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sexta-feira, 26 de julho de 2013

PROVA COMENTADA – DETRAN – SP – 2006

PROVA COMENTADA – DETRAN – SP – 2006


CONCURSO PÚBLICO DE INGRESSO À CLASSE DE OFICIAL ADMINISTRATIVO – PROVA PREAMBULAR

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Para as questões de números 1 a 9, assinale a alternativa que preencha corretamente as lacunas das frases.

1. É preciso que se ________ as ________ da prova.

a) comente - questões.
b) comente - questãos.
c) comentem - questões.
d) comente - questoens.
e) comentem - questoens.

RESPOSTA: C 

Comentário: O verbo “comentar”, por ser transitivo direto, deve ir ao plural para efetuar a concordância com “as questões”.

GABARITO OFICIAL: C

2. Sempre que _______ sua presença, sou _______.

a) requeiro - menosprezado.
b) requero - menospresado.
c) requero - menospresado.
d) requeiro - menospresado.
e) requero - menuspresado.

RESPOSTA: A 

Comentário: A conjugação do verbo irregular “requerir” fica “requeiro” na primeira pessoa do singular do presente do indicativo. “Menosprezado” se escreve com z.

GABARITO OFICIAL: A

3. Se os professores _______ na _______, os ânimos _______ apaziguados.

a) intervirem - discução - serão.
b) intervierem - discussão - será.
c) intervirem - discusão - seram.
d) intervierem - discussão - serão.
e) intervissem - discução - serião.

RESPOSTA: D 

Comentário: O verbo intervir é derivado de vir e deve seguir a conjugação do verbo original: se os professores vierem – se os professores intervierem. Sujeito e verbo devem concordar na terceira lacuna.

GABARITO OFICIAL: D

4. Como __ anos sentara-se todos __ mesa e começaram __ conversar.

a) a - a - a.
b) há - à - a.
c) a - a - à.
d) há - a - à.
e) à - à - à.

RESPOSTA: B 

Comentário: O verbo "haver" indica tempo na primeira lacuna; na segunda deve-se usar o acento grave indicador de crase; na terceira, nunca se coloca acento indicador de crase antes de verbo.
Questão com erros no enunciado. O verbo “sentar” deve obrigatoriamente concordar com o sujeito e faltou ainda uma vírgula após o adjunto adverbial. A forma correta do enunciado ficaria “Como ___ anos, sentaram-se todos ___ mesa e começaram __ conversar”.

GABARITO OFICIAL: B

5. A arma _______ se feriu foi _______.

a) de que - aprendida.
b) com que - apreendida.
c) que - aprendido.
d) com a qual - aprendido.
e) de que - apreendida.

RESPOSTA: B 

Comentário: Dispensa comentários. Questão facílima.

GABARITO OFICIAL: B

6. Por favor, passe _____ lápis que está perto de você: _____ aqui não serve para _____ desenhar.

a) aquele - este - mim.
b) aquele - esse - eu.
c) este - este - mim.
d) esse - esse - mim.
e) esse - este - eu.

RESPOSTA: E 

Comentário: O uso dos demonstrativos deve levar em consideração o falante e o seu interlocutor. “Esse” usado para o objeto perto do interlocutor; “este” usado em relação ao objeto próximo ao falante. Na terceira lacuna, deve-se usar o pronome pessoal do caso reto “eu” como sujeito da oração.

GABARITO OFICIAL: E

7. Ainda ____ agressiva, mas com _____ violência, proferia insultos para ____ os presentes.

a) meia - menos - escandalizar.
b) meia - menos - escandalisar.
c) meio - menos - escandalizar.
d) meio - menos - escandalisar.
e) meio - menos - escandalizar.

RESPOSTAS: C ou E

Comentário: Questão pessimamente formulada!
Não há o menor sentido em deixar em branco a segunda palavra, uma vez que todas as alternativas apresentam A MESMA resposta: “menos”. Duas lacunas seriam suficientes. Além disso, ainda há duas respostas idênticas, justamente as que estão corretas.

GABARITO OFICIAL: E – GABARITO COM ERRO! CABERIA RECURSO!

