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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Prova de Língua Portuguesa – Mackenzie – 2012 – 1º Semestre

Universidade Mackenzie – Vestibular 2012 - 1º Semestre – Prova de Língua Portuguesa



Texto para as questões de 01 a 05

01 No verão de 1949, os nativos estavam inquietos no país do Carnaval.
02 As cuícas iriam roncar nas ruas do Rio em fevereiro, e as válvulas
03 dos Philcos já pegavam fogo ao som dos sucessos daquele ano. De
04 três em três minutos, a Rádio Nacional martelava “Chiquita Bacana”,
05 com Emilinha Borba. Era um massacre, a que nem os surdos eram
06 poupados. E até que aquele não seria um Carnaval dos piores:
07 alguns sambas e marchinhas eram divertidos, como o eufórico
08 “Que samba bom!”. E dezenas de outros, feitos para durar apenas
09 por pouco tempo, mas que as pessoas aprendiam e cantavam -
10 nada a ver com os paquidérmicos sambas-enredo de hoje. As escolas
11de samba existiam em função dos sambistas, não dos cambistas -
12 não que elas fossem muito importantes para o Carnaval. E, como
13 não existia televisão, ninguém ficava apalermado em casa, vivendo
14 vicariamente o espalhafato alheio. Saía-se às ruas para brincar e,
15 durante os dois primeiros meses do ano, todo o Rio de Janeiro era
16 um Carnaval com um elenco de milhões. Mais exatamente 2.377.451
17 figurantes, segundo diria o IBGE em 1950.

(Adaptado de "Chega de saudade", de Ruy Castro)

Questão nº 01 - Assinale a alternativa INCORRETA.

a) A palavra inquietos (linha 01) poderia ser substituída, sem prejuízo para o sentido original do fragmento, por “irrequietos”.
b) Os dois pontos (linha 06) introduzem explicitação do que foi afirmado no período imediatamente anterior.
c) A conjunção adversativa mas (linha 09) pode ser substituída pela equivalente “e”, sem que haja alteração semântica do trecho.
d) A expressão nada a ver (linha 10) apresenta duas possibilidades de grafia: a própria “nada a ver” e a equivalente “nada há ver”.
e) A expressão em função (linha 11) denota sentido de explicação, equivalente ao que seria expresso também pela forma “por causa de”.

Questão nº 02 - Assinale a alternativa correta.

a) A palavra nativos (linha 01) faz referência aos habitantes naturais do Brasil: os milhares de indígenas massacrados no processo de colonização.
b) A expressão  daquele ano (linha 03) estabelece coesão, pois antecipa referência que ainda será explicitada ao longo do texto.
c) Os vocábulos  sambistas e  cambistas (linha 11) apresentam sufixo que denota o agente de determinadas ações.
d) É indiferente a presença ou ausência do artigo definido o no trecho todo o Rio de Janeiro era um Carnaval (linhas 15 e 16).
e) Em seu emprego no texto, a forma diria (linha 17) denota temporalidade que indica ação hipotética, jamais efetivamente realizada.

Questão nº 03 - Assinale a alternativa que NÃO apresenta uso de linguagem figurada.

a) (linha 02) - As cuícas iriam roncar.
b) (linhas 02 e 03) - as válvulas dos Philcos já pegavam fogo.
c) (linha 04) - a Rádio Nacional martelava “Chiquita Bacana”.
d) (linha 10) - nada a ver com os paquidérmicos sambas-enredo.
e) (linha 13) - ninguém ficava apalermado em casa.

Questão nº 04 - Considere as seguintes afirmações:

I. O texto faz implicitamente uma crítica ao Carnaval dos nossos tempos, concentrados no luxo televisivo e espetacular das dispendiosas  escolas de samba.
II. O narrador observa, nostalgicamente, velhos tempos carnavalescos da cidade carioca, quando imperava a alegria das marchinhas e do Carnaval de rua.
III. A leveza das letras e ritmo das marchinhas são contrapostos a um ritmo pesado e nada leve dos sambas-enredo atuais.

Assinale:
a) se apenas as alternativas I e II estiverem  corretas.
b) se apenas as alternativas II e III estiverem  corretas.
c) se apenas as alternativas I e III estiverem  corretas.
d) se todas as alternativas estiverem corretas.
e) se nenhuma das alternativas estiver correta.

Questão nº 05 - Considerado o contexto, todas as alternativas traduzem adequadamente o sentido do termo em destaque, EXCETO:

a) eufórico (linha 07) = exultante
b) apalermado (linha 13) = atônito
c) vicariamente (linha 14) = em substituição
d) espalhafato (linha 14) = alvoroço
e) elenco (linha 16) = conjunto de artistas famosos
Texto para as questões de 06 a 08

01 Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
02 leituras não era a beleza das frases, mas a doença
03 delas.
04 Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
05 esse gosto esquisito.
06 Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
07 - Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
08 o Padre me disse.
09 [...]
10 Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
11 Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
12 agramática.

(Manoel de Barros, “Poema VII” )

Questão nº 06 - Assinale a alternativa correta.

a) O verso Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável (v.7) denota o desprezo com que o Padre Ezequiel  se dirigiu ao enunciador, já que se apresenta como um paradoxo.
b) O segmento meu primeiro professor de agramática (v.11 e 12) é índice da visão equivocada que o menino de 13 anos tinha das aulas de gramática normativa.
c) A imagem estranha no verso Eu pensava que fosse um sujeito escaleno (v.6) pode ser corretamente considerada como concretização do que o eu lírico denomina doença da linguagem.
d) O início do poema – Descobri aos 13 anos – é a frase que identifica o eu lírico do texto como um jovem adolescente.
e) O segmento  o que me dava prazer nas leituras  (v.1 e 2) deve ser compreendido como uma ironia, pois o eu lírico declara não sentir prazer na beleza das frases (v.2).

