Seguidores

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Temas de redação – Mackenzie – 2011 – 1º semestre

Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2011  1º semestre



REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

    Cartão-postal brasileiro, o vasto litoral do Rio de Janeiro virou um caso emblemático de regressão a estágios civilizacionais mais primitivos. Para se ter uma ideia, só no mês de janeiro 3000 toneladas de lixo foram recolhidas das praias cariocas. Empilhadas, essas toneladas são evidências de vida pouco inteligente e lotariam cinco piscinas olímpicas.

Sandra Brasil

Texto II

    Pensar a questão do gerenciamento do lixo urbano no Brasil é colocar em jogo um retrato da falta de ação governamental. Assim, pensar o papel do Estado, sobretudo a sua condição de impulsionador de políticas públicas, é obrigação de primeira ordem. Uma das soluções mais comuns para a questão do lixo urbano é a expansão dos aterros sanitários e, especialmente, o reaproveitamento do lixo. A ausência de uma postura mais ativa por parte do Estado quanto ao gerenciamento de resíduos, não raras vezes, impede a adoção de uma série de medidas que gerariam ganhos tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente de um modo geral.

Adaptado de M.V. Souza, S.L. Boeira, W.V.K. Matos Silva, R.V. Junkes

Texto III


Mackenzie – Vestibular 2011 - 1º semestre – Processos de Transferência Interna

REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

    Por quase duas décadas, o doutor em bioquímica A.S. percorreu trajetória típica dos bem-sucedidos no universo acadêmico. [...] Também catedrático da Universidade de São Paulo, na semana passada ele viu sua reputação desmoronar quando veio à luz a informação de que um de seus trabalhos trazia imagens e gráficos copiados de outra obra científica. O caso custou ao acadêmico o emprego na universidade. [...] Todos os casos de plágio em universidades afrontam a lei de direitos autorais – e constituem, não há dúvida, um ataque a um pilar sobre o qual se ancoram a inventividade e o avanço do conhecimento. [...] Sem tempo para escrever a monografia de conclusão do curso de direito [...], a hoje advogada C.R. decidiu pagar pelo trabalho pronto. Como havia ali trechos inteiros plagiados da internet, acabou flagrada pela professora e repetiu o ano.

Revista Veja

Texto II

    Há quem diga que a maior função do ensino nos dias de hoje é preparar o aluno para saber buscar a informação de que necessita. Certamente, as pesquisas são cada vez mais importantes para o aprendizado e a Internet está se tornando uma das fontes mais ricas de consulta. Mas não é toda pesquisa que tem valor educacional. Tudo depende de como ela é feita. [...] Ao usar sites da Internet nas suas pesquisas lembre-se de que eles são frutos do trabalho de outras pessoas, que consumiram tempo e criatividade para desenvolvê-los. A maioria dos sites permite o uso do seu conteúdo em trabalhos individuais, desde que se cite a fonte. Isso vale para textos, imagens, programas, arquivos de áudio e de vídeo. Respeite o autor do trabalho, pois você mesmo pode ter trabalhos divulgados na rede e não vai querer que outros os copiem sem ao menos dizer que foi você quem os fez.

http://www.educacional.com.br

Texto III

    Se eu cito a fonte do texto, o professor vai saber que todas as ideias foram copiadas, que na verdade o texto não é meu...e aí me reprova. Se eu não cito, pode me reprovar por plágio, se por acaso descobrir. Por isso acho melhor arriscar...

Depoimento de aluno


Leia também:

Temas de redação – Mackenzie – 2010 - 1º semestre

Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2010 - 1º semestre



REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

   Em 22 de março de 2010, veículos da imprensa paulistana imprimiram a primeira página de seus jornais e coloriram a página inicial de seus sites na cor azul para sensibilizar as pessoas para o Dia Mundial da Água. Considerando que os índices de desperdício ainda são notáveis e que o consumo aumenta em todo o mundo, temos de nos perguntar se as pessoas de fato sabem da necessidade do uso consciente da água. A ONU alerta que cada vez mais a atividade humana coloca em risco os mananciais. Mas vivemos numa época de contrastes: enquanto há muito desperdício em regiões mais desenvolvidas, há, por outro lado, regiões que sofrem com a falta de água.

