o recémnascido, ansiosa em seu cuidado com ele.
....................
            O filho, porém, deve crescer. Deve sair do ventre da mãe, do seio da mãe; deve acabar por tornarse um ente humano completamente separado. A própria essência do amor materno é cuidar do crescimento do filho, e isso significa querer o filho separado dela mesma. Aqui está a diferença básica em relação ao amor erótico. No amor erótico, duas pessoas que eram separadas tornamse uma. No amor materno, duas pessoas que eram uma tornamse separadas. A mãe não só deve tolerar como deve desejar e ajudar a separação do filho. Só nessa etapa é que o amor materno representa uma tarefa tão difícil que requer abnegação, a capacidade de dar tudo e nada querer senão a felicidade do ente amado. É também nessa etapa que muitas mães falham em sua tarefa de amor materno. A mulher narcisista, dominadora, possessiva pode conseguir ser mãe "amorosa" enquanto o filho é pequenino. Só a mulher realmente amorosa, a que é mais feliz em dar do que em receber, firmemente alicerçada em sua própria existência, só esta consegue ser mãe amorosa quando o filho se acha no processo da separação.

"A Arte de Amar" – Erich Fromm

Dissertação

Você concorda com as idéias defendidas pelo autor ou discorda delas?
Siga o seguinte roteiro:
Comece dando sua opinião;
Use argumentos para comprovar aquilo que alega. Os argumentos devem ser convincentes;
Conclua, mostrando ao leitor que sua opinião é a mais justa e humana.
Note: Não fuja do roteiro: Posição ideológica, argumentos e conclusão.
Dê um título a sua dissertação.


Tema de Redação – FAAP – 2012 – 1º semestre

Tema de Redação – FAAP – 2012 – 1º semestre

REDAÇÃO

Leia com atenção, o texto de Gilberto Dimenstein, publicado no Jornal Folha de São Paulo, de 10/04/2011. Com apoio nas informações fornecidas pelo texto, redija uma dissertação em que você vai concordar ou discordar do autor.

Defina, de forma inequívoca, o seu ponto de vista.
Fundamente a perspectiva adotada.
Apresente um texto constituído por três partes: introdução, desenvolvimento, conclusão.
Trate, sem desvios, o tema proposto.

O livro de papel já morreu? - Gilberto Dimenstein

            O fim do livro de papel é tido como uma questão de tempo. Isso significa que as livrarias vão desaparecer? Para quem, como eu, tem prazer de andar por livrarias e sentir o papel, essa é uma pergunta incômoda. Andando aqui no metrô, vemos quanta gente aderiu ao livro eletrônico. Algumas escolas resolveram aposentar os livros didáticos de papel, usando até o argumento de que, assim, deixam as mochilas mais leves e preservam a saúde dos estudantes. Comemorase até o fato de que, com os novos aparelhos, cresce a venda entre os mais jovens.
            Com o aumento do consumo dos ebooks, surgiu um mercado paralelo legal e clandestino de distribuição de arquivos.
            Está acontecendo com os escritores o que, no passado, ocorreu com os músicos, quando surgiu o Napster. Depois de muita briga por causa da troca clandestina de arquivos, começaram a reinventar um novo modelo de negócios. Mas cada vez se ganha menos dinheiro vendendo CDs aliás, quase ninguém mais vende CDs. Assim como os mais jovens já não usam mais relógios de pulso. Nem email. A onda de aplicativos está tornando até obsoleta a internet do www.
            Os músicos podem compensar a queda da renda fazendo shows. O que os escritores deveriam fazer?
            Palestras remuneradas?
            Podemos não gostar quando uma mudança tecnológica nos afeta, mas adoramos poder falar pelo Skype sem pagar a ligação telefônica.
            Não é tão diferente assim dos desafios do jornal que se estruturam para cobrar os conteúdos digitais. É um desafio que atinge as escolas. Os conteúdos das matérias já podem ser encontrados na internet, algumas vezes com recursos mais interessantes e provocativos do que os dados em sala de aula. O Media Lab, do MIT, desenvolveu uma plataforma (Scratch) em que as próprias crianças fazem seus jogos e trocam suas criações pelo mundo aliás, o MIT desenvolveu conteúdos gratuitos só para o ensino médio.
            Como a transmissão do conhecimento não para de crescer, os modelos de negócio, depois do baque, vão se reinventando, gerando perdedores e ganhadores. Alguém poderia imaginar que jornais pagariam parte dos salários dos jornalistas com base no número de clicks em suas páginas ou matérias na internet? Estudos têm mostrado que, depois da onda provocada pelo Napster, não diminuiu a produção musical pelo mundo e a produção de aplicativos foi estimulada.
Um caso está correndo aqui em Harvard, onde ganha força um ambicioso projeto para criar a maior biblioteca digital do mundo, que é acessível a todos. A pretensão é nada menos do que selecionar todo o conhecimento já produzido pela humanidade. Uma das inspirações é a Europeana, na qual se encontra 15 milhões de versões digitais de livros e obras de arte.
            Além de Harvard, estão aderindo ao projeto as maiores universidades americanas com seus monumentais acervos de livros, além da biblioteca do Congresso americano. Representantes da Apple, Microsoft e Google estão participando dos encontros.
            Os livros de papel, os CDs e até as escolas tradicionais podem morrer. Mas o conhecimento está cada vez acessível.

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