Questão nº 07 - O valor do prefixo da palavra agramática encontra-se também em:

a) anagrama.  b) acrópole. c) adjunto. d) amoral. e) análise.

Questão nº 08 - Considere as seguintes afirmações:

I. Trata-se de um texto que exemplifica uma tendência da poesia contemporânea marcada pela oposição a padrões acadêmicos rígidos, obedecidos, por exemplo, pela poesia parnasiana.
II. A proposta estética implícita nesse poema confirma posições defendidas pelo movimento modernista brasileiro de 22.
III. O poema valoriza clichês linguísticos – por exemplo, sujeito escaleno e agramática – , como forma de criticar o experimentalismo estético.

Assinale:
a) todas as afirmações estão corretas.
b) apenas as afirmações I e II estão corretas.
c) apenas as afirmações II e III estão corretas.
d) apenas as afirmações I e III estão corretas.
e) nenhuma afirmação está correta. 

Texto para as questões de 09 a 11

01 Guiomar não tinha a experiência nem a idade da inglesa, que podia
02 ser sua mãe; mas a experiência e a idade eram substituídas, como
03 sabe o leitor, por um grande tino e sagacidade naturais. Há criaturas
04 que chegam aos cinquenta anos sem nunca passar dos quinze, tão
05 símplices, tão cegas, tão verdes as compõe a natureza; para essas
06 o crepúsculo é o prolongamento da aurora. Outras não; amadurecem
07 na sazão das flores; vêm ao mundo com a ruga da reflexão no
08 espírito, - embora, sem prejuízo do sentimento, que nelas vive e
09 influi, mas não domina. Nestas o coração nasce enfreado; trota largo,
10 vai a passo ou galopa, como coração que é, mas não dispara nunca,
11 não se perde nem perde o cavaleiro.

(Machado de Assis, A mão e a luva)

Questão nº 09 - Assinale a alternativa correta.

a) O narrador onisciente apresenta-nos a personagem Guiomar como uma jovem de acentuada tendência às paixões, traço alusivo ao estilo romântico da primeira fase do escritor.
b) Na linha 03, a referência a  um grande tino e sagacidade naturais, característica da figura feminina descrita, lembra outras personagens machadianas, como, por exemplo, Capitu, do romance D. Casmurro.
c) A linguagem presente às linhas 09, 10 e 11 revela que a personagem mais madura, referida como  inglesa,  jamais perde o controle das situações passionais.
d) Com a frase o crepúsculo é o prolongamento da aurora (linha 06), o narrador de primeira pessoa, tipicamente machadiano, revela sua visão de mundo marcada pelo humor e crença na harmonia existencial, em que vida e morte se fundem.
e) Na expressão ruga da reflexão no espírito (linhas 07 e 08), Machado de Assis faz, indiretamente,  um juízo de valor negativo acerca do estilo realista.

Questão nº 10 - Considerado o contexto, todas as alternativas explicam adequadamente a expressão extraída do fragmento, EXCETO:

a) chegam aos cinquenta anos sem nunca passar dos quinze (linha 04): conservam a mesma beleza e esplendor da juventude.
b) tão cegas, tão verdes (linha 05): adjetivos que, conotativamente, expressam a ideia de ingenuidade, infantilidade.
c) amadurecem na sazão das flores  (linhas 06 e 07): referência a um amadurecimento emocional e intelectual desenvolvido em curto espaço de tempo, precocemente.
d) vai a passo ou galopa (linha 10): referência ao fato de o coração bater às vezes em ritmo normal, outras vezes em ritmo mais acelerado.
e) não se perde nem perde o cavaleiro (linha 11): alusão ao controle emocional de algumas pessoas.

Questão nº 11 - Considere os seguintes traços de estilo:

I. Evidência de metáforas na composição do discurso descritivo.
II. Marca linguística que denuncia a presença do interlocutor no texto.
III. Sinais explícitos de reflexão metalinguística, ou seja, discurso que tematiza o próprio fazer literário.

No texto,
a) apenas as características I e II estão presentes.
b) apenas a característica I está presente.
c) apenas as características II e III estão presentes.
d) apenas as características I e III estão presentes.
e) as características I, II e III estão presentes.

GABARITO

1 – D   2 – C   3 – E   4 – D   5 – E   6 – C   7 – D   8 – B   9 – B   10 – A   11 – A


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terça-feira, 25 de setembro de 2012

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – CARGO: PAPILOSCOPISTA (2004)

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – CONCURSO PÚBLICO – POLÍCIA FEDERAL –  CARGO: PAPILOSCOPISTA (2004)

PROVA OBJETIVA

De acordo com o comando a que cada um dos itens a seguir se refira, marque, na folha de respostas, para cada item: o campo designado com o código C, caso julgue o item CERTO; ou o campo designado com o código E, caso julgue o item ERRADO.

