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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

TJ SP - Concurso Público: Escrevente Judiciário - 2006

Prova de Língua Portuguesa - TJ SP - Concurso Público: Escrevente Judiciário - 2006

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 10.

Policiais paulistanos

    Sempre fui fã de romances policiais. Conheço pessoas para quem a leitura só pode ser séria, para quebrar a cabeça. Penso o contrário. Um bom livro também ajuda a relaxar. Até agora fãs de mistérios como eu eram obrigados a deglutir penhascos ingleses ou correrias por Los Angeles e Nova York. Há algum tempo surgiu uma safra de romances policiais cujo cenário é São Paulo, com seus bairros e tipos humanos. O último é Morte nos Búzios, de Reginaldo Prandi. Não nego. Conheço o Reginaldo há uns... puxa, trinta anos! (É nessas horas que vejo como o tempo passa.) Para mim, sempre foi o tipo acabado do intelectual. Professor titular de sociologia da USP, passou anos estudando as religiões afrobrasileiras. Fez teses. Há uns meses, encontrei-me com ele em um evento literário.
    – Vou lançar um policial! – contou-me.
    Estranhei. Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives. Quanto mais escrever! Assim que saiu, enviou para minha casa. Não nego, sou exigente. Adolescente, já era fã de Sherlock Holmes. Mas adorei Morte nos Búzios. Reginaldo misturou seus conhecimentos sobre as religiões afras com a imaginação. Os crimes acontecem a partir das previsões de uma mãe-de-santo da Freguesia do Ó. Aos poucos, o delegado Tiago Paixão começa a descobrir suspeitos entre os frequentadores do terreiro.

(Walcir Carrasco. Veja São Paulo, 20.09.2006)

01. Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.

(A) Há algum tempo surgiu vários romances policiais cujo cenário é São Paulo.
(B) Já fazem uns trinta anos que conheço o Reginaldo!
(C) É nessas horas que vejo com que rapidez passa os dias.
(D) Até agora, obrigavam-se fãs de mistérios a deglutir penhascos ingleses.
(E) Conheço pessoas para quem a leitura têm de ser séria.

02. Quanto ao emprego de pronome, segundo a norma culta, a frase – ... encontrei-me com ele em um evento literário. – pode ser reescrita da seguinte forma:

(A) ...encontrei-no em um evento literário.
(B) ...encontrei ele em um evento literário.
(C) ...encontrei-o em um evento literário.
(D) ...encontrei-lhe em um evento literário.
(E) ...encontrei-lo em um evento literário.

03. Assinale a alternativa em que o termo em destaque tem a mesma função sintática que a expressão destacada na frase: – Vou lançar UM POLICIAL!

(A) Penso o contrário.
(B) ... contou-me.
(C) Sempre fui fã de romances policiais.
(D) ... surgiu uma safra de romances policiais.
(E) Um bom livro também ajuda a relaxar.

04. Articulando as duas orações do período – Não nego, sou exigente. – obtém-se, sem perda do significado:

(A) Não nego, mas sou exigente.
(B) Não nego que sou exigente.
(C) Não nego em que sou exigente.
(D) Não nego de que sou exigente.
(E) Não nego qual sou exigente.

05. Analise os períodos.

I. É nessas horas que vejo como o tempo passa.
II. Assim que saiu, enviou para minha casa.

A oração destacada em I exerce função sintática de ________; a destacada em II expressa circunstância de  _______. Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com

(A) sujeito ... conseqüência
(B) complemento nominal ... conformidade
(C) aposto ... causa
(D) predicativo ... condição
(E) objeto direto ... tempo

06. Analise as afirmações.

I. O substantivo fã tem o mesmo emprego que o substantivo vítima na forma masculina e na feminina.
II. Está correta, quanto à grafia, a frase: Um bom livro também ajuda a relaxar, mas se fosse um mal livro, isso não aconteceria.
III. O plural de mãe-de-santo é mães-de-santo. Está correto o que se afirma apenas em

(A) I.     (B) II.    (C) III.    (D) I e II.    (E) II e III.

07. Intelectuais em geral não confessam sequer que lêem histórias de detetives. Quanto mais escrever!
Assinale a alternativa em que a frase, reescrita numa linguagem formal, mantém os sentidos propostos no texto.

(A) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, tanto que não lhes escrevem.
(B) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, mas que não as escrevem.
(C) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, embora que não lhes escrevem.
(D) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, porque não as escrevem.
(E) Intelectuais em geral não confessam sequer que leem histórias de detetives, muito menos que as escrevem.

08. ... passou anos estudando as religiões afro-brasileiras. Os termos que fazem o plural da mesma forma que religião (religiões) são

(A) capitão e mamão.
(B) cirurgião e negação.
(C) limão e pão.
(D) mão e pão.
(E) mamão e cidadão.

09. Assinale a frase correta quanto ao uso do sinal indicativo da crase.

(A) Reginaldo associou seus conhecimentos sobre as religiões afras à imaginação.
(B) Tão logo o livro foi publicado, chegou à mim.
(C) Pouco à pouco, o delegado Tiago Paixão descobriu suspeitos entre os freqüentadores do terreiro.
(D) Não acreditei que Reginaldo se dedicasse à um livro policial.
(E) À vida passa rápido, já conheço Reginaldo há uns trinta anos.

10. Assinale a alternativa correta quanto à regência verbal.

(A) Não sabia que Reginaldo aspirava por uma carreira de escritor de policiais.
(B) Ansiava a ler logo o policial de Reginaldo.
(C) Pensei que Reginaldo preferisse mais temas acadêmicos do que histórias de detetive.
(D) Não residimos a lugares do exterior para que os policiais os tenham como ambiente.
(E) Assistia ao delegado Tiago Paixão o direito de investigar os frequentadores suspeitos do terreiro.

Para responder às questões de números 11 a 13, leia a frase de Luciano Pavarotti, publicada na revista Veja, de 20.09.2006:

Não quero mais me ouvir. Se você me convidar para jantar tocar uma de minhas gravações para me agradar, juro que vou embora. Se _______ que eu _______, coloque um disco de Placido Domingo.

11. Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com

(A) quizer … fico
(B) querer … fique
(C) quizer … ficarei
(D) quiser … fique
(E) quiser … fico

12. Analise as frases.

I. Se tu me convidares para jantar e tocares uma de minhas canções para me agradar, juro que vou embora.
II. Se Vossa Excelência me convidais para jantar e tocais uma de minhas canções para me agradares, juro que vou embora.
III. Se Sua Senhoria me convidardes para jantar e tocardes uma de minhas canções para me agradardes, juro que vou embora.