Pedro Albuquerque Teixeira

Texto II

   Nosso planeta não está ficando sem água e também não está perdendo água. Há cerca de 1.300 quintilhões de litros de água no planeta e ela não está indo para lugar nenhum, mas, sim, circulando. Em realidade há mais água em forma líquida no planeta do que havia algumas décadas atrás, devido em parte ao aquecimento global e ao derretimento das calotas polares. O problema é que a vasta maioria da água da Terra está nos oceanos na forma de água salgada e deve ser dessalinizada antes de ser utilizada para consumo ou irrigação. Dessalinização em larga escala é possível, mas é cara. Mas o mundo também não está ficando sem água doce. Há muita água doce em nosso globo azul e não está chovendo menos do que costumava chover. Mas é claro que, como qualquer outro recurso, existe a crescente escassez local. Mas o problema real é disponibilidade local e transporte: mover água doce de onde ela existe em abundância para os locais onde ela é escassa.

http://hypescience.com/mito-falta-de-agua/

Texto III

A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
sem sacar que o espinho é seco
sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino seca
Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ó chuva preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoado do céu
Pode ser coco derramando

“Segue o Seco”, Carlinhos Brown

Mackenzie – Vestibular 2010 - 1º semestre – Processos de Transferência Interna

REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

   Os pais hoje costumam dizer que importante é que os filhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao influxo das teses libertárias dos anos 1960. É irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profissão. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, a felicidade é grandiosa. É esperar, no mínimo, que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. Se não for suficiente, que consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança.

“Será a felicidade necessária ?”, Roberto Pompeu de Toledo, Revista Veja

Texto II

   Para mim o próprio objetivo da vida é perseguir a felicidade. Isso está claro. Se acreditamos em religião, ou não; se acreditamos nesta religião ou naquela; todos estamos procurando algo melhor na vida. Por isso, para mim, o próprio movimento da nossa vida é no sentido da felicidade...
   Com estas palavras, pronunciadas diante de uma plateia numerosa no Arizona, o Dalai Lama expôs o cerne da sua mensagem. No entanto, sua afirmação de que o propósito da vida era a felicidade levantou na minha cabeça uma questão.
   — O senhor é feliz? — perguntei-lhe mais tarde, quando estávamos sozinhos.
   — Sou — respondeu ele e depois acrescentou. — Decididamente... sou.

A arte da felicidade: um manual para a vida, Dalai Lama e H. Cutler

Texto III

   A propaganda vende a ideia de um “direito” à felicidade. É uma sutil perversão de uma grande conquista política conseguida pela democracia. Como reza a Constituição Norte-Americana, todos temos o direito de procurar a felicidade, o que não é o mesmo que o direito à felicidade.
   A diferença é fundamental. A procura da felicidade implica a ideia de liberdade política, a possibilidade de o cidadão fazer – dentro da lei – escolhas que lhe sejam convenientes de acordo com o seu desejo. Mas não se pode falar em direito à felicidade, pois isto implicaria o salto de uma categoria político-social para uma outra, situada em um outro campo, aquele do existencial, do desejo e da fantasia. Quem pode garantir um “direito” à felicidade, se esta é algo evanescente, impossível de generalizar por se configurar de forma singular e específica para cada um? Por acaso, pode-se falar num “direito” de ser mais feliz, se a felicidade for entendida como ter uma outra dotação de inteligência, ter uma outra aparência, possuir uma outra cor de pele ou outra altura – para se dar alguns exemplos corriqueiros?

Sérgio Telles


Leia também:

Temas de redação – Mackenzie – 2009 – 1º semestre

Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2009 - 1º semestre



REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

Natural é ter um trabalho, um salário, um emprego
Nome confiável, respeito na praça
Mas, afinal, o que é felicidade?
É sossego
Nesse mundo pequeno de tempo e espaço

Nando Reis e Samuel Rosa

Texto II

Se a felicidade fosse convertida em projeto, ela seria igualmente convertida em insatisfação interminável: jamais estaremos onde queremos estar; jamais seremos o que queremos ser; jamais teremos o que queremos ter. A felicidade moderna converteu-se numa vigília permanente: a vigília de Homens insatisfeitos; de Homens esmagados pelos seus próprios ideais de felicidade e perfeição.

