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terça-feira, 13 de setembro de 2011

INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - 20 QUESTÕES COMENTADAS

                                              Nasce um escritor 

      “O primeiro dever passado pelo novo professor de português foi uma descrição tendo o mar como tema. A classe inspirou-se, toda ela, nos encapelados mares de Camões, aqueles nunca dantes navegados; o episódio do Adamastor foi reescrito pela meninada. Prisioneiro no internato, eu vivia na saudade das praias do Pontal onde conhecera a liberdade e o sonho. O mar de Ilhéus foi o tema de minha descrição. Padre Cabral levara os deveres para corrigir em sua cela. 
Jorge Amado
    Na aula seguinte, entre risonho e solene, anunciou a existência de uma vocação autêntica de escritor naquela sala de aula. Pediu que escutassem com atenção o dever que ia ler. Tinha certeza, afirmou, que o autor daquela página seria no futuro um escritor conhecido. Não regateou elogios. Eu acabara de completar onze anos. 
     Passei a ser uma personalidade, segundo os cânones do colégio, ao lado dos futebolistas, dos campeões de matemática e de religião, dos que obtinham medalhas. Fui admitido numa espécie de Círculo Literário onde brilhavam alunos mais velhos. Nem assim deixei de me sentir prisioneiro, sensação permanente durante os dois anos em que estudei no colégio dos jesuítas. 
    Houve, porém, sensível mudança na limitada vida do aluno interno: o padre Cabral tomou-me sob sua proteção e colocou em minhas mãos livros de sua estante. Primeiro "As Viagens de Gulliver", depois clássicos portugueses, traduções de ficcionistas ingleses e franceses. 
     Data dessa época minha paixão por Charles Dickens. Demoraria ainda a conhecer Mark Twain, o norte-americano não figurava entre os prediletos do padre Cabral. Recordo com carinho a figura do jesuíta português erudito e amável. 
     Menos por me haver anunciado escritor, sobretudo por me haver dado o amor aos livros, por me haver revelado o mundo da criação literária. Ajudou-me a suportar aqueles dois anos de internato, a fazer mais leve a minha prisão, minha primeira prisão”.

(Jorge Amado)

1. Padre Cabral, numa determinada passagem do texto, ordena que os alunos:

a) Façam uma descrição sobre o mar;
b) Descrevam os mares encapelados de Camões;
c) Reescrevam o episódio do Gigante Adamastor;.
d) Façam uma descrição dos mares nunca dantes navegados;
e) Retirem de Camões inspiração para descrever o mar.

2. Segundo o texto, para executar o dever imposto por Padre Cabral, a classe toda usou de um certo:

a) Conhecimento extraído de "As viagens de Gulliver";
b) Assunto extraído de traduções de ficcionistas ingleses e franceses;
c) Amor por Charles Dickens;
d) Mar descrito por Mark Twain;
e) Saber já feito, já explorado por célebre autor.

3. Apenas o narrador foi diferente, porque:

a) Lia Camões;
b) Se baseou na própria vivência;
c) Conhecia os ficcionistas ingleses e franceses;
d) Tinha conhecimento das obras de Mark Twain;
e) Sua descrição não foi corrigida na cela de Padre Cabral.

4. O narrador confessa que no internato lhe faltava:

a) A leitura de Os Lusíadas;
b) O episódio do Adamastor;
c) Liberdade e sonho;
d) Vocação autêntica de escritor;
e) Respeitável personalidade.

5. Todos os alunos apresentaram seus trabalhos, mas só foi um elogiado, porque revelava:

a) Liberdade;
b) Sonho;
c) Imparcialidade;
d) Originalidade;
e) Resignação.

6. Por ter executado um trabalho de qualidade literária superior, o narrador adquiriu um direito que lhe agradou muito:

a) Ler livros da estante de Padre Cabral;
b) Rever as praias do Pontal;
c) Ler sonetos camonianos;
d) Conhecer mares nunca dantes navegados;
e) Conhecer a cela de Padre Cabral.

7. Contudo, a felicidade alcançada pelo narrador não era plena. Havia uma pedra em seu caminho:

a) Os colegas do internato;
b) A cela do Padre Cabral;
c) A prisão do internato;
d) O mar de Ilhéus;
e) As praias do Pontal.

8. Conclui-se, da leitura do texto, que:

a) O professor valorizou o trabalho dos alunos pelo esforço com que o realizaram;
b) O professor mostrou-se satisfeito porque um aluno escreveu sobre o mar de Ilhéus;
c) O professor ficou satisfeito ao ver que um de seus alunos demonstrava gosto pela leitura dos clássicos portugueses;
d) A competência de saber escrever conferia, no colégio, tanto destaque quanto a competência de ser bom atleta ou bom em matemática;
e) Graças à amizade que passou a ter com Padre Cabral, o narrador do texto passou a ser uma personalidade no colégio dos jesuítas.

9. “O primeiro dever foi uma descrição...”, contudo nesse texto predomina a:

a) Narração;
b) Dissertação;
c) Descrição;
d) Linguagem poética;
e) Linguagem epistolar.