8. Eu, você, Joana e os outros ________ sair logo depois do comício, tão logo a multidão se _______, para que ________ andar mais livremente.

a) poderão - dispersem - possamos.
b) poderam - dispersem - poçamos.
c) poderão - disperse - possam.
d) poderemos - disperse - possamos.
e) poderemos - dispersa - possamo.

RESPOSTA: D 

Comentário: Os verbos das segunda e terceira lacunas devem seguir a conjugação do subjuntivo.

GABARITO OFICIAL: E – GABARITO COM ERRO! CABERIA RECURSO!

9. Choveu durante a noite, _______ as ruas estão molhadas.

a) por isso.
b) embora.
c) a fim de que.
d) enquanto.
e) quando.

RESPOSTA: A 

Comentário: Oração Coordenada Conclusiva. A locução conjuntiva “por isso” poderia ser substituída tranquilamente por “portanto” ou “logo”. Como a frase está descontextualizada, daria margem a outras interpretações, sendo possíveis, por uma mera questão gramatical, até mesmo as alternativas “d” e “e”.

GABARITO OFICIAL: D – GABARITO COM ERRO! CABERIA RECURSO!

10. Assinale a alternativa em que a palavra grifada não está empregada em sentido figurando.

a) Do mar de meus afetos, ofereci-lhe os mais belos frutos.
b) Meu concorrente foi a primeiro pedra em meu caminho.
c) Minha mãe e eu ficamos cercados de saias.
d) O uivo forte dava-nos a ideia do enorme porte do animal.
e) As ventarolas das palmeiras e os leques das bananeiras abanam devagar.

RESPOSTA: D 

Comentário: A palavra “uivo” está sendo usada no sentido denotativo, literal. Mais uma vez há um erro no enunciado. A forma correta seria “sentido figurado”, e não “sentido figurando”.

GABARITO OFICIAL: D

11. Não há sentido figurado em:

a) O sabiá é uma ave.
b) O pavão é um arco-íris de plumas.
c) O importante é achar as palavras que o violão pede e deseja.
d) O vento voa e a noite se atordoa.
e) A madrugada vem sorrindo através dos montes.

RESPOSTA: A

Comentário: Desta vez o enunciado ficou correto. A única alternativa no sentido literal é a “a”.

GABARITO OFICIAL: A

12. Em: “João era generoso, perdulário e extrovertido.”, as palavras grifadas podem ter como
antônimos, respectivamente,

a) bondoso, maldoso e gastador.
b) bonzinho, maldoso e experiente.
c) mesquínho, econômico e experiente.
d) folgado, gastador e mau.
e) ranzinza, rabugento e teimoso.

RESPOSTA: C 

Comentário: Outra questão com problemas.  Os antônimos de “generoso” (aquele que pratica o bem, a generosidade) e “perdulário” (aquele que gasta demais) estão claramente definidos: “mesquinho” e “econômico”.  Sendo assim, a única resposta cabível é a alternativa “c”, porém indicar a palavra “experiente” como antônima de “extrovertido” (aquele que é sociável, comunicativo) não faz o menor sentido.

GABARITO OFICIAL: C

13. Os sinônimos de ratificar, discriminar e deferir podem ser, respectivamente,

a) confirmar, distinguir e atender.
b) corrigir, preconceber e negar.
c) desdizer, absolver de crime e atender.
d) Confirmar, perseguir e discordar.
e) Corrigir, inocentar e concordar.

RESPOSTA: A

Comentário: Bastava ao concursando não confundir as palavras do enunciado com suas parônimas “retificar”, “descriminar” e “diferir”.

Ratificar
Confirmar, tornar válido
Retificar
Corrigir
Descriminar
Inocentar, deixar fora da esfera criminal
Discriminar
Distinguir
Deferir
Despachar favoravelmente
Diferir
Adiar, transferir

Confiram o post sobre as palavras homônimas e parônimas aqui no blog:
GABARITO OFICIAL: A

14. Assinale a alternativa que apresenta incorreção.

a) As mãos do menino estavam sujas.
b) Os laudos estão anexos ao processo.
c) Os papéis estão sobre a mesa.
d) Os projéteis foram cuidadosamente recolhidos.
e) Os cidadãos estão assustados.

RESPOSTA: QUESTÃO SEM RESPOSTA! TODAS AS ALTERNATIVAS ESTÃO CORRETAS.