Quanto à forma de tratamento e a flexão verbal, está(ão) correta(s) apenas

(A) I.     (B) II.     (C) III.     (D) I e II.     (E) I e III.

13. As relações de sentido estabelecidas pelas conjunções Se e e são, respectivamente, de

(A) causa e adversidade.
(B) condição e adição.
(C) modo e adição.
(D) tempo e alternância.
(E) condição e consequência.

As questões de números 14 a 20 baseiam-se na história em quadrinhos de Hagar.

14. Considerando a regência do verbo e o emprego de pronomes, a frase Vou virar você pelo avesso! pode ser substituída por

(A) Vou lhe virar pelo avesso.
(B) Vou te virar pelo avesso.
(C) Vou virá-lo pelo avesso.
(D) Vou virar-no pelo avesso.
(E) Vou virar-lho pelo avesso.

15. A resposta que Hagar recebe do inglês contém formas verbais que a tornam menos rude e agressiva. De forma mais incisiva, o inglês diria:

(A) Será melhor que não o faz.
(B) Era melhor que não o fizesse.
(C) Foi melhor que não o fizesse.
(D) É melhor que não o faça.
(E) Fosse melhor que não o fará.

16. No contexto, o feminino de cavalheiro é

(A) mulher.     (B) amazona.     (C) senhora.     (D) matrona.     (E) garota.

17. Sobre a vírgula que separa o termo cavalheiro, é correto afirmar que

(A) está bem empregada, pois separa, na oração, o vocativo.
(B) está mal empregada, pois separa o sujeito da oração do verbo.
(C) está bem empregada, pois, nesse caso, seu uso é facultativo.
(D) está mal empregada, pois não se separa o aposto do termo a que se refere.
(E) está bem empregada, pois separa o objeto direto do verbo.

18. A oração que completa o sentido de Seria melhor funciona sintaticamente como seu

(A) complemento nominal.
(B) predicativo.
(C) objeto direto.
(D) sujeito.
(E) aposto.

19. Na primeira pessoa do plural, a frase Prepare-se para morrer assume a seguinte forma:

(A) Preparem para morrermos!
(B) Preparemo-nos para morrer!
(C) Preparem-se para morrermos!
(D) Preparamos-nos para morrer!
(E) Preparemos-nos para morrermos!

20. A frase de Hagar, no segundo quadrinho, deve-se iniciar com

(A) Por quê sinto-me.
(B) Por quê o sinto.
(C) Porque me sinto.
(D) Porquê sinto.
(E) Por que me sinto.

Leia o trecho a seguir, para responder às questões de números 21 a 25.

    O retrato, às oito e meia da noite daquela segunda-feira fatídica, era desolador. São Paulo, quarta maior metrópole do mundo, 20 milhões de moradores, estava vazia. Traumatizada. Acuada sob um toque de recolher informal. Debaixo das ordens do chamado Primeiro Comando da Capital, o PCC, que controla os presídios e estende seu poder sobre o tráfico de drogas, de armas e o contrabando, nada menos que 36 policiais foram assassinados nas ruas da cidade durante o final de semana. Trinta ônibus arderam em chamas.

(Istoé Online, 24.05.2006)

21. Em – ... 36 policiais foram assassinados nas ruas da cidade durante o final de semana. – as expressões nas ruas da cidade e durante o final de semana indicam, respectivamente, circunstância de

(A) lugar e tempo.
(B) modo e lugar.
(C) lugar e lugar.
(D) modo e causa.
(E) lugar e condição.

Observe os dois trechos a seguir para responder às questões de números 22 e 23.

I. O retrato, às oito e meia da noite daquela segunda-feira fatídica, era desolador.
II. São Paulo, quarta maior metrópole do mundo, 20 milhões de moradores, estava vazia.

22. Os termos desolador e vazia, sintaticamente, exercem função de

(A) sujeito.
(B) complemento nominal.
(C) objeto direto.
(D) vocativo.
(E) predicativo do sujeito

23. Empregam-se vírgulas em I e II, respectivamente, para intercalar

(A) aposto e aposto.
(B) adjunto adverbial e aposto.
(C) adjunto adverbial e vocativo.
(D) adjunto adverbial e adjunto adverbial.
(E) aposto e adjunto adverbial.

24. Assinale a alternativa correta quanto à concordância nominal.

(A) As pessoas estavam acuada, sob toques de recolher informal.
(B) As ordens do PCC eram firme e os moradores de São Paulo ficaram alertas.
(C) O PCC agiu com violência em São Paulo, sem meias palavras.
(D) A cidade de São Paulo ficou meio desorientado após os ataques do PCC.
(E) Ruas e avenidas vazios eram o cenário de São Paulo após os ataques do PCC.

25. Assinale a frase correta quanto à pontuação.

(A) Trinta ônibus em São Paulo, arderam em chamas na segunda-feira.
(B) Trinta ônibus na segunda-feira, arderam em chamas em São Paulo.
(C) Na segunda-feira arderam em chamas, trinta ônibus em São Paulo.
(D) Em São Paulo, trinta ônibus, na segunda-feira, arderam em chamas.
(E) Arderam em chamas, trinta ônibus, na segunda-feira, em São Paulo.

26. Considere as frases:

I. Eu fiquei fora de si, quando vi os ataques do PCC em São Paulo.
II. Ele ficou fora de si, quando viu os ataques do PCC em São Paulo.
III. Nós ficamos fora de si, quando vimos os ataques do PCC em São Paulo.

O emprego de pronome está correto apenas em

(A) I.     (B) II.     (C) III.     (D) I e II.     (E) I e III.

27. Assinale a alternativa correta quanto à regência nominal.

(A) Os paulistanos sentiam medo por estarem sujeitos nos ataques ao PCC.
(B) Não foi nada agradável dos paulistanos viver os ataques do PCC.
(C) Os paulistanos estão conscientes de que é preciso mais segurança para todos.
(D) A vontade em sair daquele momento de horror era grande aos paulistanos.
(E) A crença a que estamos sempre seguros foi quebrada com os ataques do PCC.

28. Quem chegasse _____ São Paulo após os ataques do PCC, veria o povo intimidado, ______ e com medo. Segundo a norma culta, os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com

(A) à … confuso
(B) em … confuzo
(C) à … confuzo
(D) a … confuzo
(E) a … confuso

Leia a charge para responder às questões de números 29 e 30.