Texto para os itens de 1 a 15


1   O filme Central do Brasil, de Walter Salles, tem como
     protagonista a professora aposentada Dora, que ganha um dinheiro
     extra escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil,
4   estação ferroviária do Rio de Janeiro. Outra personagem é o menino
     Josué, filho de Ana, que contrata os serviços de Dora para escrever
     cartas passionais para seu ex-marido, pai de Josué. Logo após ter
7   contratado a tarefa, Ana morre atropelada. Josué, sem ninguém a
     recorrer na megalópole sem rosto, sob o jugo do estado mínimo
     (sem proteção social), vê em Dora a única pessoa que poderá levá-lo
10 até seu pai, no interior do sertão nordestino.
     Dos vários momentos emocionantes do filme, o mais
     sensibilizante é o encontro de Josué com os presumíveis irmãos que,
13 como o pai elaborado em seus sonhos, são também marceneiros. A
     câmera faz uma panorâmica no interior do sertão para mostrar um
     conjunto habitacional de casas populares recém-construídas; em uma
16 das casas, os moradores são os filhos do pai de Josué que, em sua
     residência simples, acolhem para dormir Josué e Dora. Os irmãos
     dormem juntos e dividem a mesma cama. Existe uma comunhão de
19 sentimentos entre os irmãos: os que têm um teto para morar, têm
     trabalho, dão amparo ao menino órfão sem eira nem beira.
     No filme, a grande questão do analfabetismo está acoplada
22 a outro desafio, que é a questão nordestina, ou seja, o atraso
     econômico e social da região. Não basta combater o analfabetismo,
     que, por si só, necessitaria dos esforços de, no mínimo, uma geração
25 de brasileiros para ser debelado, pois, em 1996, o analfabetismo
     da população de 15 anos e mais, no Brasil, era de 13,03%,
     representando um total de 13,9 milhões de pessoas. Segundo a
28 UNESCO, o Brasil chegaria ao ano 2000 em sétimo lugar entre os
     países com maior número de analfabetos.
     No Brasil, carecemos de políticas públicas que atendam, de
31 forma igualitária, a população, em especial aquelas voltadas para as
     crianças, os idosos e as mulheres. A permanência da questão
     nordestina é um exemplo constante das nossas desigualdades, do
34 desprezo à vida e da falta de políticas públicas que atendam aos
     anseios mínimos do povo trabalhador. Não saber ler nem escrever,
     no Brasil, é um elemento a mais na desagregação dos indivíduos que
37 serão párias permanentes em uma sociedade que se diz moderna e
     globalizada, mas que é debilitada naquilo que é mais premente ao
     povo: alimentação, trabalho, saúde e educação. Sem essas condições
40 básicas, praticamente se nega o direito à cidadania da ampla maioria
     da população brasileira.
     Os ensinamentos que podemos tirar de Central do Brasil
43 são que devemos atacar a questão social de várias frentes, em
     especial na educação de todos os brasileiros, jovens e velhos; lutar
     por políticas públicas de qualidade que direcionem os investimentos
46 para promover uma desconcentração regional e pessoal da renda
     no país, propugnando por um novo modelo econômico e social.
     Ao garantir uma vida digna, a maioria da população saberá, por
49 meio da solidariedade de classe, responder às necessidades da
     construção de uma sociedade mais justa. Central do Brasil é um
     exemplo vivo de que o Brasil tem rumo e esperança.

(Salvatore Santagada. Zero Hora, 20/3/1999 - com adaptações)

A partir do texto ao lado, julgue os itens a seguir.

1 – Depreende-se, pelo primeiro parágrafo, que o texto faz parte de um relatório técnico, por meio do qual é dada ao leitor a síntese do roteiro elaborado por Walter Salles.

2 – De acordo com o texto, o filme Central do Brasil é perpassado por uma emocionante comunhão afetiva e um elevado sentimento de solidariedade entre Dora e Josué, assim como entre este e seus irmãos.

3 – O elemento de articulação “como” expressa diferentes relações nas linhas 1 e 13, não podendo ser substituído, nessas duas ocorrências, por porque.

4 – Na linha 3, uma vírgula pode ser colocada após “extra”, sem que se firam o sentido do texto e as regras gramaticais de pontuação.

5 – O segundo parágrafo do texto é, predominantemente, descritivo, mas, a partir do terceiro parágrafo, o texto tem caráter dissertativo, por apresentar argumentos que defendem o ponto de vista do redator.

6 – Pela passagem do texto “o mais sensibilizante é o encontro de Josué com os presumíveis irmãos que, como o pai elaborado em seus sonhos, são também marceneiros” (R.11-13), deduz-se que tanto os irmãos quanto a figura paterna são personagens imaginados pelo garoto.

7 – Com referência ao emprego do sinal indicativo de crase, é correto substituir o período “No Brasil (...) as mulheres” (R.30-32) pela seguinte construção: As políticas públicas devem auxiliar, de forma igualitária, à população, em especial às crianças, aos idosos e às mulheres.

8 – Nas formas verbais sublinhadas em “têm um teto para morar, têm trabalho” (R.19-20), distintamente de “tem rumo e esperança” (R.51), foi empregado o acento circunflexo porque o verbo ter está flexionado no plural.

9 – Os adjetivos “acoplada” (R.21), “debelado” (R.25) e “debilitada” (R.38) significam no texto, respectivamente, ligada, extinto e fraca.

10 – Está correta a pontuação e a concordância na seguinte reescritura do trecho “em 1996 (...) de pessoas” (R.25-27): em 1996, 13,03% da população de 15 anos e mais no Brasil, eram analfabetos, percentual esse que representavam o total de 13,9 milhões de pessoas.