GABARITO OFICIAL: E – GABARITO COM ERRO! CABERIA RECURSO!

15. Indique a alternativa em que todas as palavras são formadas por sufixação.

a) felizmente, gritaria e dentada.
b) desleal, incerteza e casebre.
c) fornalha, lentamente e conter.
d) bendizer, abuso e transparente.
e) prazer, reforma e língua.

RESPOSTA: A

Comentário: Todas as palavras da alternativa “a” foram formadas por derivação sufixal: Feliz – felizmente; grito – gritaria; dente – dentada.

GABARITO OFICIAL: A

16. Assinale a alternativa em que não há erro de flexão.

a) As crianças surdas-mudas brincam no parque.
b) Elas têm blusas azuis-marinhas.
c) As patas das crianças eram amarelo-ouro.
d) As festas cívica-religiosa são frequentes naquela cidade.
e) Os guadas-noturna foram atacados no confronteo

RESPOSTAS: A e C 

Comentário: Mais uma questão com problemas nas alternativas. O adjetivo composto “surdo-mudo” deve variar os dois elementos em gênero e grau: surdo-mudo – surdos-mudos, surda-muda – surdas-mudas; e o adjetivo amarelo-ouro permanece invariável. As duas alternativas estão corretas. Nas outras alternativas, as formas corretas seriam: azul-marinho, cívico-religiosas e guardas-noturnos. Atente-se ainda ao absurdo que é a alternativa "e".

GABARITO OFICIAL: C – GABARITO COM ERRO! CABERIA RECURSO!

17.  Assinale a alternativa em que as palavras são acentuadas de acordo com a mesma regra de acentuação.

a) ciúme - egoísta- saída.
b) dominó - pátria - baú.
c) sabiá - hífen - refém.
d) avô - temática - só.
e) caráter - temática - só.

RESPOSTA: A

Comentário: Todas são paroxítonas formadas por hiato tônico.

GABARITO OFICIAL: A

18. Assinale a alternativa que apresenta pontuação correta.

a) A menina, estudou muito.
b) - Você, é , daqui mesmo perguntei.
c) - Sou, sim senhor respondeu, garoto.
d) Meus olhos, devido à fumaça, ardiam e lacrimejavam muito.
e) A terra o mar o céu tudo, apregoa, a glória de Deus.

RESPOSTA: D 

Comentário: Adjunto adverbial entre vírgulas, alternativa "d" está correta.
As formas corretas das outras alternativas seriam:
a – A menina estudou muito;
 - Você é daqui mesmo, perguntei.
 - Sou, sim, senhor; respondeu o garoto.
e – A terra, o mar, o céu, tudo apregoa a glória de Deus.

GABARITO OFICIAL: D

19. Assinale a alternativa gramaticalmente correta quanto à concordância verbal e nominal.

a) Duzentas gramas de queijo são demais para fazer a torta.
b) A gente fomos ao teatro no domingo, e lá haviam conhecidos nossos na sala de espera.
c) Fazem dez anos que ele trabalha na empresa.
d) É proibido a entrada de pessoas estranhas.
e) Já é meio-dia e meia; faltam poucos minutos para começar a sessão.

RESPOSTA: E

Comentário: Concordâncias nominais e verbais corretas na alternativa "e".

As formas corretas das outras alternativas seriam:
a-Duzentos gramas
b- Nós fomos
c- Faz dez anos
d- É proibida

GABARITO OFICIAL: E

20. Assinale a alternativa gramaticalmente correta quanto à regência verbal.

a) O filme o qual gostou foi premiado.
b) O cargo a que aspiras e muito importante.
c) Os textos os quais não temos cópias são aqueles cujo conteúdo ele se fixou.
d) Todos assistiram o espetáculo.
e) Estas são as pessoas que acredito.

RESPOSTA: B

Comentário: O verbo aspirar é transitivo indireto no sentido de almejar. Outra questão que contém erro na resposta. O verbo assistir é transitivo indireto no sentido de ver, observar. A forma correta ficaria: “Todos assistiram ao espetáculo”.

GABARITO OFICIAL: D – GABARITO COM ERRO! CABERIA RECURSO!