29. Relacionando a charge com o texto anterior, entende-se que o diminutivo no nome do símbolo da cidade de São Paulo denota

(A) ironia.
(B) afetividade.
(C) pequenez.
(D) alegria.
(E) agressividade.

30. O substantivo símbolo possui uma forma derivada que se grafa com z: simbolizar. Assim como ela, está corretamente grafado com z o verbo

(A) parafrazear.
(B) avizar.
(C) paralizar.
(D) amenizar.
(E) aparafuzar.

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GABARITO

1 - D     2 - C      3 - A     4 - B     5 - E      6 - C     7 - E      8 - B     9 - A 10 - E
11 - D  12 - A   13 - B    14 - C   15 - D   16 - C   17 - A   18 - D   19 - B 20 - E
21 - A   22 - E   23 - B   24 - C    25 - D   26 - B   27 - C   28 - E   29 - A 30 - D

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Texto: “Vista cansada” – Otto Lara Resende

Vista cansada

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

(Otto Lara Resende)


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

“O verbo no infinito” – Vinicius de Moraes

O verbo no infinito


Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...


(Vinícius de Moraes)


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“O amor e outros males” – Rubem Braga 
“O Diamante” – Luis Fernando Verissimo 
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"Vista cansada" - Otto Lara Resende

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Temas de redação da FUVEST – 2001 – 2004

Temas de redação da FUVEST de 2001 a 2004




FUVEST 2001

PROPOSTA DE REDAÇÃO

TEXTO 1

Um dia sim, outro também. Duas bombas, suásticas nazistas e muitas mensagens pregando a tolerância zero a negros, judeus, homossexuais e nordestinos marcaram a Semana da Pátria em São Paulo. O primeiro petardo foi direcionado na segunda-feira 4, para o coordenador da Anistia Internacional. Tratava-se de uma bomba caseira, postada numa agência dos Correios de Pinheiros com endereço certo: a casa do coordenador. Uma hora e meia depois, foi a vez de o secretário de Segurança e de os presidentes das comissões Municipal e Estadual de Direitos Humanos receberem cartas ameaçadoras. Assinando "Nós os skinheads" (cabeça raspada), os autores abusaram da linguagem chula, do ódio e da intolerância. "Vamos destruir todos os viados, pretos e nordestinos", prometeram. Eles asseguravam também já terem escolhido os representantes daqueles que não se enquadram no que chamam de "raça pura" para receberem "alguns presentinhos".
Como prometeram, era só o começo. No dia seguinte, terça-feira 5, o mesmo grupo mandou outra bomba, dessa vez para a associação da Parada do Orgulho Gay.

(Isto é, 08/09/2000)

TEXTO 2

Desde então [os anos 80], o poder racista alastrou-se por todo o mundo numa torrente de excessos sanguinolentos. Também na Alemanha, imigrantes e refugiados foram mortos friamente por maltas de radicais de direita em atentados incendiários. Até hoje, a esfera pública minimiza tais crimes como obra de uns poucos jovens desclassificados. Na verdade, porém, o poder racista à solta nas ruas é o prenúncio de uma reviravolta nas condições atmosféricas mundiais.

(Robert Kurz)

TEXTO 3

Um dos eventos realizados no final de abril deste ano no Chile foi uma conferência internacional secreta de militantes extremistas de direita e organizações neonazistas planejada e divulgada pela Internet. Foram convidados a participar do "Primeiro Encontro Ideológico Internacional de Nacionalismo e Socialismo" representantes do Brasil, Uruguai, Argentina, Venezuela e Estados Unidos.

(Isto é, 08/09/2000)

Demais textos:

(...) Nos últimos anos, grupos neonazistas têm se multiplicado. Tanto nos Estados Unidos e na Europa quanto aqui parece existir uma relação entre o desemprego estrutural do sistema capitalista e a ascensão desses grupos de inspiração neonazista.

(Página da Internet)

Toda proclamação contra o fascismo que se abstenha de tocar nas relações sociais de que ele resulta como uma necessidade natural, é desprovida de sinceridade.

(Bertolt Brecht)

Considerar alguém como culpado, porque pertence a uma coletividade à qual ele não "escolheu" pertencer, não é característica própria só do racismo. Todo nacionalismo mais intenso, e até mesmo qualquer bairrismo, consideram sempre os outros (certos outros) como culpados por serem o que são, por pertencerem a uma coletividade à qual não escolheram pertencer. (...)

(Cornelius Castoriadis)

"A violência é a base da educação de cada um."

(Resposta de um cidadão anônimo entrevistado pela TV sobre as razões da violência)

Estes textos (adaptados das fontes citadas) apresentam notícias sobre o crescimento do neonazismo e do neofascismo e, também, alguns pontos de vista sobre o sentido desse fenômeno. Com base nesses textos e em outras informações e reflexões que julgue adequadas, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, procurando argumentar de modo claro e consistente.

FUVEST 2002

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Considerando aspectos abaixo sugeridos ou, ainda, escolhendo outros que você julgue mais importantes para tratar do tema, redija, com sinceridade e plena liberdade de opinião, uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, em linguagem adequada à situação, procurando argumentar com pertinência e coerência.
Como você avalia os responsáveis por sua formação, ou seja, seus pais e familiares, professores, orientadores religiosos, líderes políticos, intelectuais, autoridades etc.?
Visando ao desenvolvimento do tema, você poderá, se quiser, refletir sobre as seguintes questões:

Quais foram os principais responsáveis por sua formação?
Quais são as características mais marcantes que apresentam?
Você julga que eles assumiram, de fato, sua função de formadores?
Em que aspectos a formação que lhe proporcionaram foi satisfatória ou insatisfatória?
Você poderá, ainda, identificar os valores que são realmente importantes para eles, opinando sobre esses valores. Poderá, também, considerar se eles são, em si mesmos, pessoas íntegras e felizes e se, assim, constituem bons modelos de vida.

FUVEST 2003

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Leia atentamente os três textos abaixo

TEXTO 1

Está no dicionário Houaiss:

auto-estima s.f. qualidade de quem se valoriza, se contenta com seu modo de ser e demonstra, conseqüentemente, confiança em seus atos e julgamentos.
A definição do dicionário parece limitar-se ao âmbito do indivíduo, mas a palavra auto-estima já há algum tempo é associada a uma necessidade coletiva. Por exemplo: nós, brasileiros, precisamos fortalecer nossa auto-estima. Neste caso, a satisfação com nosso modo de ser, como povo, nos levaria à confiança em nossos atos e julgamentos. Mas talvez seja o caso de perguntar: não são os nossos atos e julgamentos que acabam por fortalecer ou enfraquecer nossa auto-estima, como indivíduos ou como povo?