11 – No período simples “Segundo a UNESCO, o Brasil chegaria ao ano 2000 em sétimo lugar entre os países com maior número de analfabetos” (R.27-29), há uma única oração cujo sentido não se altera com a seguinte reescritura: O Brasil, segundo a UNESCO, iria chegar em sétimo lugar entre os países com maior número de analfabetos, no ano 2000.

Julgue as reescrituras apresentadas nos itens a seguir quanto à grafia, à acentuação, à pontuação e à preservação das idéias do último parágrafo do texto de referência.

12 – Podemos extrair de Central do Brasil o ensinamento de que devemos atacar a questão social de várias formas, especialmente educando todos os brasileiros, infantes, jovens e idosos.

13 – Lutar em favor de políticas de qualidade pública, que direcionem os investimentos à promoção de uma desconcentração da renda no País, propunando por um novo modelo econômico de benefício social, regional e particular, é um dos ensinamentos que se pode tirar de Central do Brasil.

14 – Garantindo uma vida com dignidade à maioria da população, todos saberão que, por intermédio da solidariedade entre as classes trabalhadoras, responder-se-á as necessidades da construção de uma sociedade mais justa.

15 – Central do Brasil é um exemplo pulsante de que o Brasil tem rumo e esperança, desde que a maioria da população, por meio da solidariedade de classe, ao garantir uma vida digna para todos, saberá responder aos apelos no sentido da construção de uma sociedade mais justa.

GABARITO OFICIAL

1 – E     2 – E    3 – C    4 – C     5 – C    6 – E    7 – E
8 – C     9 – C   10 – E  11 – C   12 – C  13 – E  14 – E 15 – E 

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Texto: "Vinte e uma coisas que aprendi como escritor" - Moacyr Scliar

Vinte e uma coisas que aprendi como escritor

Aprendi que escrever é basicamente contar histórias, e que os melhores livros de ficção que li eram aqueles que tinham uma história para contar.
“Belgian writer Emile Verhaeren” – Théo Van Rysselberghe. 1901.
Aprendi que o ato de escrever é uma sequela do ato de ler. É preciso captar com os olhos as imagens das letras, guardá-las no reservatório que temos em nossa mente e utilizá-las para compor depois as nossas próprias palavras.
Aprendi que, quando se começa, plagiar não faz mal nenhum. Copiei descaradamente muitos escritores, Monteiro Lobato, Viriato Correa e outros. Não se incomodaram com isto. E copiar me fez muito bem.
Aprendi que, quando se começa a escrever, sempre se é autobiográfico, o que  de novo – não prejudica. Mas os escritores que ficam sempre na autobiografia, que só olham para o próprio umbigo, acabam se tornando chatos.
Aprendi que, para aprender a escrever, tinha de escrever. Não adiantava só ficar falando de como é bonito (...)
Aprendi que uma boa ideia pode ocorrer a qualquer momento: conversando com alguém, comendo, caminhando, lendo (e, segundo Agatha Christie, lavando pratos).
Aprendi que uma boa ideia é realmente boa quando não nos abandona, quando nos persegue sem cessar. O grande teste para uma ideia é tentar se livrar dela. Se veio para ficar, resiste ao sono, ao cansaço, ao cotidiano, é porque merece atenção.
Aprendi que aeroportos e bares são grandes lugares para se escrever. O bar, por razões óbvias; o aeroporto, porque neles a vida como que está em suspenso. Nada como uma existência provisória para despertar a inspiração literária.
Aprendi que as costas do talão de cheque é um bom lugar para anotar ideias (é por isso que escritor tem de ganhar a grana suficiente para abrir uma conta bancária). O guardanapo do restaurante também serve, desde que seja de papel e não de pano. (...)
Aprendi que o computador é um grande avanço no trabalho de escrever, mas tem um único inconveniente: elimina os originais, os riscos, os borrões, e portanto a história do texto, a qual – como toda história – pode nos ensinar muito.
Aprendi que a mancha gráfica representada pelo texto impresso diz muito sobre este mesmo texto. As linhas não podem estar cheias de palavras; o espaço vazio é tão eloquente quanto o espaço preenchido pela escrita. O texto precisa respirar, e quando respira, fica graficamente bonito. Um texto bonito é um texto bom.
Aprendi a rasgar e jogar fora. Quando um texto não é bom, ele não é bom - ponto. Por causa da autocomiseração (é a nossa vida que está ali!) temos a tentação de preservá-lo, esperando que, de forma misteriosa, melhore por si. Ilusão. É preciso ter a coragem de se desfazer. A cesta de papel é uma grande amiga do escritor. (...)
Aprendi a não ter pressa de publicar. Já se ouviu falar de muitos escritores batendo aflitos, à porta de editores. O que é mais raro, muito mais raro, são os leitores batendo à porta do escritor.
Aprendi a não reler meus livros. Um livro tem existência autônoma, boa e má. Não precisa do olhar de quem o escreveu para sobreviver.
Aprendi que, para um escritor, um livro é como um filho, mas que é preciso diferenciar entre filhos e livros.
Aprendi que terminar um livro se acompanha de uma sensação de vazio, mas que o vazio também faz parte da vida de quem escreve.
Aprendi que há uma diferença entre literatura e vida literária, entre literatura e política literária. Escrever é um vício solitário.
Aprendi a diferenciar entre o verdadeiro crítico e o falso crítico. O falso crítico não está falando do que leu. Está falando dos seus próprios problemas.
Aprendi que, para um escritor, frio na barriga ou pelos do braço arrepiados são um bom sinal: um livro vem vindo aí.