Adaptado de João Pereira Coutinho

Texto III

Eu lamento te informar mas este modelo de felicidade que lhe ensinaram desde criança e que costuma aparecer em filmes e novelas não existe. Mas é importante que você seja educado acreditando que este modelo é real e existe e que vale a pena perseguir ele. Por isto este modelo de felicidade se faz tão presente nos comerciais da TV, no cinema e nas novelas.

www.rebelado.com

Texto IV

A felicidade não é apenas um conceito vago, mas algo tangível e resultante de atividade cerebral que pode ser vista, medida e até induzida, de acordo com neurologistas. Assim, é possível que pesquisadores possam, um dia, encontrar formas de ajudar a induzir o estado de felicidade, que deixará de ser uma busca filosófica, para se converter em uma busca farmacológica.

Adaptado da BBC Brasil


Leia também:

Temas de redação – Mackenzie – 2008 – 1º semestre

Temas de redação – Mackenzie – Vestibular  1º semestre - 2008



REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

descartável

• adjetivo de dois gêneros
• que pode ou deve ser descartado

1 que não se destina a conservar nem a consertar; que se deita fora após uma ou mais utilizações (diz-se geralmente de objeto facilmente substituível)

Ex.: <barbeador descartável> <seringa descartável> <fralda descartável>

2 Derivação: sentido figurado, que se caracteriza por ser passageiro, sem profundidade ou importância

Ex.: <amor descartável> <valores descartáveis> <ideia descartável>

Adaptado do Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa

Texto II

Hoje temos a cultura do descartável na relação homem-coisas, o que nos remete a outras ligações temporárias e provisórias. Há um ritmo alucinante em que tudo vai sendo suplantado por novas informações geradoras de mudanças. Esse estado transitório das verdades e das coisas reflete-se também em relações mais frágeis com as outras pessoas, levando o sujeito a um crescente individualismo e fragilizando os laços sociais.

Adaptado de Elisa Maria Barbosa Esper / Mathilde Neder

Texto III

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
[...]
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes


Mackenzie – Vestibular 2008 - 1º semestre – Processos de Transferência Interna

REDAÇÃO

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

“Tia, você acha que dá para a gente viver de ‘cavocar’ madeira?”, perguntou um menino à artista plástica Elisa Brachelar, numa aula de xilogravura. Ela parou um minuto para pensar. Sim, pois ela vive justamente de “ ‘cavocar’ madeira” – suas esculturas já lhe renderam prêmios dentro e fora do Brasil. No caso do pequeno aprendiz, a pergunta faz ainda mais sentido: ele, na favela onde mora, nasceu e cresceu mexendo justamente em madeira, seja ajudando os pais a construir barracos, seja fazendo seus próprios brinquedos.

Adaptado da revista Continuum Itaú Cultural

Texto II

Artistas de todo o Brasil dedicam boa parte de seu tempo a ensinar sua arte às futuras gerações. Desenvolver a cidadania, elevar a autoestima, levar a arte ao domínio público, ensinar uma nova profissão, combater a criminalidade, promover a inclusão social: são vários os motivos que fazem esses artistas deixarem por alguns momentos sua criação de lado para pensar no bem comum.

Mariana Sgarioni

Texto III

É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente [...] o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Constituição Brasileira


Leia também:

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Texto: “O amor acaba” – Paulo Mendes Campos

O AMOR ACABA

"Absence makes my heart grow fonder". Marcus Stone

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.

(Paulo Mendes Campos)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Temas de redação – Mackenzie – 2012

Temas de redação – Mackenzie – 2012



Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2012 - 1º semestre

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

Ao ler-se em um dicionário, por sinal extremamente bem conceituado, que a nomenclatura “cigano” significa “aquele que trapaceia, velhaco”, entre outras coisas do gênero, ainda que deixe expresso que é uma linguagem pejorativa, ou, ainda, que se trata de acepções carregadas de preconceito ou xenofobia, fica claro o caráter discriminatório assumido pela publicação.