Prova pessimamente formulada! Repleta de erros nos enunciados e nas respostas!
Esta prova está disponível em diversos sites da web. Todos trouxeram o mesmo gabarito oficial. Em nenhum deles a prova foi analisada e comentada.
Ainda que a prova seja do ano de 2006, custa acreditar que uma instituição pública como o DETRAN tenha aplicado uma prova tão antiquada e descontextualizada.
O concursando poderia ter entrado facilmente com recurso em relação às questões 7, 8, 9, 14, 16 e 20. Seis questões em um total de 20, quase um terço da prova com gabarito errado.
Na próxima semana, corrigirei uma prova do DETRAN aplicada no estado do Rio de Janeiro. Como sei que foi elaborada pelo instituto EXATUS, instituição com larga experiência na elaboração de avaliações para concursos, certamente a prova não apresentará nenhum dos problemas aqui mencionados.

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Texto: “Meu coração” – Caio Fernando Abreu

Meu coração

Passei o dia pensando – coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com – cor, ação – repetido, invertido – ação, cor – sem sentido – couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:
Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe. 
"Boy painting a pink heart". Banksy
Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.
Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.
Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.
Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.
Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.
Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se pôs. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.
Meu coração é um anjo de pedra com a asa quebrada.
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.
Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar será feliz para sempre.
Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: “I´m too pure for you or anyone”. Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A plateia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.
Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.
Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam por destruir tudo.
Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.
Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos – ai de mim! ai, ai de mim!
Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Vega. Levam junto quem me ama, me levam junto também.
Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso – vasto, vivo: meu coração é teu.

(Caio Fernando Abreu in “Pequenas Epifanias”)

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Temas de redação – Unicamp – 1999

Redação - 1ª Fase – Unicamp – 1999


ORIENTAÇÃO GERAL

Há três temas sugeridos para redação. Você deve escolher um deles e desenvolvê-lo conforme o tipo de texto indicado, segundo as instruções que se encontram na orientação dada para cada tema. Assinale no alto da página de resposta o tema escolhido.

Coletânea de textos:

Os textos foram tirados de fontes diversas e apresentam fatos, dados, opiniões e argumentos relacionados com o tema. Eles não representam a opinião da banca examinadora: são textos como aqueles a que você está exposto na sua vida diária de leitor de jornais, revistas ou livros, e que você deve saber ler e comentar. Consulte a coletânea e utilize-a segundo as instruções específicas dadas para cada tema. Não a copie. Ao elaborar sua redação, você poderá utilizar-se também de outras informações que julgar relevantes para o desenvolvimento do tema escolhido.

ATENÇÃO: SE VOCÊ NÃO SEGUIR AS INSTRUÇÕES RELATIVAS AO TEMA QUE ESCOLHEU, SUA REDAÇÃO SERÁ ANULADA.

TEMA A

O Brasil está em vias de completar cinco séculos de existência aos olhos do mundo europeu. São os já conhecidos 500 anos de seu descobrimento, que serão comemorados oficialmente em abril de 2000. Como em qualquer data importante, o momento é oportuno para um balanço e uma reflexão. O balanço poderia resultar muito parcial, se se prendesse exclusivamente a fatos econômicos e a dados sociais circunstanciais. Por isso, faz-se necessário, neste caso, considerar a questão de quem somos hoje. Tendo isso em mente, e contando com o apoio obrigatório dos fragmentos abaixo, escreva uma dissertação sobre o tema

500 anos de Brasil

1. Esqueça tudo o que você aprendeu na escola sobre o descobrimento do Brasil. (...) A dois anos das comemorações oficiais pelos 500 anos de descobrimento do Brasil, os últimos trabalhos de pesquisadores portugueses, espanhóis e franceses revelam uma história muito mais fascinante e épica sobre a chegada dos colonizadores portugueses ao Novo Mundo. O primeiro português a chegar ao Brasil foi o navegador Duarte Pacheco Pereira, um gênio da astronomia, navegação e geografia e homem da mais absoluta confiança do rei de Portugal, d. Manuel I. Duarte Pacheco descobriu o Brasil um ano e meio antes de Cabral, entre novembro e dezembro de 1498. (...) As novas pesquisas sobre a verdadeira história do descobrimento sepultam definitivamente a inocente versão ensinada nas escolas de que Cabral chegou ao Brasil por acaso, depois de ter-se desviado da sua rota em direção às Índias.