(Moacyr Scliar)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br 

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João Cabral de Melo Neto – Poemas
“A casa viaja no tempo” – Rubem Braga

terça-feira, 18 de setembro de 2012

UNESP 2010 – Prova de Língua Portuguesa – 1º Fase

UNESP 2010 – Prova de Língua Portuguesa – 1º Fase



Instrução: As questões de números 01 a 05 tomam por base o seguinte fragmento de uma crônica de João Ubaldo Ribeiro:

Motivos para pânico

Como sabemos, existem muitas frases comumente repetidas a cujo uso nos acostumamos tanto que nem observamos nelas patentes absurdos ou disparates. Das mais escutadas nos noticiários, nos últimos dias, têm sido “não há razão para pânico” e “não há motivo para pânico”, ambas aludindo à famosa gripe suína de que tanto se fala. Todo mundo as ouve e creio que a maioria concorda sem pensar e sem notar que se trata de assertivas tão asnáticas quanto, por exemplo, a antiga exigência de que o postulante a certos benefícios públicos estivesse “vivo e sadio”, como se um defunto pudesse estar sadio. Ou a que apareceu num comercial da Petrobrás em homenagem aos seus trabalhadores, que não sei se ainda está sendo veiculado. Nele, os trabalhadores “encaram de frente” grandes desafios, como se alguém pudesse encarar alguma coisa senão de frente mesmo, a não ser que o cruel destino lhe haja posto a cara no traseiro.
Em rigor, as frases não se equivalem e é necessário examinálas separadamente, se se desejar enxergar as inanidades que formulam. No primeiro caso, pois o pânico é uma reação irracional, comete-se uma contradição em termos mais que óbvia. Ninguém pode ter ou deixar de ter razão para pânico, porque não é possível haver razão em algo que por definição requer ausência de razão. Então, ao repetir solenemente que não há razão para pânico, os noticiários e notas de esclarecimento (e nós também) estão dizendo uma novidade semelhante a “água é um líquido” ou “a comida vai para o estômago”. Se as palavras pudessem protestar, certamente Pânico escreveria para as redações, perguntando ofendidíssimo desde quando ele precisa de razão. Nunca há uma razão para o pânico.
A segunda frase nega uma verdade evidente. É também mais do que claro que não existe pânico sem motivo, ou seja, o freguês entra em pânico porque algo o motivou, independentemente de sua vontade, a entrar na desagradabilíssima sensação de pânico. Ninguém, que eu saiba, olha assim para a mulher e diz “mulher, acho que vou entrar em pânico hoje à tarde” e, quando a mulher pergunta por que, diz que é para quebrar a monotonia.”

(João Ubaldo Ribeiro. Motivos para pânico. O Estado de S.Paulo, 17.05.2009.)

Questão 01 - Como é característico da crônica jornalística, João Ubaldo Ribeiro focaliza assuntos do cotidiano com muito bom humor, mesclando a seu discurso palavras e expressões coloquiais. Um exemplo é asnáticas, que aparece em “assertivas tão asnáticas quanto”, e outro, o substantivo freguês, empregado em “o freguês entra em pânico”. Caso o objetivo do autor nessas passagens deixasse de ser jocoso e se tornasse mais formal, as palavras adequadas para substituir, respectivamente, asnáticas e freguês seriam:

(A) Estúpidas, panaca. (B) Asininas, bestalhão. (C) Intrigantes, sujeito.
(D) Estranhas, cara.     (E) Disparatadas, indivíduo.

Questão 02 - Embora o autor afirme, no fragmento citado, que os significados de razão e motivo são diferentes nas frases mencionadas, há numerosos contextos em que essas duas palavras podem ser indiferentemente utilizadas, sem alteração relevante do significado das frases. Baseado neste comentário, assinale a única alternativa em que a palavra motivo não pode substituir a palavra razão, já que nesse caso haveria uma grande mudança do sentido.

(A) Qual a razão de tamanha mudança?
(B) Ele perdeu a razão ao sentir aquele amor tão forte.
(C) A razão de sua renúncia foi a chegada de seu irmão.
(D) Ninguém descobriu a razão de sua morte.
(E) Que razões alegou para o pedido de divórcio?

Questão 03 - O autor escreve, no penúltimo período do segundo parágrafo, a palavra Pânico com inicial maiúscula. O emprego da inicial maiúscula, neste caso, se deve

(A) ao fato de, por sinédoque, o cronista querer ressaltar a diferença entre a parte e o todo.
(B) à necessidade de enfatizar que há diferenças entre diversos tipos de pânico.
(C) ao emprego da palavra com base no recurso da personificação ou prosopopeia.
(D) à necessidade de diferençar os significados de “razão” e “motivo”.
(E) para alertar sobre o grande perigo que representaria o pânico sem motivo.

Questão 04 - “Então, ao repetir solenemente que não há razão para pânico, os noticiários e notas de esclarecimento (e nós também) estão dizendo uma novidade semelhante a ‘água é um líquido’ ou ‘a comida vai para o estômago’.”
Neste período, no tom bem humorado que o autor imprime à crônica, a palavra novidade assume um sentido contrário ao que apresenta normalmente. Essa alteração de sentido, em função de um contexto habilmente construído pelo cronista, caracteriza o
recurso estilístico denominado:

(A) Ironia.   (B) Reticência.   (C) Eufemismo.   (D) Antítese.   (E) Hipérbole.