Cléber Eustáquio Neves, procurador

Texto II

Agora há novamente paladinos da sociedade perfeita, o que lá seja isso, quequerem censurar dicionários. De vez em quando, aparece um desses. Censurar a lexicografia é uma curiosa inovação. Dicionário é um trabalho lexicográfico, não uma peça normativa. O lexicógrafo não concorda ou discorda do uso de uma palavra ou expressão qualquer. Obedecendo a critérios tão objetivos e neutros quanto possível, constata o uso dessa palavra ou expressão e tem a obrigação de registrá-la. Eliminar do dicionário uma palavra lexicograficamente legítima não só é uma violência despótica, como uma inutilidade, pois a palavra sobreviverá, se tiver funcionalidade na língua, para que segmento seja.

João Ubaldo Ribeiro, escritor

Texto III

O Ministério Público entendeu que houve racismo nos itens 5 e 6 do verbete “cigano” e, por isso, entrou com uma Ação Civil Pública contra a Editora Objetiva, que publica o Dicionário Houaiss, e contra o Instituto Antônio Houaiss. O MPF espera conseguir na justiça uma indenização por dano moral coletivo e a retirada de circulação, suspensão de tiragem, venda e distribuição das edições do dicionário que apresentem as expressões que depreciam os ciganos. A significação atribuída pelo Houaiss aos ciganos violaria o artigo 20 da Lei 7.716/89, que tipifica o crime de racismo.

Adaptado do portal de notícias newsrondonia.com.br

Texto IV

Quando a gente pensa que já viu tudo, não viu. Faz algum tempo, dentro do horroroso politicamente correto que me parece tão incorreto, resolveram castrar, limpar, arrumar livros de Monteiro Lobato, acusando-o de preconceito racial, pois criou entre outras a deliciosa personagem da cozinheira Tia Nastácia.
[...] Se formos atrás disso, boa parte da literatura mundial deve ser deletada ou “arrumada”. Primeiro, vamos deletar a palavra “negro” quando se refere a raça e pessoas, embora tenhamos uma banda Raça Negra, grupos de Teatro Negro e incontáveis oficinas, açougues, borracharias “do Negrão”, como “do Alemão”, “do Portuga” ou “do Turco”. Vamos deletar as palavras. Quem sabe, vamos ficar mudos, porque ao mal-humorado essencial, e de alma pequena, qualquer uma pode ser motivo de escândalo.

Lya Luft, escritora


Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2012 - 2º semestre

REDAÇÃO – Grupos I – IV – V – VI

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

    Milhões de adolescentes foram convocados por uma grande estrela  da música internacional a aceitarem seus corpos do jeito que eles são:  magros, gordos, pouco importa. “Seja corajoso e celebre seus defeitos  perceptíveis condenados pela sociedade”, escreveu ela em seu site e nas redes sociais.

Adaptado da Folha de S.Paulo, 08/10/2012

Texto II

    Aos 15 anos, eu comecei a provocar vômitos sempre que achava  que tinha comido demais. Mas esses episódios eram raros. Por volta dos 17, eu estava bem acima do peso e fiz uma série de dietas rigorosas. Fiquei viciada em emagrecer, forçava o vômito e me obrigava a comer no máximo 700 calorias por dia. É difícil para uma anoréxica entender que a busca da beleza pela magreza pode torná-la uma pessoa feia, diferente do que ela procura.

Depoimento de estudante para a Folha de S.Paulo

Texto III

    A moda, a publicidade, a TV, tudo isso trabalha para que você se enquadre em um determinado padrão. Adolescentes são mais suscetíveis a essa massificação e, quando não se acham adequados a ela, podem terminar em um círculo vicioso e doentio.

Takí Cordás, psiquiatra


REDAÇÃO – Grupos II e III

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Texto I

    Paredes sustentadas por escoras, janelas quebradas, fiação exposta e refeitório fechado na hora da merenda. Imagens de problemas como esses começam a se espalhar nas redes sociais. Inspirados pela catarinense Isadora Faber, 13, estudantes de todo o país criaram seus “diários de classe” na web para mostrar as deficiências estruturais e pedagógicas das escolas públicas em que estudam.