TEXTO 2

Estão num poema de Drummond, da década de vinte, os versos:

E a gente viajando na pátria sente saudades da pátria. (...)
Aqui ao menos a gente sabe que é tudo uma canalha só.

TEXTO 3

Está num artigo do jornalista Zuenir Ventura, de dois anos atrás:

De um país em crise e cheio de mazelas, onde, segundo o IBGE, quase um quarto da população ganha R$ 4 por dia, o que se esperaria? Que fosse a morada de um povo infeliz, cético e pessimista, não?
Não. Por incrível que pareça, não. Os brasileiros não só consideram seu país um lugar bom e ótimo para viver, como estão otimistas em relação a seu futuro e acreditam que ele se transformará numa superpotência econômica em cinco anos. Pelo menos essa é a conclusão de um levantamento sobre a "utopia brasileira" realizado pelo Datafolha.

Com o apoio dos três textos apresentados, escreva uma dissertação em prosa, na qual você deverá discutir manifestações concretas de afirmação ou de negação da auto-estima entre os brasileiros.
Apresente argumentos que dêem sustentação ao ponto de vista que você adotou.


FUVEST 2004

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Redija uma dissertação em prosa, na qual você apontará, sucintamente, as diferentes concepções do tempo, presentes nos três textos abaixo, e argumentará em favor da concepção do tempo com a qual você mais se identifica.

TEXTO 1

Mais do que nunca a história é atualmente revista ou inventada por gente que não deseja o passado real, mas somente um passado que sirva a seus objetivos. (...) Os negócios da humanidade são hoje conduzidos especialmente por tecnocratas, resolvedores de problemas, para quem a história é quase irrelevante; por isso, ela passou a ser mais importante para nosso entendimento do mundo do que anteriormente.

(Eric Hobsbawm, Tempos interessantes: uma vida no século XX)

TEXTO 2

O que existe é o dia-a-dia. Ninguém vai me dizer que o que aconteceu no passado tem alguma coisa a ver com o presente, muito menos com o futuro. Tudo é hoje, tudo é já. Quem não se liga na velocidade moderna, quem não acompanha as mudanças, as descobertas, as conquistas de cada dia, fica parado no tempo, não entende nada do que está acontecendo.

(Herberto Linhares, depoimento)

TEXTO 3

Não se afobe, não,
Que nada é pra já,
O amor não tem pressa,
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário,
Na posta-restante,
Milênios, milênios
No ar ...
E quem sabe, então,
O Rio será
Alguma cidade submersa.
Os escafandristas virão
Explorar sua casa,
Seu quarto, suas coisas,
Sua alma, desvãos ...
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras,
Fragmentos de cartas, poemas,
Mentiras, retratos,
Vestígios de estranha civilização.
Não se afobe, não,
Que nada é pra já,
Amores serão sempre amáveis.
Futuros amantes quiçá
Se amarão, sem saber,
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você.

(Chico Buarque, "Futuros amantes")


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Temas de redação da FUVEST de 1996 a 2000 
Temas de redação da FUVEST de 1990 a 1995

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEMAS DE REDAÇÃO DA FUVEST – 1996 – 2000

Temas de redação da FUVEST de 1996 a 2000



FUVEST 1996

PROPOSTA DE REDAÇÃO

1. Leia atentamente os textos dados, procurando identificar a questão neles tratada.
2. Escreva uma dissertação em prosa, relacionando os dois textos e expondo argumentos que sustentem seu próprio ponto de vista.

Texto 1

Entre os Maoris, um povo polinésio, existe uma dança destinada a proteger as sementeiras de batatas, que quando novas são muito vulneráveis aos ventos do leste: as mulheres executam a dança, entre os batatais, simulando com os movimentos dos corpos o vento, a chuva, o desenvolvimento e o florescimento do batatal, sendo esta dança acompanhada de uma canção que é um apelo para que o batatal siga o exemplo do bailado. As mulheres interpretam em fantasia a realização prática de um desejo. É nisto que consiste a magia: uma técnica ilusória destinada a suplementar a técnica real.
Mas essa técnica ilusória não é vã. A dança não pode exercer qualquer feito direto sobre as batatas, mas pode ter (como de fato tem) um efeito apreciável sobre as mulheres. Inspiradas pela convicção de que a dança protege a colheita, entregam-se ao trabalho com mais confiança e mais energia. E, deste modo, a dança acaba, afinal, por ter um efeito sobre a colheita.

(George Thomson)

Texto 2

A ciência livra-nos do medo, combatendo com respostas objetivas esse veneno subjetivo. Com um bom pára-raios, quem em casa teme as tempestades? Todo ritual mítico está condenado a desaparecer; a função dos mitos se estreita a cada invenção, e todo vazio em que o pensamento mágico imperava está sendo preenchido pelo efeito de uma operação racional. Quanto à arte, continuará a fazer o que pode: entreter o homem nas pausas de seu trabalho, desembaraçada agora de qualquer outra missão, que não mais é preciso lhe atribuir.

(Hercule Granville)


FUVEST 1997

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Redija uma DISSERTAÇÃO em prosa, relacionando os três textos abaixo.

Texto 1

Na prova de Redação dos vestibulares, talvez a verdadeira questão seja sempre a mesma: "Conseguirei?". Cada candidato aplica-se às reflexões e às frases na difícil tarefa de falar de um tema A proposto, com a preocupação em B – "Conseguirei?" –, para convencer um leitor X.

Texto 2

Ao escrever "Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a manhã", Carlos Drummond de Andrade já era um poeta maior da nossa língua.

Texto 3

É difícil defender,
só com palavras, a vida

(João Cabral de Melo Neto)


FUVEST 1998

PROPOSTA DE REDAÇÃO

A partir da leitura dos textos abaixo, redija uma DISSERTAÇÃO em prosa, discutindo as ideias neles contidas.

(...) o inferno são os Outros.

(Jean-Paul Sartre)

(...) padecer a convicção de que, na estreiteza das relações da vida, a alma alheia comprime-nos, penetra-nos, suprime a nossa, e existe dentro de nós, como uma consciência imposta, um demônio usurpador que se assenhoreia do governo dos nossos nervos, da direção do nosso querer; que é esse estranho espírito, esse espírito invasor que faz as vezes de nosso espírito, e que de fora, a nossa alma, mísera exilada, contempla inerte a tirania violenta dessa alma, outrem, que manda nos seus domínios, que rege as intenções, as resoluções e os atos muito diferentemente do que fizera ela própria (...) 