Questão 05 - Para o narrador, não notamos os verdadeiros absurdos em asserções como as que ele comenta, porque:

(A) Não temos hábito de leitura e interpretação de textos.
(B) Não nos sentimos capazes de negar verdades evidentes.
(C) Quase todas as frases assertivas do idioma são “asnáticas”.
(D) Costumamos ouvi-las tantas vezes, que nem notamos tais absurdos.
(E) Essas frases aparecem em propagandas oficiais.

Instrução: As questões de números 06 a 10 tomam por base a seguinte crônica do escritor e blogueiro Antonio Prata:

Pensar em nada

A maravilha da corrida: basta colocar um pé na frente do outro.

Assim como numa família de atletas um garoto deve encontrar certa resistência ao começar a fumar, fui motivo de piada entre alguns parentes – quase todos intelectuais – quando souberam que eu estava correndo. “O esporte é bom pra gente”, disse minha avó, num almoço de domingo. “Fortalece o corpo e emburrece a mente.”
Hoje, dez anos depois daquele almoço, tenho certeza de que ela estava certa. O esporte emburrece a mente e o mais emburrecedor de todos os esportes inventados pelo homem é, sem sombra de dúvida, a corrida – por isso que eu gosto tanto.
Antes que o primeiro corredor indignado atire um tênis em minha direção (número 42, pisada pronada, por favor), explico-me. É claro que o esporte é fundamental em nossa formação. Não entendo lhufas de pedagogia ou pediatria, mas imagino que jogos e exercícios ajudem a formar a coordenação motora, a percepção espacial, a lógica e os reflexos e ainda tragam mais outras tantas benesses ao conjunto psico-moto-neuro-blá-blá-blá. Quando falo em emburrecer, refiro-me ao delicioso momento do exercício, àquela hora em que você se esquece da infiltração no teto do banheiro, do enrosco na planilha do Almeidinha, da extração do siso na próxima semana, do pé na bunda que levou da Marilu, do frio que entra pela fresta da janela e do aquecimento global que pode acabar com tudo de uma vez. Você começa a correr e, naqueles 30, 40, 90 ou 180 minutos, todo esse fantástico computador que é o nosso cérebro, capaz de levar o homem à Lua, compor músicas e dividir um átomo, volta-se para uma única e simplíssima função: perna esquerda, perna direita, perna esquerda, perna direita, inspira, expira, inspira, expira, um, dois, um, dois.
A consciência é, de certa forma, um tormento. Penso, logo existo. Existo, logo me incomodo. A gravidade nos pesa sobre os ombros. Os anos agarram-se à nossa pele. A morte nos espreita adiante e quando uma voz feminina e desconhecida surge em nosso celular, não costuma ser a última da capa da Playboy, perguntando se temos programa para sábado, mas a mocinha do cartão de crédito avisando que a conta do cartão “encontra-se em aberto há 14 dias” e querendo saber se “há previsão de pagamento”.
Quando estamos correndo, não há previsão de pagamento. Não há previsão de nada porque passado e futuro foram anulados. Somos uma simples máquina presa ao presente. Somos reduzidos à biologia. Uma válvula bombando no meio do peito, uns músculos contraindo-se e expandindo-se nas pernas, um ou outro neurônio atento aos carros, buracos e cocôs de cachorro.
Poder, glória, dinheiro, mulheres, as tragédias gregas, tá bom, podem ser coisas boas, mas naquele momento nada disso interessa: eis-nos ali, mamíferos adultos, saudáveis, movimentando-nos sobre a Terra, e é só.

(Antonio Prata. Pensar em nada. Runner’s World, n.° 7, São Paulo: Editora Abril, maio/2009.)

Questão 06 - Ao longo do texto apresentado, percebemos que o cronista nos conduz com sutileza e humor para um sentido de  emburrecer bem diferente do que parece estar sugerido na fala de sua avó. Para ele, portanto, como se observa principalmente no emprego da palavra no terceiro parágrafo, emburrecer é:

(A) Fazer perder progressivamente a inteligência por meio do esporte.
(B) Imitar a capacidade de concentração do animal para obter melhores resultados.
(C) Tornar-se uma pessoa muito teimosa, focada exclusivamente no esporte.
(D) Embotar as faculdades mentais pela prática constante do esporte.
(E) Esvaziar a mente de outras preocupações durante a prática do esporte.

Questão 07 - A série de cinco períodos curtos com que se inicia o quarto parágrafo expressa, num crescendo, algumas preocupações existenciais do cronista. A partir do sexto período, porém, a expressão dessas grandes preocupações se frustra com a ocorrência trivial
da ligação da moça do cartão de crédito. Essa técnica de enumeração ascendente que termina por uma súbita descendente constitui um recurso estilístico denominado:

(A) Catacrese.   (B) Anticlímax.   (C) Anáfora.   (D) Símile.   (E) Clímax.

Questão 08 - No período “Hoje, dez anos depois daquele almoço, tenho certeza de que ela estava certa”, o cronista poderia ter evitado o efeito redundante devido ao emprego próximo de palavras cognatas (certeza – certa). Leia atentamente as quatro possibilidades abaixo e identifique as frases em que tal efeito de redundância é evitado, sem que sejam traídos os sentidos do período original:

I. Hoje, dez anos depois daquele almoço, estou certo de que ela acertou.
II. Hoje, dez anos depois daquele almoço, estou convencido de que ela estava certa.
III. Hoje, dez anos depois daquele almoço, tenho certeza de que ela tinha razão.
IV. Hoje, dez anos depois daquele almoço, acredito que ela poderia estar certa.

(A) I e II.   (B) II e III.   (C) I, II e III.   (D) I, III e IV.   (E) II, III e IV.

