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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Temas de redação – Unicamp – 1998

Temas de Redação - 1ª Fase – Unicamp – 1998


ORIENTAÇÃO GERAL

Há três temas sugeridos para redação. Você deve escolher um deles e desenvolvê-lo conforme o tipo de texto indicado, segundo as instruções que se encontram na orientação dada para cada tema. Assinale no alto da página de resposta o tema escolhido.

Coletânea de textos:

Os textos foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados, opiniões e argumentos relacionados com o tema. Eles não representam a opinião da banca examinadora: são textos como aqueles a que você está exposto na sua vida diária de leitor de jornais, revistas ou livros, e que você deve saber ler e comentar. Consulte a coletânea e utilize-a segundo as instruções específicas dadas para cada tema. Não a copie. Ao elaborar sua redação, você poderá utilizar-se também de outras informações que julgar relevantes para o desenvolvimento do tema escolhido.

ATENÇÃO: SE VOCÊ NÃO SEGUIR AS INSTRUÇÕES RELATIVAS AO TEMA QUE ESCOLHEU, SUA REDAÇÃO SERÁ ANULADA.

TEMA A

No mundo contemporâneo, imagens são criadas e divulgadas pela mídia graças à tecnologia; tudo vem sendo reduzido à imagem, ao espetáculo, num processo que afeta fortemente nossa vida e culmina na produção de realidades virtuais. Levando em conta os trechos abaixo, escreva um texto dissertativo no qual você discutirá a seguinte questão:

Supervalorizar a imagem é desvalorizar o homem?

1. Faz poucos anos, num debate sobre o poder da televisão, numa biblioteca pública da periferia paulistana, um homem da plateia pediu a palavra para dar o seu depoimento. Contou que sua filha, de 5 anos de idade, depois de ser repreendida pela mãe, reagiu gritando: “Não sou mais sua filha. Agora eu sou filha da Xuxa”. A mãe de verdade, “demitida” assim de repente, ficou sem reação.(...) O cotidiano infantil de nossos dias já não é demarcado apenas por coisas corpóreas, como o estilingue, a bola de futebol, a mãe ou o pai. Em grandes extensões, ele é dado por objetos imaginários, como os cavaleiros do zodíaco, os filmes policiais e até mesmo a Xuxa, que, na imaginação daquela telespectadora tão pequena, tinha assumido o lugar da mãe.

Eugenio Bucci, Veja, 21/5/97

2. Você sabe o que é um Tamagotchi? É um brinquedinho eletrônico que cabe na mão (e na cabeça) de qualquer criança. É como se o bichinho eletrônico fosse de verdade. Você tem que tomar conta dele, mexendo nos comandos eletrônicos. Dar comida, colocar para dormir, ver se está com febre, dar remédios, fazer carinho. Coisa de japonês, com certeza.

Mario Prata, ISTOÉ, 3/9/97

3. Quando se fala de realidades virtuais, coloca-se em geral a ênfase sobre o caráter fantasmático e imaterial de tais dimensões da experiência: este pressuposto é partilhado tanto pelos apologistas da nova tecnologia virtual, que a celebram como um modo de dissolver, de enfraquecer ou de espiritualizar a realidade, quanto pelos críticos, que a interpretam como mais um engano, como evasão, que nos exime das responsabilidades e dos perigos do presente, projetando-nos em um mundo evanescente e desencarnado. Tanto uns quanto os outros dão como certo que as realidades virtuais não são realidades verdadeiras, mas sim sistemas de representação da realidade cujo lugar pretendem assumir. Esta aspiração é vista pelos apologistas como uma espécie de liberação das angústias e dos limites da realidade; pelos críticos como uma espécie de fuga culpada. Mas a realidade não é algo óbvio e imóvel! Hoje a virtualidade não aumenta a dimensão da precariedade do real, mas sim a reduz; ela faz com que o homem da época da representação passe para a da disponibilidade: as coisas virtuais estão constantemente a nossa disposição. Tudo é oferecido e esta oferta de tudo é que constitui a virtualidade.