(Raul Pompeia)

– ``Os outros têm uma espécie de cachorro farejador, dentro de cada um, eles mesmos não sabem. Isso feito um cachorro, que eles têm dentro deles, é que fareja, todo o tempo, se a gente por dentro da gente está mole, está sujo ou está ruim, ou errado... As pessoas, mesmas, não sabem. Mas, então, elas ficam assim com uma precisão de judiar com a gente...'' 

(João Guimarães Rosa)

(...)
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver. 

(Carlos Drummond de Andrade)

        O filósofo e psicólogo William James chamou a atenção para o grau em que nossa identidade é formada por outras pessoas: são os outros que nos permitem desenvolver um sentimento de identidade, e as pessoas com as quais nos sentimos mais à vontade são aquelas que nos ``devolvem'' uma imagem adequada de nós mesmos (...)

(Alain de Botton)


FUVEST 1999

PROPOSTA DE REDAÇÃO

DISSERTAÇÃO

Como você avalia a jovem geração brasileira que constitui a maioria dos que chegam agora ao vestibular? Situada, em sua maior parte, na faixa etária que vai dos dezesseis aos vinte e um anos, que características essa geração apresenta? Que opinião você tem sobre tais características?
Para tratar desse tema, você poderá, por exemplo, identificar as principais virtudes ou os defeitos que eventualmente essa jovem geração apresente; indicar quais são os valores que, de fato, ela julga mais importantes e opinar sobre eles. Você poderá, também, considerá-la quanto à formação intelectual, identificando, aí, os pontos fortes e as possíveis deficiências.
Poderá, ainda, observar qual é o grau de respeito pelo outro, de consciência social, de companheirismo, de solidariedade efetiva, de conformismo ou de inconformismo que essa geração manifesta.
Refletindo sobre aspectos como os acima sugeridos, escolhendo entre eles os que você julgue mais pertinentes ou, caso ache necessário, levantando outros aspectos que você considere mais relevantes para tratar do tema proposto, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA, apresentando argumentos que dêem   consistência e objetividade ao seu ponto de vista.


FUVEST 2000

PROPOSTA DE REDAÇÃO

DISSERTAÇÃO

Recentemente, o Deputado Federal Aldo Rebelo (PC do B – SP), visando proteger a identidade cultural da língua portuguesa, apresentou um projeto de lei que prevê sanções contra o emprego abusivo de estrangeirismos. Mais que isso, declarou o Deputado, interessa-lhe incentivar a criação de um "Movimento Nacional de Defesa da Língua Portuguesa".
Leia alguns dos argumentos que ele apresenta para justificar o projeto, bem como os textos subsequentes, relacionados ao mesmo tema.

"A História nos ensina que uma das formas de dominação de um povo sobre outro se dá pela imposição da língua. (...)" "...estamos a assistir a uma verdadeira descaracterização da Língua Portuguesa, tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos – como ‘holding’, ‘recall’, ‘franchise’, ‘coffee-break’, ‘self-service’ – (...). E isso vem ocorrendo com voracidade e rapidez tão espantosas que não é exagero supor que estamos na iminência de comprometer, quem sabe até truncar, a comunicação oral e escrita com o nosso homem simples do campo, não afeito às palavras e expressões importadas, em geral do inglês norte-americano, que dominam o nosso cotidiano (...)"
"Como explicar esse fenômeno indesejável, ameaçador de um dos elementos mais vitais do nosso patrimônio cultural – a língua materna –, que vem ocorrendo com intensidade crescente ao longo dos últimos 10 a 20 anos? (...)"
"Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural, e, assim, conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie. (...)"

(Dep. Fed. Aldo Rebelo, 1999)

"Na realidade, o problema do empréstimo lingüístico não se resolve com atitudes reacionárias, com estabelecer barreiras ou cordões de isolamento à entrada de palavras e expressões de outros idiomas. Resolve-se com o dinamismo cultural, com o gênio inventivo do povo. Povo que não forja cultura dispensa-se de criar palavras com energia irradiadora e tem de conformar-se, queiram ou não queiram os seus gramáticos, à condição de mero usuário de criações alheias." 

(Celso Cunha, 1968)

"Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma ortográfica para ‘germanizar’ expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente. Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade.
No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra ‘entrega’ em vez de ‘delivery’."

(Folha de S. Paulo, 20/10/98)

TEMAS DE REDAÇÃO DA FUVEST – 1990 A 1995

TEMAS DE REDAÇÃO DA FUVEST DE 1990 A 1995


FUVEST 1990

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Tema da Dissertação

"– Não é preciso zangar-se. Todos nós temos as nossas opiniões.
– Sem dúvida. Mas é tolice querer uma pessoa ter opinião sobre assunto que desconhece. (...) Que diabo! Eu nunca andei discutindo gramática. Mas as coisas da minha fazenda julgo que devo saber. E era bom que não me viessem dar lições. Vocês me fazem perder a paciência."

Você tem opinião sobre as afirmações acima?
Se tem, defenda sua opinião.
Se não, explique por quê.

FUVEST 1991

PROPOSTA DE REDAÇÃO

O trabalhador brasileiro, em sua grande maioria, recebe salário mensal que tem como ponto de referência a chamada "Cesta Básica". Leia o texto a seguir e, baseado no que ele significa para você, escreva a sua redação, dissertativa.

COMIDA

(Arnaldo Antunes/ Marcelo Fromer/Sérgio Britto) 

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.
em Jesus não tem dentes no país dos banguelas

(Titãs, 1988)

FUVEST 1992

PROPOSTA DE REDAÇÃO


Faça uma dissertação discutindo as opiniões expostas a seguir.

É importante que você assuma uma posição a favor ou contra as ideias apresentadas. Justifique-a com argumentos convincentes.
Você poderá também assumir uma posição diferente, alinhando argumentos que a sustentem.

I.Alega-se, com freqüência, que o vestibular, como forma de seleção dos candidatos à escola superior, favorece os alunos de melhor situação econômica que têm condições de cursar as melhores escolas e prejudica os menos favorecidos que são obrigados a estudar em escolas de padrão inferior de ensino.


II. Por outro lado, há quem considere que o vestibular é apenas um processo de seleção que procura avaliar o conhecimento dos candidatos num determinado momento, escolhendo aqueles que se apresentam melhor preparados para ingressar na Universidade. Culpá-lo por possíveis injustiças é o mesmo que culpar o termômetro pela febre.