Folha de S.Paulo, 07/10/2012

Texto II

     Pensar que a internet possibilita um saudável e amplo espaço de debate e contestação é um grave equívoco. O fato de muitas reclamações serem postadas em blogs, em redes sociais, em sites não garante a necessária segurança, para quem lê, de que o conteúdo das reclamações é verdadeiro. Dimensão ainda sem regulamentações rigorosamente definidas, a web pode se tornar um grande local de equívocos e injustiças, no sentido de que qualquer um pode reclamar sobre qualquer coisa, sem apresentar provas de direito e nem a possibilidade equânime de defesa daqueles que são atacados ou julgados.

Renato Monteiro, advogado

Texto III

    Não há como negar que a Internet é uma revolução na sociedade, nos modos de comunicação e na maneira como os cidadãos podem confrontar situações desfavoráveis a eles. É como se disséssemos que agora o poder da luta está à disposição de todos. A pessoa comum, que até então estava distante de esferas de poder, pode reclamar, pode se posicionar, enfim, pode se fazer ouvir por meio de diferentes ferramentas disponíveis pelas novas tecnologias.

Sônia Rios, socióloga



Leia também:
Temas de redação da FUVEST de 2005 a 2008

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ribeiro Couto – Poemas

Ribeiro Couto

Discurso afetuoso 

Ó poetas de gabinete, 


Que da vida sabeis apenas a lição dos livros,
Vossa poesia é um jogo de palavras.
Vossa poesia é toda feita de habilidades de estilo,
Sem a marca um pouco suja da experiência vivida.

Não sabeis de nenhuma espécie de sofrimento,
De nenhum dos aspectos sedutores do mal,
Não sabeis de nada que está realmente na vida.

Não vos inquieta o desejo de quebrar a monotonia,
A exasperada fadiga das coisas iguais,
A saborosa audácia do mau gosto.
 
Tudo em vós é correto, frio, sem surpresas.
 
Ah, tudo que sabeis é através dos livros.
Não sofreis a curiosidade viciosa das aventuras,
Nem a mágoa dos meses vividos à toa,
Nem o bocejo que a mulher tão desejada provocará um dia.
Não conheceis o remorso das devassidões
E a desvairada esperança que há num amanhecer depois
da noite perdida.

Para vós não existe a vida: existem os temas poéticos.

(Ribeiro Couto, in “Um Homem na Multidão”)

"Rainy late afternoon" - Frederic Childe Hassam
Chuva

A chuva fina molha a paisagem lá fora.
O dia está cinzento e longo... Um longo dia!
Tem-se a vaga impressão de que o dia demora...
E a chuva fina continua, fina e fria,
Continua a cair pela tarde, lá fora.

Da saleta fechada em que estamos os dois,
Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:
A chuva fina continua, fina e lenta...
E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta
se um de nós vai falar e recua depois.

Dentro de nós existe uma tarde mais fria...

Ah! Para que falar? Como é suave, branda,
O tormento de adivinhar — quem o faria? —
As palavras que estão dentro de nós chorando...

Somos como os rosais que, sob a chuva fria,
Estão lá fora no jardim se desfolhando.

Chove dentro de nós... Chove melancolia...

(Ribeiro Couto)

Soneto da fiel infância

Tudo que em mim foi natural — pobreza,
Mágoas de infância só, casa vazia,
Lutos, e pouco pão na pouca mesa —
Dói na saudade mais que então doía.

Da lamparina do meu quarto, acesa
No pequeno oratório noite e dia,
Vinha-me a sensação de uma riqueza
Que no meu sangue de menino ardia.

Altas horas, rezando no seu canto,
Minha mãe muitas vezes soluçava
E dava-me a beijar não sei que santo.

Meu Deus! Mais do que o santo que eu beijava,
Faz-me falta o cair daquele pranto
Com que ela junto ao peito me molhava.

(Ribeiro Couto)

Elegia

Que quer o vento?
A cada instante
Este lamento
Passa na porta
Dizendo: abre...

Vento que assusta
Nas horas frias
Na noite feia,
Vindo de longe,
Das ermas praias.

Andam de ronda
Nesse violento
Longo queixume,
As invisíveis
Bocas dos mortos.