Mario Perniola, O sex appeal do inorgânico, Einaudi, 1994, p.38

4. Esta é, basicamente, uma história sobre a sociedade moderna e global. É a mídia moderna. A televisão, a imprensa, as fotos e todo o resto. Todos deram uma ultra-importância para o tipo de coisa que sempre atraiu o interesse de muita gente: fofocas. O tratamento dado a Diana é uma espécie de ápice da multiglobal sociedade da mídia. Basicamente, o que temos aqui é a ultramagnificação de uma espécie de telenovela. Uma telenovela que termina em tragédia. Uma mulher jovem, rica e bonita morta junto com seu namorado repentinamente. Esta sociedade da mídia global tornou possível a esta princesa exercitar muito bem sua simpatia à caridade e a projetos como o de combate às minas terrestres. Ela e seus projetos foram eficazes porque foram imediatamente globalizados pela mídia.

Eric Hobsbawm, Folha de São Paulo, 3/9/97

5. O americano Lloyd Dubroff teve apenas alguns segundos para se arrepender da maior besteira de sua existência - uma besteira que matou sua filhinha de 7 anos, Jessica, e custou-lhe a própria vida.(...) Há cinco meses colocou a garotinha num curso de pilotagem e a desafiou a se tornar a pessoa mais jovem a atravessar os Estados Unidos de costa a costa no comando de um avião (os americanos adoram esse tipo de proeza). (...) A travessia, a bordo de um Cessna monomotor de quatro lugares, começou na quarta-feira passada, na Califórnia. O primeiro dia foi bem. Na manhã seguinte, dia 11, aconteceu a tragédia: o avião espatifou-se num bairro residencial (...). Jessica, o pai e o instrutor de vôo Joe Reid morreram na hora.

Veja, 17/4/96

6.

7. Como toda febre muda o comportamento das pessoas, a “tamagoshimania” criou polêmica.(...) Mas ainda é cedo para afirmar se eles são bons ou ruins para a gente. “Só após três ou quatro anos de convívio comum é que dá para fazer uma avaliação do efeito”, diz o psiquiatra Haim Grünspun, que por muito tempo acompanhou a mania de Barbie. “Assim como a boneca, o bichinho virtual poderá, com o tempo, desenvolver a afetividade e a responsabilidade das pessoas”, explica o médico.

Estadinho, O Estado de São Paulo, 30/8/97

8. O publicitário Duda Mendonça, responsável pela recuperação da imagem do atual prefeito e por gerar uma imagem para seu candidato, considera que a principal distinção entre um candidato e um hambúrguer é que o segundo não fala, não tem passado.

José AugustoGuilhon de Albuquerque, “A pata e a galinha” , Folha de S.Paulo, 29/9/96

9. A realidade virtual: sistema que permite ao usuário “entrar e interagir” com uma imagem.As primeiras áreas a se beneficiarem da realidade virtual deverão ser o setor de entretenimento, a educação e a simulação de desenvolvimento de projetos. O projeto do Boeing 777 foi inteiramente montado dentro desse conceito e chegou ao final sem nenhum erro de concepção.

Luiz Nassif, “Tecnologia e educação no futuro”, Folha de S.Paulo, 8/9/1997

TEMA B

Entre os papéis da minha família, foi encontrada esta carta, que traz no final o nome Anita de G., uma tia-avó, já falecida

Laguna, 23 de fevereiro de 1948

Meu bom marido

Saudações.

Recebi a sua cartinha a qual me pareceu bastante lacônica, e na qual me diz que chegou sem novidade, que o Rio está uma formosura, etc. etc. Avalio o quanto não se terá por aí divertido, esquecido de nós que continuamos aqui nesta triste solidão. Rogo que termine o mais breve possível o que tem que fazer e volte. As saudades são muitas. Não se esqueça de trazer alguma coisa bonita e de novidade, principalmente os últimos figurinos porque os que aqui há estão fora de moda. Retribuindo-lhe o seu abraço e desejando-lhe saúde, sou sempre a sua boa e querida mulher

Anita de G.