FUVEST 1993

PROPOSTA DE REDAÇÃO

O trecho a seguir do conto "A Igreja do Diabo", de Machado de Assis, descreve a necessidade que o homem teria de regras que lhe digam o que fazer e como se comportar. Uma vez conseguido isso, ele passaria a violar secretamente as normas que tanto desejou.
Escreva uma dissertação que analise esta visão que o autor tem do comportamento humano. Você pode discordar ou concordar com ela, desde que seus argumentos sejam fundamentados.
O maior mérito estará numa argumentação coesa capaz de levar a uma conclusão coerente.

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma Igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos.
(...) Está claro que (o Diabo) combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie. (...) A Igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. (...) Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano (...) muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. [Nota: embaçar: lograr, enganar]

FUVEST 1994

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Relacione os textos abaixo e redija uma dissertação, em prosa, discutindo as ideias neles contidas e apresentando argumentos que comprovem e/ou refutem essas ideias.

"Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje o mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará"

(Gilberto Gil)

"Como democratizar a TV, o rádio, a imprensa, que são o oxigênio e a fumaça que a nossa imaginação respira? Como seria uma TV sem manipulação? São perguntas difíceis, mas a luta social efetiva, e sobretudo um projeto de futuro, são impossíveis sem entrar nesse terreno."

(Roberto Schwarz)

"Tevê colorida
fará azul-rósea
a cor da vida?"

(Carlos Drummond de Andrade)

FUVEST 1995

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Relacione os textos e a imagem seguintes e escreva uma dissertação em prosa, discutindo as ideias neles contidas e expondo argumentos que sustentem o ponto de vista que você adotou.



Em muitas pessoas já é um descaramento dizerem "Eu".

T.W. Adorno

Não há sempre sujeito, ou sujeitos. (...)
Digamos que o sujeito é raro, tão raro quanto as verdades.

A. Badiou

Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das  inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

T.W. Adorno   



Leia também:

Fuvest 2008 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Texto: "O amor e outros males" - Rubem Braga

O amor e outros males


"Confession". Jack Vettriano.
    Uma delicada leitora me escreve: não gostou de uma crônica minha de outro dia, sobre dois amantes que se mataram. Pouca gente ou ninguém gostou dessa crônica; paciência. Mas o que a leitora estranha é que o cronista "qualifique o amor, o principal sentimento da humanidade, de coisa tão incômoda". E diz mais: "Não é possível que o senhor não ame, e que, amando, julgue um sentimento de tal grandeza incômodo." 
    Não, minha senhora, não amo ninguém; o coração está velho e cansado. Mas a lembrança que tenho de meu último amor, anos atrás, foi exatamente isso que me inspirou esse vulgar adjetivo – "incômodo". Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito, pois o amor, ainda que infeliz, era grande; mas é uma das tristes coisas desta vida sentir que um grande amor pode deixar apenas uma lembrança mesquinha; daquele ficou apenas esse adjetivo, que a aborreceu. 
    Não sei se vale a pena lhe contar que a minha amada era linda; não, não a descreverei, porque só de revê-la em pensamento alguma coisa dói dentro de mim. Era linda, inteligente, pura e sensível – e não me tinha, nem de longe, amor algum; apenas uma leve amizade, igual a muitas outras e inferior a várias. 
    A história acaba aqui; é, como vê, uma história terrivelmente sem graça, e que eu poderia ter contado em uma só frase. Mas o pior é que não foi curta. Durou, doeu e – perdoe, minha delicada leitora – incomodou. 
    Eu andava pela rua e sua lembrança era alguma coisa encostada em minha cara, travesseiro no ar; era um terceiro braço que me faltava, e doía um pouco; era uma gravata que me enforcava devagar, suspensa de uma nuvem. A senhora acharia exagerado se eu lhe dissesse que aquele amor era uma cruz que eu carregava o dia inteiro e à qual eu dormia pregado; então serei mais modesto e mais prosaico dizendo que era como um mau jeito no pescoço que de vez em quando doía como bursite. Eu já tive um mês de bursite, minha senhora; dói de se dar guinchos, de se ter vontade de saltar pela janela. 
    Pois que venha outra bursite, mas não volte nunca um amor como aquele. Bursite é uma dor burra, que dói, dói, mesmo, e vai doendo; a dor do amor tem de repente uma doçura, um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando, como um menino bobo que vai andando distraído e de repente dá uma topada numa pedra. E a angústia lenta de quem parece que está morrendo afogado no ar, e o humilde sentimento de ridículo e de impotência, e o desânimo que às vezes invade o corpo e a alma, e a "vontade de chorar e de morrer", de que fala o samba? 
    Por favor, minha delicada leitora; se, pelo que escrevo, me tem alguma estima, por favor: me deseje uma boa bursite.

(Rubem Braga)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

“O Diamante” – Luis Fernando Verissimo 
Quadras de Fernando Pessoa 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

FUVEST 2008 – 1º Fase – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

FUVEST 2008 – 1º FASE – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA  
  
ps. Foi mantida a numeração original da prova.

Texto para as questões de 40 a 42

 Há muitas, quase infinitas maneiras de ouvir música.  Entretanto, as três mais frequentes distinguem-se pela tendência que em cada uma delas se torna dominante: ouvir com o corpo, ouvir emotivamente, ouvir intelectualmente.
 Ouvir com o corpo é empregar no ato da escuta não apenas os ouvidos, mas a pele toda, que também vibra ao contato com o dado sonoro: é sentir em estado bruto. É bastante freqüente, nesse estágio da escuta, que haja um impulso em direção ao ato de dançar.
Ouvir emotivamente, no fundo, não deixa de ser ouvir mais a si mesmo que propriamente a música. É usar da música a fim de que ela desperte ou reforce algo já latente em nós mesmos. Sai-se da sensação bruta e entra-se no campo dos sentimentos.
 Ouvir intelectualmente é dar-se conta de que a música tem, como base, estrutura e forma. Referir-se à música a partir dessa perspectiva seria atentar para a materialidade de seu discurso: o que ele comporta, como seus elementos se estruturam, qual a forma alcançada nesse processo.

Adaptado de J. Jota de Moraes, O que é música.

Questão 40 - De acordo com o texto, quando uma tendência de ouvir se torna dominante, a audição musical

a) supõe a operação prévia da livre e consciente escolha de um dos três modos de recepção.
b) estabelece uma clara hierarquia entre as obras musicais, com base no valor intrínseco de cada uma delas.
c) privilegia determinado aspecto da obra musical, sem que isso implique a exclusão de outros.
d) ocorre de modo a propiciar uma combinação harmoniosa e equilibrada dos três modos de recepção.
e) subordina os modos de recepção aos diferentes propósitos dos compositores.