(ISTO É, 26 de novembro de 1997.)

2. ...a despeito de nossa riqueza aparente, somos uma nação pobre em sua generalidade, onde a distribuição do dinheiro é viciosa, onde a posse das terras é anacrônica. Aquele anda nas mãos dos negociantes estrangeiros; estas sob o tacão de alguns senhores feudais. A grande massa da população, espoliada por dois lados, arredada do comércio e da lavoura, neste país essencialmente agrícola, como se costuma dizer, moureja por ali abatida e faminta, não tendo indústria em que trabalhe; pois que até os palitos e os paus de vassoura mandam-lhe vir do estrangeiro. (...) povo educado, como um rebanho mole e automático, sob a vergasta do poder absoluto, vibrada pelos governadores, vice-reis, capitães-mores e pelos padres da companhia; povo flagelado por todas as extorsões – nunca fomos, nem somos ainda uma nação culta, livre e original.

(Romero, Sílvio.História da Literatura Brasileira. 1881.)

3. O Brasil surge e se edifica a si mesmo, mas não em razão do desígnio de seus colonizadores. Eles só nos queriam como feitoria lucrativa. Contrariando as suas expectativas, nos erguemos, imprudentes, inesperadamente, como um novo povo, distinto de quantos haja, deles inclusive, na busca de nosso ser e de nosso destino. (...) Somos um povo novo, vale dizer um gênero singular de gente marcada por nossas matrizes, mas diferente de todas, sem caminho de retorno a qualquer delas. Esta singularidade nos condena a nos inventarmos a nós mesmos, uma vez que já não somos indígenas, nem transplantes ultramarinos de Portugal ou da África.

(Ribeiro, Darcy. O Brasil como problema.1995.)

4. Não conhecemos proletariado, nem fortunas colossais que jamais se hão de acumular entre nós, graças aos nossos hábitos e sistema de sucessão. Nem argentarismo, pior que a tirania, nem pauperismo, pior que a escravidão.(...) O Brasil jamais provocou, jamais agrediu, jamais lesou, jamais humilhou outras nações.
(...) A estatística dos crimes depõe muito em favor dos nossos costumes. Viaja-se pelo sertão sem armas, com plena segurança, topando sempre gente simples, honesta, serviçal. Os homens de Estado costumam deixar o poder mais pobres do que nele entraram. Magistrados subalternos, insuficientemente remunerados, sustentam terríveis lutas obscuras, em prol da justiça, contra potentados locais. (...) Quase todos os homens políticos brasileiros legam a miséria a suas famílias.

(Affonso Celso. Porque me ufano de meu país. 1900.)

5. 
(…) 
Se tu vencesses Calabar!
Se em vez de portugueses,
- holandeses!?
Ai de nós!
Ai de nós sem as coisas deliciosas que em nós moram:
redes,
rezas,
novenas,
procissões,
- e essa tristeza, Calabar,
e essa alegria danada, que se sente
subindo, balançando, a alma da gente.
Calabar, tu não sentiste
essa alegria gostosa de ser triste!

(Lima, Jorge de. Poesia Completa, vol. 1.)

NOTA DO BLOG: A banca cometeu um pequeno equívoco ao transcrever o primeiro verso do poema acima de Jorge de Lima. O correto é: "Se tu vencesses, Calabar!" A ausência da vírgula transforma o vocativo em objeto direto e muda o significado da frase.

6. O pau-brasil foi o primeiro monopólio estatal do Brasil: só a metrópole podia explorá-lo (ou terceirizar o empreendimento). Seria, também, o mais duradouro dos cartéis: a exploração só foi aberta à iniciativa privada em 1872, quando as reservas já haviam escasseado brutalmente. Exploração não é o termo: o que houve foi uma devastação, com a derrubada de 70 milhões de árvores. Como que confirmando a vocação simbólica, o pau-brasil seria usado, em setembro de 1826, para o pagamento dos juros do primeiro empréstimo externo tomado pelo Brasil. Ao deparar com o Tesouro Nacional desprovido de ouro, d. Pedro I enviou à Inglaterra 50 quintais (3t) de toras de pau-brasil para leiloá-las em Londres. A esperança do Imperador de saldar a dívida com o “pau-de-tinta” esbarrou numa inovação tecnológica: o advento da indústria de anilinas reduzira em muito o valor da árvore-símbolo do Brasil. Os juros foram pagos com atraso. Em dinheiro, não em paus.