Questão 09 - O esporte é bom pra gente, fortalece o corpo e emburrece A MENTE. – Antes que o primeiro corredor indignado atire UM TÊNIS em minha direção (...) – Quando estamos correndo, não há PREVISÃO DE PAGAMENTO.
Os termos grafados com letras maiúsculas nas passagens acima, extraídas do texto apresentado, identificam-se pelo fato de exercerem a mesma função sintática nas orações de que fazem parte. Indique essa função:

(A) Sujeito.             (B) Predicativo do sujeito.   (C) Predicativo do objeto.   
(D) Objeto direto.   (E) Complemento nominal.

Questão 10 - Ao empregar lhufas em “Não entendo lhufas de pedagogia ou pediatria (...)”, o cronista poderia ter também empregado outros vocábulos ou expressões que correspondem à mesma acepção.
Assinale a única alternativa em que a substituição não é pertinente, pois alteraria o sentido da frase:

(A) Não entendo bulhufas de pedagogia ou pediatria.
(B) Não entendo patavina de pedagogia ou pediatria.
(C) Não entendo muita coisa de pedagogia ou pediatria.
(D) Não entendo coisa alguma de pedagogia ou pediatria.
(E) Não entendo nada de pedagogia ou pediatria.
Instrução: As questões de números 11 a 15 tomam por base um poema do parnasiano brasileiro Júlio César da Silva (1872-1936):

"Pigmalião e Galateia". Jean-Baptiste Regnault. 1786.

Arte suprema

Tal como Pigmalião, a minha ideia
Visto na pedra: talho-a, domo-a, bato-a;
E ante os meus olhos e a vaidade fátua
Surge, formosa e nua, Galateia.

Mais um retoque, uns golpes... e remato-a;
Digo-lhe: “Fala!”, ao ver em cada veia
Sangue rubro, que a cora e aformoseia...
E a estátua não falou, porque era estátua.

Bem haja o verso, em cuja enorme escala
Falam todas as vozes do universo,
E ao qual também arte nenhuma iguala:

Quer mesquinho e sem cor, quer amplo e terso,
Em vão não é que eu digo ao verso: “Fala!”
E ele fala-me sempre, porque é verso.

(Júlio César da Silva. Arte de amar. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1961.)

Questão 11 - O soneto Arte suprema apresenta as características comuns da poesia parnasiana. Assinale a alternativa em que as características descritas se referem ao parnasianismo.

(A) Busca da objetividade, preocupação acentuada com o apuro formal, com a rima, o ritmo, a escolha dos vocábulos, a composição e a técnica do poema.
(B) Tendência para a humanização do sobrenatural, com a oposição entre o homem voltado para Deus e o homem voltado para a terra.
(C) Poesia caracterizada pelo escapismo, ou seja, pela fuga do mundo real para um mundo ideal caracterizado pelo sonho, pela solidão, pelas emoções pessoais.
(D) Predomínio dos sentimentos sobre a razão, gosto pelas ruínas e pela atmosfera de mistério.
(E) Poesia impregnada de religiosidade e que faz uso recorrente de sinestesias.

Questão 12 - O poema de Júlio César da Silva faz referência ao mito grego de Pigmalião, um escultor da ilha de Chipre que obteve da deusa Vênus a graça de transformar em uma mulher de verdade a belíssima estátua que havia esculpido. Esse aproveitamento do mito, todavia, tem um encaminhamento diferente no soneto. Aponte a alternativa que melhor descreve como o mito foi aproveitado no poema.

(A) O poema se serve do mito para apresentar uma defesa da poesia como arte superior em capacidade de comunicação e expressão à escultura e às demais artes.
(B) O eu-poemático aproveita o mito para demonstrar que a escultura, como arte visual, apresenta possibilidades expressivas que a poesia jamais poderá atingir.
(C) O desenvolvimento do poema conduz a uma exaltação da correspondência entre as artes, demonstrando que todas apresentam grande força expressiva.
(D) O mito de Pigmalião é usado para realçar o grande poder da arte da escultura, como também da poesia, que pode imitar a escultura.
(E) A lenda de Pigmalião e Galateia é utilizada para dividir o poema em duas partes, com a primeira associando Pigmalião à escultura e a segunda associando Galateia à poesia.

Questão 13 - Aponte a alternativa que indica o número do verso em que aparecem dois adjetivos ligados por um conectivo aditivo:

(A) Verso 3.   (B) Verso 4.   (C) Verso 5.   (D) Verso 7.   (E) Verso 11.

Questão 14 - O encerramento enfático do último verso se reforça estruturalmente no poema pelo fato de criar uma relação de paralelismo sintático e de oposição de sentido com outro verso do poema.
Aponte esse verso:

(A) Verso 2.   (B) Verso 4.   (C) Verso 6.   (D) Verso 8.   (E) Verso 11.

Questão 15 - Identifique a alternativa que representa, por meio de letras, o esquema de rimas do soneto de Júlio César da Silva.

(A) ABBA        CDDC        EFE        FEF.
(B) ABBA        ABBA        CDC        DCD.
(C) ABBA        BAAB        CDE        CDE.
(D) ABBA        BAAB        CDC        DCD.
(E) ABBA        CDDC        EFG        EFG.