10. Por isso a maioria dos verbos do texto encontra-se no:

a) Presente do indicativo;
b) Pretérito imperfeito do indicativo;
c) Pretérito perfeito do indicativo;
d) Pretérito mais que perfeito do indicativo;
e) Futuro do indicativo.

O ENCONTRO

Em redor, o vasto campo. Mergulhado em névoa branda, o verde era pálido e opaco. Contra o céu, erguiam-se os negros penhascos tão retos que pareciam recortados a faca. Espetado na ponta da pedra mais alta, o sol espiava atrás de uma nuvem.
“Onde, meu Deus?! – perguntava a mim mesma – Onde vi esta mesma paisagem, numa tarde assim igual?”
Lygia Fagundes Telles
Era a primeira vez que eu pisava naquele lugar. Nas minhas andanças pelas redondezas, jamais fora além do vale. Mas nesse dia, sem nenhum cansaço, transpus a colina e cheguei ao campo. Que calma! E que desolação. Tudo aquilo – disso estava bem certa – era completamente inédito pra mim. Mas por que então o quadro se identificava, em todas as minúcias, a uma imagem semelhante lá nas profundezas da minha memória? Voltei-me para o bosque que se estendia à minha direita. Esse bosque eu também já conhecera com sua folhagem cor de brasa dentro de uma névoa dourada. “Já vi tudo isto, já vi... Mas onde? E quando?”
Fui andando em direção aos penhascos. Atravessei o campo. E cheguei à boca do abismo cavado entre as pedras. Um vapor denso subia como um hálito daquela garganta de cujo fundo insondável vinha um remotíssimo som de água corrente. Aquele som eu também conhecia. Fechei os olhos. “Mas se nunca estive aqui! Sonhei, foi isso? Percorri em sonho estes lugares e agora os encontro palpáveis, reais? Por uma dessas extraordinárias coincidências teria eu antecipado aquele passeio enquanto dormia?”
Sacudi a cabeça, não, a lembrança – tão antiga quanto viva – escapava da inconsciência de um simples sonho.

(Lygia Fagundes Telles, in "Oito contos de amor")

11. A frase “Já vi tudo isso, já vi... Mas onde?” O uso das reticências sugere:

a) Impaciência;
b) Impossibilidade;
c) Incerteza;
d) Irritação; 
e) Inquietação.

12. Podemos inferir que o trecho enquadra-se como sendo:

a) Descritivo;
b) Narrativo;
c) Científico;
d) Dissertativo;
e) Jornalístico. 

13. “O Sol espiava atrás de uma nuvem...” Neste trecho a autora faz uso de uma figura de linguagem muito comum nos textos descritivos. Trata-se de uma

a) Hipérbato;
b) Assonância;
c) Metáfora;
d) Catacrese;
e) Prosopopeia.

Nel Mezzo Del Camin

Cheguei, Chegaste, Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada.
E a alma de sonhos povoada eu tinha.

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha

Hoje segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.


(Olavo Bilac)

14. À ordem alterada, que o autor elabora no texto, em busca da eufonia e ritmo, dá-se o nome de:

a) Paradoxo;
b) Metonímia;
c) Hipérbato;
d) Polissíndeto;
e) Assonância.

15. “E a alma de sonhos povoada eu tinha”. Na ordem direta fica:

a) E a alma povoada de sonhos eu tinha.
b) E povoada de sonhos a alma eu tinha.
c) E eu tinha povoada de sonhos a alma.
d) E eu tinha a alma povoada de sonhos.
e) E eu tinha a alma de sonhos povoados.

16. Predominam na primeira estrofe as orações:

a) Substantivas;
b) Adverbiais;
c) Coordenadas;
d) adjetivas;
e) Subjetivas.

17. Na segunda estrofe, o termo "presa" refere-se a:

a) Estrada;
b) Vida;
c) Minha mão;
d) Tua mão;
e) Vista.

O LOBO E O CORDEIRO

Um cordeiro a sede matava
nas águas limpas de um regato.
Eis que se avista um lobo que por lá passava
em forçado jejum, aventureiro inato,
e lhe diz irritado: - "Que ousadia
a tua, de turvar, em pleno dia,
a água que bebo! Hei de castigar-te!"
- "Majestade, permiti-me um aparte" -
diz o cordeiro. - "Vede
que estou matando a sede
água a jusante,
bem uns vinte passos adiante
de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte,
para mim seria impossível
cometer tão grosseiro acinte."
- "Mas turvas, e ainda mais horrível
foi que falaste mal de mim no ano passado.
- "Mas como poderia" - pergunta assustado
o cordeiro -, "se eu não era nascido?"
- "Ah, não? Então deve ter sido
teu irmão." - "Peço-vos perdão
mais uma vez, mas deve ser engano,
pois eu não tenho mano."
- "Então, algum parente: teus tios, teus pais. . .
Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais;
por isso, hei de vingar-me" - e o leva até o recesso
da mata, onde o esquarteja e come sem processo.