Também um dia,
Estando eu morto,
Virei queixar-me
Na tua porta

Virei no vento
Mas não de inverno,
Nas horas frias
Das noites feias.

Virei no vento
Da primavera.
Em tua boca
Serei carícia,
Cheiro de flores
Que estão lá fora
Na noite quente.

Virei no vento...
Direi: acorda...

(Ribeiro Couto)

"Saying goodbye" - Audrey Kawasaki
Esquecer

Longos dias de sonho e de repouso...
Ócio e doçura... Sinto, nestes dias,
Meu corpo amolecer, voluptuoso,
Num desfalecimento de energias.

A ler o meu poeta doloroso
E a fumar, passo as horas fugidias.
Entre um cigarro e um verso vaporoso
Sou todo evocações e nostalgias.

Quando por tudo a claridade morre
E sobre as folhas do jardim doente
A tinta branca do luar escorre,

A minha alma, a mercê de velhas mágoas,
É um pássaro ferido mortalmente
Que vai sendo arrastado pelas águas.

(Ribeiro Couto)

No jardim em penumbra

Na penumbra em que jaz o jardim silencioso
A tarde triste vai morrendo... desfalece...
Sobre a pedra de um banco um vulto doloroso
Vem sentar-se, isolado, e como que se esquece.

Deve ser um secreto, um delicado gozo
Permanecer assim, na hora em que a noite desce,
Anônimo, na paz do jardim silencioso,
Numa imobilidade extática de prece.

Em lugar tão propício à doçura das almas
Ele vem meditar muitas vezes, sozinho,
No mesmo banco, sob a carícia das palmas.

E uma só vez o vi chorar, um choro brando...
Fiquei a ouvir... Caíra a noite, de mansinho...
Uma voz de menina ao longe ia cantando.

(Ribeiro Couto)

Modinha do exílio 

Os moinhos têm palmeiras
Onde canta o sabiá.
Não são arte feiticeiras!
Por toda parte onde eu vá,
Mar e terras estrangeiras,
Posso ouvir o sabiá,
Posso ver mesmo as palmeiras
Em que ele cantando está.
 
Meu sabiá das palmeiras
Canta aqui melhor que lá.
Mas, em terras estrangeiras,
E por tristezas de cá,
Só à noite e às sextas-feiras.
Nada mais simples não há!
Canta modas brasileiras.
Canta — e que pena me dá!

(Ribeiro Couto)

O portão

Quando à noite regresso a esta rua calada 
"Passage". Anne Bachelier.
que sabe o meu romance e esconde a minha vida,
vou antes contemplar certa casa alpendrada
e fico ali, numa atitude enternecida,
fico ali namorando a janela fechada
atrás da qual, no leito lírico, esquecida,
dorme alguém, como a princesa da balada.

Em torno à sua casa o jardim também dorme.
E do arvoredo, que ao luar tem brilhos vagos,
vem um perfume que perfuma a noite enorme,
Esse perfume espalha mãos cheias de afagos...

Fico ali... Tudo toma expressões diferentes.
Tudo toma expressões de impossibilidade...
Ao luar, tudo toma expressões diferentes.
Tudo... Principalmente o seu portão de grade
que me diz "nunca!" no cadeado e nas correntes.

(Ribeiro Couto, in “O jardim das confidências”)

Surdina

Minha poesia é toda mansa.
Não gesticulo, não me exalto...
Meu tormento sem esperança
tem o pudor de falar alto.

No entanto, de olhos sorridentes,
assisto, pela vida em fora,
à coroação dos eloquentes.
É natural: a voz sonora
inflama as multidões contentes.

Eu, porém, sou da minoria.
Ao ver as multidões contentes
penso, quase sem ironia:
"Abençoados os eloquentes
que vos dão toda essa alegria."

Para não ferir a lembrança
minha poesia tem cuidados...
E assim é tão mansa, tão mansa,
que pousa em corações magoados
como um beijo numa criança.

(Ribeiro Couto, in “Poemetos de ternura e de melancolia”)


www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

"Eu sei, mas não devia" - Marina Colasanti
"Navegar é preciso" - Fernando Pessoa
"Reunião de mães" - Fernando Sabino
"O amor acaba" - Paulo Mendes Campos