Instrução: As questões de números 16 a 20 tomam por base o seguinte fragmento de um livro do conhecido diretor dramático e teórico da dramaturgia Martin Esslin (1918-2002):

Mas a diferença mais essencial entre o palco e os três veículos de natureza mecânica reside em outro ponto: a câmera e o microfone são extensões do diretor, de seus olhos e ouvidos, permitindo-lhe escolher seu ponto de vista (ou seu ângulo de audição) e transportar para eles a plateia por meio de variações de planos, que podem englobar toda uma cena ou fechar-se sobre um único ponto, ou cortando, segundo sua vontade, de um local para outro. Se um personagem está olhando para a mão de outro,
o diretor pode forçar o público a olhá-la também, cortando para um close-up da mesma. Nos veículos mecânicos, o poder do diretor sobre o ponto de vista da plateia é total. No palco, onde a moldura que encerra o quadro é sempre a mesma, cada integrante individual da plateia tem a liberdade de olhar para aquela mão, ou para qualquer outro lugar; na verdade, no teatro cada membro da plateia escolhe seus próprios ângulos de câmera e, desse modo, executa pessoalmente o trabalho que o diretor avoca para si no cinema e na televisão bem como, mutatis mutandis, no rádio. Essa diferença, ainda uma vez, oferece ao teatro vantagens e desvantagens. No palco, o diretor pode não conseguir focalizar a atenção da plateia na ação que deseja sublinhar; no cinema isso jamais pode acontecer. Por outro lado, a complexa e sutil orquestração de uma cena que envolve muitos personagens (uma característica de Tchekov no teatro) torna-se incomparavelmente mais difícil no cinema e na televisão. A sensação de complexidade, de que há mais coisas acontecendo naquele momento do que pode ser apreendido com um único olhar, a riqueza de um intrincado contraponto de contrastes humanos será inevitavelmente reduzida em um veículo que nitidamente guia o olho do espectador, ao invés de permitir que ele caminhe livremente pela cena.

(Martin Esslin. Uma anatomia do drama. Tradução de Barbara Heliodora. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978.)

Questão 16 - Aponte a alternativa que contém, segundo a interpretação do fragmento de texto, os outros três meios de expressão artística que o autor contrapõe ao teatro.

I. O microfone.   II. A câmera.   III. O cinema.   IV. O rádio.   V. A televisão.

(A) I, II e III.   (B) I, II e IV.   (C) II, III e IV.   (D) II, III e V.   (E) III, IV e V

Questão 17 - Assinale a alternativa cujo enunciado não contraria a argumentação apresentada no fragmento de texto de Martin Esslin:

(A) O fato de a arte teatral ser apresentada no palco ante os espectadores a torna inferior em termos de comunicação às demais artes.
(B) Os recursos tecnológicos do cinema permitem-lhe ser uma arte mais completa e perfeita que as demais.
(C) Tudo o que passa na televisão não constitui arte, pois se trata de um veículo de comunicação de massa.
(D) Um diretor cinematográfico tem maior poder e competência que um diretor teatral.
(E) As diferenças de recursos técnicos específicos e de forma de apresentação podem implicar vantagens ou desvantagens ao teatro em relação ao cinema.

Questão 18 - No texto de Esslin, é empregada a expressão de origem latina mutatis mutandis, traduzida habitualmente por “mudando o que deve ser mudado”. Marque a alternativa que indica a frase ou as frases que também poderiam adequar-se ao fragmento de texto em lugar de mutatis mutandis.

I. Respeitadas as diferenças.
II. Resguardadas as particularidades.
III. Observadas as devidas diferenças.

(A) I, II e III.   (B) I e III.   (C) II e III.   (D) I.   (E) II.

Questão 19 - No palco, o diretor pode não conseguir focalizar a atenção da plateia na ação que deseja sublinhar; no cinema isso jamais pode acontecer.
Sempre levando em consideração todo o contexto, assinale a alternativa que encerra o mesmo argumento presente nas frases que constituem o período acima.

(A) O diretor de teatro impõe à plateia o seu ponto de vista; no cinema isso jamais pode acontecer.
(B) No teatro o espectador olha para onde quer; no cinema, também pode olhar para qualquer ponto do que está na tela.
(C) No teatro, a atenção da plateia nem sempre vai para onde o diretor deseja; no cinema, o foco da atenção é sempre previamente escolhido pelo diretor.
(D) O diretor de teatro pode perder a atenção da plateia para certos pormenores, enquanto o diretor de cinema, por não estar presente, não faz ideia de como os espectadores reagirão.
(E) No palco, o diretor pode não conseguir dirigir a atenção da plateia para a ação que deseja sublinhar; no cinema essa condução da atenção também jamais pode acontecer.

Questão 20 - A influência da língua inglesa sobre as demais, em todo o globo, se revela particularmente no vocabulário. No texto apresentado, temos dois exemplos: câmera, cujo emprego alternativo a câmara ocorre por influência da língua inglesa; e close-up, expressão da linguagem cinematográfica emprestada da língua inglesa e para a qual o português não tem um substituto totalmente adequado.
Com base nesta informação, aponte a alternativa que contém o melhor entendimento de close-up na passagem em que surge.

(A) Tomada em que a câmera focaliza um grande número de assuntos ou objetos.
(B) A câmera focaliza apenas uma parte do assunto ou objeto.
(C) A câmera focaliza alguns aposentos de cima.
(D) A câmera procura mostrar do alto todas as pessoas que se movem na cena.
(E) Tomada em que a câmera focaliza todo o cenário.

GABARITO

01 – E   02 – B     03 - C    04 - A    05 - D    06 - E    07 - B   08 – B    09 – D   10 - C
11 – A   12 – A    13 – B    14 – D   15 – D   16 – E   17 – E   18 – A    19 – C   20 – B