(Bueno, E. (org). História do Brasil. Empresa Folha da Manhã. 2ª ed. 1997.)

7. Jamais se saberá com certeza, mas quando os portugueses chegaram à Bahia, os índios brasileiros somavam mais de 2 milhões - quase três, segundo alguns autores. Agora, dizimados por gripe, sarampo e varíola, escravizados aos milhares e exterminados pelas guerras tribais e pelo avanço da civilização, não passam de 325.652 - menos do que dois Maracanãs lotados. (...) A idade média dos índios brasileiros é de 17,5 anos, porque mais da metade da população tem menos de 15 anos. A expectativa de vida é de 45,6 anos, e a mortalidade infantil é de 150 para cada mil nascidos. Existem pelo menos 50 grupos que jamais mantiveram contato com o homem branco, 41 dos quais nem sequer se sabe onde vivem, embora seu destino já pareça traçado: a extinção os persegue e ameaça.

(Bueno, E. (org).História do Brasil. Empresa Folha da Manhã. 2ª ed. 1997.)

8. Há um Código de Defesa do Consumidor, há leis que cuidam do racismo, do direito de greve, dos crimes hediondos, do juizado de pequenas causas, do sigilo da conversação telefônica, da tortura, etc. O país cresceu.

(Carvalho Filho, L. F. Folha de S. Paulo. 3 de outubro de 1998.)
TEMA B

Imagine-se nesta situação: um dia, ao invés de encontrar-se no ano de 1998, você (mantendo os conhecimentos de que dispomos em nossa época) está em abril de 1500, participando de alguma forma do seguinte episódio relatado por Pero Vaz de Caminha:

“Viu um deles [índios] umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e então para as contas e para o colar do capitão, como que dariam ouro por aquilo. Isto tomávamos nós assim por o desejarmos; mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não queríamos nós entender, porque não lho havíamos de dar.”

(Caminha, Pero Vaz de. Carta a El Rey Dom Manuel.)

Redija uma narrativa em 1ª pessoa. Nessa narrativa, você deverá:

a) participar necessariamente da ação;
b) fazer aparecer as diferenças culturais entre as três partes: você, que veio do final do século XX, os índios e os portugueses da época do descobrimento.
TEMA C

Faça de conta que você tem um amigo em Portugal que confia muito em você e que estava pensando em passar uma temporada no Brasil e talvez até em migrar. Suponha também que, recentemente, ele lhe tenha escrito uma carta dizendo que está pensando em abandonar tal projeto, em consequência das notícias sobre o Brasil que tem lido ultimamente. Para justificar-se, ele incluiu na carta a seguinte amostra de manchetes, que o impressionaram, publicadas com destaque em menos de um mês, em um único jornal:

  FALTAM ÁGUA, LUZ E TELEFONE NAS ESCOLAS, DIZ PESQUISA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (Folha de S. Paulo, 16 de setembro de 1998)
METADE DOS ELEITORES NÃO TÊM 1º GRAU (Folha de S. Paulo, 20 de outubro de 1998)
BRASIL É CAMPEÃO DE CASOS DE DENGUE, LEPRA E LEPTOSPIROSE NAS AMÉRICAS
(Folha de S. Paulo, 21 de setembro de 1998)
MISERÁVEIS SÃO 25 MILHÕES (Folha de S. Paulo, 26 de setembro de 1998)
83% SÃO ANALFABETOS FUNCIONAIS (Folha de S. Paulo, 26 de setembro de 1998)
PARTOS DE MENINAS AUMENTARAM 81% NO RIO (Folha de S. Paulo, 29 de setembro de 1998)
SP DESPEJA NA RUA UM TERÇO DE SEU LIXO (Folha de S. Paulo, 4 de outubro de 1998)

Escreva-lhe uma carta na qual, colocando em discussão as manchetes acima, você tenta convencê-lo de que, apesar de haver de fato problemas, a imagem que se faz de nosso país, a partir do noticiário, é parcial, e que, portanto, continua valendo a pena vir para o Brasil.

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