Questão 41 - Nesse texto, o primeiro parágrafo e o conjunto dos demais articulam-se de modo a constituir, respectivamente,

a) uma proposição e seu esclarecimento.
b) um tema e suas variações.
c) uma premissa e suas contradições.
d) uma declaração e sua atenuação.
e) um paradoxo e sua superação.

Questão 42 - Considere as seguintes afirmações:

I. Ouvir música com o corpo é senti-la em estado bruto.
II. Ao ouvir-se música emotivamente, sai-se do estado bruto.

Essas afirmações articulam-se de maneira clara e coerente no período:

a) Com o corpo, ouve-se música sentindo-a em estado bruto, ocorrendo o mesmo se ouvi-la emotivamente.
b) Sai do estado bruto quem ouve música com o corpo, no caso de quem a sente de modo emotivo.
c) Para sentir a música emotivamente, quem sai do estado bruto é quem a ouve com o corpo.
d) Sai para o estado emotivo de ouvir música aquele que a ouvia no estado bruto do corpo.
e) Quem ouve música de modo emotivo deixa de senti-la no estado bruto, próprio de quem a ouve com o corpo.

Texto para as questões de 43 a 45

S. Paulo, 13-XI-42
Murilo

 São 23 horas e estou honestissimamente em casa, imagine! Mas é doença que me prende, irmão pequeno. Tomei com uma gripe na semana passada, depois, desensarado, com uma chuva, domingo último, e o resultado foi uma sinusitezinha infernal que me inutilizou mais esta semana toda. E eu com tanto trabalho! Faz quinze dias que não faço nada, com o desânimo de apósgripe, uma moleza invencível, e as dores e tratamento atrozes. Nesta noitinha de hoje me senti mais animado e andei trabalhandinho por aí. (...)
Quanto a suas reservas a palavras do poema que lhe mandei, gostei da sua habilidade em pegar todos os casos “propositais”. Sim senhor, seu poeta, você até está ficando escritor e estilista. Você tem toda a razão de não gostar do “nariz furão”, de “comichona”, etc. Mas lhe juro que o gosto consciente aí é da gente não gostar sensitivamente. As palavras são postas de propósito pra não gostar, devido à elevação declamatória do coral que precisa ser um bocado bárbara, brutal, insatisfatória e lancinante. Carece botar um pouco de insatisfação no prazer estético, não deixar a coisa muito bem-feitinha.(...) De todas as palavras que você recusou só uma continua me desagradando “lar fechadinho”, em que o carinhoso do diminutivo é um desfalecimento no grandioso do coral.

Mário de Andrade, Cartas a Murilo Miranda.

Questão 43 - “... estou honestissimamente em casa, imagine! Mas é doença que me prende, irmão pequeno.”

No trecho acima, o termo grifado indica que o autor da  carta pretende

a) revelar a acentuada sinceridade com que se dirige ao leitor.
b) descrever o lugar onde é obrigado a ficar em razão da doença.
c) demarcar o tempo em que permanece impossibilitado de sair.
d) usar a doença como pretexto para sua voluntária inatividade.
e) enfatizar sua forçada resignação com a permanência em casa.

Questão 44 - No texto, as palavras “sinusitezinha” e “trabalhandinho” exprimem, respectivamente,

a) delicadeza e raiva.
b) modéstia e desgosto.
c) carinho e desdém.
d) irritação e atenuação.
e) euforia e ternura.

Questão 45 - No trecho “...o gosto consciente aí é da gente não gostar sensitivamente”, apresenta-se um jogo de idéias contrárias, que também ocorre em

a) “dores e tratamento atrozes”.
b) “reservas a palavras do poema”.
c) “insatisfação no prazer estético”.
d) “a coisa muito bem-feitinha”.
e) “o carinhoso do diminutivo”.
Texto para as questões 46 e 47

 No início do século XVI, Maquiavel escreveu  O Príncipe – uma célebre análise do poder político, apresentada sob a forma de lições, dirigidas ao príncipe Lorenzo de Médicis. Assim justificou Maquiavel o caráter professoral do texto:
Não quero que se repute presunção o fato de um homem de baixo e ínfimo estado discorrer e regular sobre o governo dos príncipes; pois assim como os [cartógrafos] que desenham os contornos dos países se colocam na planície para considerar a natureza dos montes, e para considerar a das planícies ascendem aos montes, assim também, para conhecer bem a natureza dos povos, é necessário ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é necessário ser do povo.

Tradução de Lívio Xavier, adaptada.

Questão 46 - Ao justificar a autoridade com que pretende ensinar um príncipe a governar, Maquiavel compara sua missão à de um cartógrafo para demonstrar que

a) o poder político deve ser analisado tanto do ponto de vista de quem o exerce quanto do de quem a ele está submetido.
b) é necessário e vantajoso que tanto o príncipe como o súdito exerçam alternadamente a autoridade do governante.
c) um pensador, ao contrário do que ocorre com um cartógrafo, não precisa mudar de perspectiva para situar posições complementares.
d) as formas do poder político variam, conforme sejam exercidas por representantes do povo ou por membros da aristocracia.
e) tanto o governante como o governado, para bem compreenderem oo exercício do poder, devem restringir-se a seus respectivos papéis.

Questão 47 - Está redigido com clareza, coerência e correção o seguinte comentário sobre o texto:

a) Temendo ser qualificado de presunçoso, Maquiavel achou por bem defrontar sua autoridade intelectual, tipo um cartógrafo habilitado a desenhar os contrastes de uma região.
b) Maquiavel, embora identificando-se como um homem de baixo estado, não deixou de justificar sua autoridade diante do príncipe, em cujos ensinamentos lhe poderiam ser de grande valia.
c) Manifestando uma compreensão dialética das relações de poder, Maquiavel não hesita em ministrar ao príncipe, já ao justificar o livro, uma objetiva lição de política.
d) Maquiavel parece advertir aos poderosos de que não se menospreze as lições de quem sabe tanto analisar quanto ensinar o comportamento de quem mantenha relações de poder.
e) Maquiavel, apesar de jamais ter sido um governante em seu livro tão perspicaz, soube se investir nesta função, e assim justificar-se diante de um príncipe autêntico.

Texto para a questão 48

A borboleta

Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama: “Olha uma borboleta!” O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida, murmura: – Ah!, sim, um lepidóptero...