(La Fontaine, in “Fábulas”)

18. Podemos inferir do texto:


a) Trata-se de uma prosa-poética narrada em 1º pessoa
b) Texto dissertativo com narrador onisciente
c) Texto descritivo com predominância do discurso indireto livre
d) É uma fábula com foco narrativo em 3º pessoa
e) Texto científico-jornalístico com narrador observador

19. “Vede que estou matando a sede...” caso o verbo ver fosse trocado por observar, a forma correta ficaria:


a) Observa
b) Observeis
c) Observe
d) Observes
e) Observai

20. Qual figura de linguagem geralmente aparece nesse tipo de texto?


a) Metáfora
b) Metonímia
c) Personificação
d) Assonância
e) Hipérbato

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GABARITO COMENTADO

1 – RESPOSTA: A
Comentário:
A leitura atenta do texto demonstra a resposta já no primeiro parágrafo: “tendo o mar como tema”.

2 – RESPOSTA: E
Comentário:
O autor explica que a turma se inspirou nos mares de Camões, ou seja, em sua famosa obra Os Lusíadas, o que constitui um saber pré-existente, baseado no célebre autor.

3 – RESPOSTA: B
Comentário:
O autor elaborou a descrição a partir de experiências próprias: sua meninice em Ilhéus.

4 – RESPOSTA: C
Comentário:
O trecho que explicita o pensamento do autor é a afirmação “Prisioneiro no Internato”.

5 – RESPOSTA: D
Comentário:
Apesar de não dizer explicitamente, é evidente que a originalidade é o requisito principal de um bom escritor, fato que ocasionou o encantamento do padre.

6 – RESPOSTA: A
Comentário:
Após a leitura da redação, o Padre decidiu ajudar o aluno e o agraciou com os livros de sua estante.

7 – RESPOSTA: C
Comentário:
Mesmo após as regalias, o autor não se sentia com liberdade, como demonstra no trecho “Nem assim deixei de me sentir prisioneiro

8 – RESPOSTA: D
Comentário:
 Há de se ter cuidado nessa questão. Não foi por causa da amizade que ele passou a ser uma personalidade no colégio, mas sim por saber escrever bem, fato que lhe conferia tanto destaque quanto os atletas.

9 – RESPOSTA: A
Comentário:
Todos os elementos básicos estão presentes no texto: o foco narrativo em 1º pessoa, as personagens apresentadas, o enredo, etc.

10 – RESPOSTA: C
Comentário:
É muito comum encontrarmos na narração os verbos no modo do pretérito perfeito do indicativo. Vários são os exemplos do texto: inspirou-se, foi, anunciou, pediu, afirmou, regateou, passei, etc.

11 – RESPOSTA: C
Comentário:
O uso das reticências dá ideia das dúvidas da autora, demonstrando incerteza sobre o local.

12 – RESPOSTA: A
Comentário:
A autora detém-se em vários aspectos descritivos do ambiente, fato comprovado pelo grande número de adjetivos e locuções adjetivas.

13 – RESPOSTA: E
Comentário:
A prosopopeia, também chamada de personificação, consiste na atribuição de características humanas a animais ou seres inanimados, caso em que a expressão se enquadra.

14 – RESPOSTA: C
Comentário:
É fundamental que ao fazer uma prova o aluno saiba reconhecer aspectos gramaticais, sintáticos e estilísticos presentes no texto. Hipérbato é a figura de linguagem que corresponde a uma inversão da frase.

15 – RESPOSTA: D
Comentário:
Na ordem direta, cada termo permanece em sua ordem considerada natural: sujeito – verbo – complemento.

16 – RESPOSTA: C
Comentário:
O uso repetitivo da conjunção aditiva “e” configura a predominância das coordenadas.

17 – RESPOSTA: D
Comentário:
Outra frase sendo usada na ordem indireta. Na ordem direta ficaria: “A tua mão presa à minha”.

18 – RESPOSTA: D
Comentário:
É uma fábula narrada em 3º pessoa. Lembre-se de que a fábula é um tipo de texto no qual há animais como personagens principais e uma moral ao final.

19 – RESPOSTA: E
Comentário:
O verbo ver está conjugado na 2º pessoa do plural do modo imperativo afirmativo. A forma correspondente do verbo observar é observai.

20 – RESPOSTA: C
Comentário:
A personificação, também chamada de prosopopeia, é a figura de linguagem predominante nas fábulas. Consiste em atribuir características humanas a animais ou seres inanimados.

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9 comentários:

  1. adorei esse blog e principalmente o gabarito comentedo , assim agente sabe como fazer

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  2. Obrigada Professor. Seu blog me estimula a estudar.

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  3. Seu blog é maravilhoso, parabéns!!!

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  4. Obrigado pela visita e pelos elogios. Grande abraço.

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  5. Boa noite , Profº estou com uma dificuldade imensa de interpretar textos , estou fazendo estes exercícios , que estão me ajudando bastante ,quero saber se tem mais textos poéticos e se possível me passe algumas dicas , parabéns e muito obrigado! o senhor é um ABENÇOADO...

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  6. Parabéns! Gostei muito e ainda mais pelos comentários das respostas, pois desse modo fixamos mais o aprendizado *-*

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  7. gostei do conteúdo do blog,não sou muito de ficar na internet, mas vou visitar mais vezes.

    valeu mesmo!

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