Os jovens da família, ao ler a carta, entenderam-na literalmente. Já os mais velhos, contemporâneos de tia Anita e da carta, sabem que esta é cópia de um modelo disponível em um livro muito difundido na época: O Secretário Moderno ou Guia indispensável para cada um se dirigir na vida sem auxílio de outrem, de J. Queiroz (Ed. do Povo Ltda., Rio de Janeiro, 1948). Sabem também que a leitura da carta não pode ser literal, mas tem que ser feita à luz de uma série de acontecimentos.

Invente uma história narrando os acontecimentos que tornam inadequada a leitura literal da carta.

TEMA C

O empresário Antonio Ermírio de Moraes escreveu o artigo abaixo (Folha de São Paulo, 3/8/97) em que se manifesta sobre a sujeira na cidade de São Paulo. Leia o artigo com atenção e reflita também sobre o que está sugerido nas entrelinhas a propósito de pobreza, cidadania, limpeza, ação governamental, etc

Até quando, São Paulo?

Os leitores têm todo o direito de se queixar quando volto a um mesmo assunto.
Acontece que o retorno ao tema decorre da persistência do problema. Refiro-me à imundície que campeia na cidade de São Paulo.
Muita gente confunde pobreza com sujeira. Nada mais errado. As pessoas humildes são exatamente as que mais valorizam o asseio, a higiene e a limpeza.
Você já notou como é generalizado o banho dos trabalhadores da construção civil depois de uma jornada de trabalho?
Você já reparou como são bem areadas as panelas das donas-decasas dos domicílios das periferias?
Você já observou a brancura das camisas e blusas dos uniformes dos seus filhos?
O que se vê na capital de São Paulo é fruto de puro abandono e total falta de autoridade.
São pessoas imundas que emporcalham a cidade como prova da sua selvageria e reflexo da insensibilidade dos governantes.
Uns defecam nos jardins. Outros cozinham debaixo dos viadutos. Há ainda os que penduram a roupa encardida nos galhos das árvores. Tudo a céu aberto e no maior acinte aos cidadãos que aqui vivem.
Na ausência de um plano diretor para cuidar da habitação, avoluma-se o número de pessoas que, usando tábuas, papelão e até embalagens de geladeiras, vão se mudando definitivamente para debaixo das pontes, onde passam a residir “tranquilamente” no meio de escandalosa sujeira.
O mais espantoso é ver as autoridades municipais e estaduais consentirem com a multiplicação desses chiqueiros que, na verdade, são uma verdadeira provocação aos que pagam altos impostos e que têm o direito de exigir um mínimo de higiene na cidade em que habitam e trabalham.
 Já passou bastante da hora de as autoridades agirem. Elas estão atrasadas há vários anos - mas têm de agir.
Não é justo que a população como um todo seja submetida a um ambiente tão vergonhoso e deprimente como é o de São Paulo.
Não sou saudosista a ponto de querer voltar ao tempo do prefeito Faria Lima, quando o símbolo da capital era uma bela rosa.
Mas também não acho correto submeter um povo trabalhador a uma cidade imunda e abandonada.
Afinal, esse povo está seguindo as regras democráticas, comparece às eleições e escolhe ordeiramente os seus vereadores, prefeitos e governadores.
É hora de eles realizarem mais trabalho e menos política, limpando esta cidade que já foi orgulho do nosso país. Mãos à obra!

A partir da leitura e da sua reflexão sobre os implícitos, e imaginando que você discorda do articulista, escreva-lhe uma carta, na forma de um texto argumentativo, na qual você exponha as razões de sua discordância.

ATENÇÃO: AO ASSINAR A CARTA, USE INICIAIS APENAS, DE FORMA A NÃO SE IDENTIFICAR.

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