Mário Quintana, Caderno H.

nasóculos = óculos sem hastes, ajustáveis ao nariz.

Questão 48 - Depreende-se desse fragmento que, para Mário Quintana,

a) a crítica de poesia é meticulosa e exata quando acolhe e valoriza uma imagem poética.
b) uma imagem poética logo se converte, na visão de um crítico, em um referente prosaico.
c) o leitor e o poeta relacionam-se de maneira antagônica com o fenômeno poético.
d) o poeta e o crítico sabem reconhecer a poesia de uma expressão como “pedaço esvoaçante de vida”.
e) palavras como “borboleta” ou “lepidóptero” mostram que há convergência entre as linguagens da ciência e da poesia.

Texto para as questões 49 e 50

Meses depois fui para o seminário de S. José. Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto alguma exageração; mas é bom ser enfático, uma ou outra vez, para compensar este escrúpulo de exatidão que me aflige.

Machado de Assis, Dom Casmurro.

Questão 49 - Considerando-se o contexto desse romance de Machado de Assis, pode-se afirmar corretamente que, no trecho acima, ao comentar o próprio estilo, o narrador procura

a) afiançar a credibilidade do ponto de vista que lhe interessa sustentar.
b) provocar o leitor, ao declará-lo incapaz de compreender o enredo do livro.
c) demonstrar que os assuntos do livro são mero pretexto para a prática da metalinguagem.
d) revelar sua adesão aos padrões literários estabelecidos pelo Romantismo.
e) conferir autoridade à narrativa, ao basear sua argumentação na História Sagrada.

Questão 50 - O “escrúpulo de exatidão” que, no trecho, o narrador contrapõe à exageração ocorre também na frase:

a) No momento em que nos contaram a anedota, quase estouramos de tanto rir.
b) Dia a dia, mês a mês, ano a ano, até o fim dos tempos, não tirarei os olhos de ti.
c) Como se sabe, o capitão os alertou milhares de vezes sobre os perigos do lugar.
d) Conforme se vê nos registros, faltou às aulas trinta e nove vezes durante o curso.
e) Com toda a certeza, os belíssimos presentes lhe custaram os olhos da cara.

Questão 51 - Considere as seguintes afirmações sobre três obras literárias:

Na primeira obra, o catolicismo apresenta-se como religião absoluta, cujos princípios sólidos mais sobressaem ao serem contrapostos às desordens humanas. Na segunda obra, diferentemente, ele aparece como religião relativamente maleável, cujos preceitos as personagens acabam por adaptar a seus desejos e conveniências, sem maiores problemas de consciência subseqüentes. Já na terceira obra, o catolicismo comparece sobretudo como parte de um resgate mais amplo de valores familiares e tradicionais, empreendido pelo protagonista.

Essas afirmações referem-se, respectivamente, às seguintes obras:

a) Dom Casmurro, Memórias de um sargento de milícias e Auto da barca do inferno.
b) Memórias de um sargento de milícias, “A hora e vez de Augusto Matraga” e Vidas secas.
c) “A hora e vez de Augusto Matraga”, A cidade e as serras e Memórias de um sargento de milícias.
d) Auto da barca do inferno, Dom Casmurro e A cidade e as serras.
e) A cidade e as serras, Vidas secas e Auto da barca do inferno.

Questão 52 - Considere as seguintes comparações entre Vidas secas e Iracema:

I. Em ambos os livros, a parte final remete o leitor ao início da narrativa: em Vidas secas, essa recondução marca o retorno de um fenômeno cíclico; em Iracema, a remissão ao início confirma que a história fora contada em retrospectiva, reportando-se a uma época anterior à da abertura da narrativa.
II. A necessidade de migrar é tema de que Vidas secas trata abertamente. O mesmo tema, entretanto, já era sugerido no capítulo final de  Iracema, quando, referindo-se à condição de migrante de Moacir, “o primeiro cearense”, o narrador pergunta: “Havia aí a predestinação de uma raça?”
III. As duas narrativas elaboram suas tramas ficcionais a partir de indivíduos reais, cuja existência histórica, e não meramente ficcional, é documentada: é o caso de Martim e Moacir, em  Iracema, e de Fabiano e sinha Vitória, em Vidas secas.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.   b) II, somente.   c) I e II, somente.   d) II e III, somente.   e) I, II e III.

Questão 53 - Apesar de viver “um pouco ao sabor da sorte”, “sem plano nem reflexão”, “movido pelas circunstâncias”, como uma espécie de “títere” (expressões de Antonio Candido), o protagonista das Memórias de um sargento de milícias, Leonardo (filho), como outras personagens do romance, mostra-se bastante determinado quando se trata de

a) estabelecer estratégias para ascender na escala social.
b) assumir rixas, tirar desforras e executar vinganças.
c) demonstrar afeto e gratidão por aqueles que o amparam e defendem.
d) buscar um emprego que lhe garanta a subsistência imediata.
e) conservar-se fiel ao primeiro amor de sua vida.

Questão 54 - Entre os seguintes versos de Alberto Caeiro, aqueles que, tomados em si mesmos, expressam ponto de vista frontalmente contrário à orientação dominante que se manifesta em A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, são os que estão em:

a) “Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho: / O valor está ali, nos meus versos.”
b) “Eu nunca daria um passo para alterar / Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.”
c) “Como o campo é grande e o amor pequeno! / Olho, e esqueço, como o mundo enterra e as árvores se despem.”
d) “Quando a erva crescer em cima da minha sepultura, / seja esse o sinal para me esquecerem de todo.”
e) “Quem me dera que eu fosse o pó da estrada / E que os pés dos pobres me estivessem pisando...”

Questão 55 - A frase em que todos os vocábulos grifados estão corretamente empregados é:

a) Descobriu-se, instantes, a verdadeira razão por que a criança se recusava à freqüentar a escola.
b) Não se sabe, de fato, porquê o engenheiro preferiu destruir o pátio a adaptá-lo às novas normas.
c) Disse-nos, já a várias semanas, que explicaria o porque da decisão tomada às pressas naquela reunião.
d) Chegava tarde, porque precisava percorrer a pé uma distância de dois à três quilômetros.
e) Não prestou contas à associação de moradores, não compareceu à audiência e até hoje não disse por quê.

GABARITO

40 – C   41 – A   42 – E    43 – E   44 – D   45 – C   46 – A   47 – C  
48 – B   49 – A   50 – D   51 – D   52 – C   53 – B    54 – B   55 – E